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Ensinando para adolescentes

Ser professor da Escola Dominical não é fácil, às vezes temos vontade de gritar, assim como diz Lecio Dornas: socorro sou professor da Escola Dominical! Mas o desafio se torna ainda maior quando se trata de professores de adolescentes. Eles são tão meninos e com aspirações tão adultas; tão frágeis, querendo mostrar uma força que ainda não possuem; tão sensíveis, tão confusos, tão cheios de questionamentos...

Para começar, jamais deve ser aceito como professor da Escola Dominical aquele que não ama a Bíblia, que não ama conversar sobre Bíblia e que não ama seus alunos. Ser professor não significa que nos sentiremos à vontade para ensinar para todas as faixas etárias, nos damos melhor aqui ou ali e precisamos ter isso bem definido em nossa mente.

Professores de adolescentes precisam amar os adolescentes. É imprescindível entrar no mundo deles, tentar pensar como eles, falar como eles – com limites, é claro. Palavras e atitudes, inclusive olhares, cheias de não-me-toque só vão afastá-los.

Eles são carentes de amor e atenção, compreensão; todos são em maior ou menor grau.Precisam olhar para o professor e enxergar um amigo, porém um amigo que fala a verdade, que ensina a verdade e dela não abre mão. Um amigo que não tapa o sol com a peneira, não finge que não está vendo o que é errado e não passa, de maneira nenhuma, a mão na cabeça, ou seja, não colabora em fazer o errado tomar forma de certo.

Sabemos que esta é uma fase muito difícil, porém muito importante. Há muitas interrogações naquelas mentes que precisam ser respondidas. Os adolescentes ouvem coisas que nunca ouviram, veem o que nunca imaginaram, têm seus princípios fortemente confrontados. Precisam reforçar a base. E pior, alguns nem sequer tiveram essa base construída; muitos são de famílias que estão longe da nossa fé e não poucos pertencem a famílias fracas na fé.

Tem se tornado comum o isolamento de meninos e meninas. Boa parte deles não quer mais sair com a família, visitar parentes, nem sequer sentar-se à mesa para fazer uma refeição ao lado dos seus pais e irmãos. E, lamentavelmente, muitos pais são omissos nesse aspecto. Deixam os filhos irem se distanciando sem tomar alguma atitude de peso, sem diálogo, sem procurar saber o que fazem em seu restrito mundinho. Que perigo!

Notícias mostram os terríveis resultados do isolamento. Não podemos ignorar esse fato. Precisamos alertar nossos próprios alunos, ajudá-los a perceber o risco que cerca quem se afasta da família, dos amigos, e, especialmente de Deus.

É necessário estarmos antenados, como eles o são. Qual é o babado do momento? Do que mais estão falando nas escolas? Com certeza você receberá informações, seja pela televisão ou internet; um filho, primo ou sobrinho; um amigo que comenta ou até mesmo prestando atenção ao que conversam em sala. Anteninhas ligadas, sempre!

Também precisamos apresentar as verdades bíblicas mostrando que são totalmente possíveisde serem vividas. Faça com que seus alunos se sintam à vontade para falar, contar uma experiência, fazer uma pergunta. Conte exemplos reais, mostre como se aplica os princípios bíblicos em situações nas quais eles podem estar frequentemente envolvidos.

Outro ponto fundamental é fazê-los entender o quanto é importante, imprescindível e urgente tornar a Bíblia, na prática, a sua regra de vida e fé. Fomente o prazer por aprendê-la, a buscapor respostas e orientações na Palavra. Incentive o hábito da leitura diária. Faça gincanas bíblicas, debates, encenações... crie! Que a Bíblia seja gravada na tábua de seus corações! Provérbios 7.1-3.

Professor, ore! Seja uma pessoa de oração. Só assim conseguirá incentivá-los a serem também. Converse com seus alunos sobre oração, ajude-os a entender como é importante manter um diálogo com Deus. Eles precisam acreditar que Deus se interessa por eles, por suas dúvidas e questionamentos, por suas dores e seus desejos e que Ele tem um futuro abençoado para cada um.

Ensine a eles sobre relacionamento com o Pai. Faça-os entender que o preço que Jesus pagou foi alto demais para nos contentarmos com uma relação superficial, rasa, domingueira. Nossa redenção, pelo sangue do Cordeiro, comprou nosso direito de aproximação, isso não é imensamente maravilhoso?! Nossos adolescentes precisam enxergar essa beleza!

Eu e você estamos aqui para ajudá-los a acertar o alvo, limpar a vidraça embaçada da visão espiritual, compreender o amor de Deus por nós e Seu inflamado desejo de nos ter como filhos, amados e próximos, bem próximos. Tiago 4.8.

Temos que aproveitar cada momento para plantar sementes no coração dos nossos amados alunos. Sementes que vão criar raízes e, na estação própria, darão frutos. Quanto mais sementes plantarmos, mais estaremos colaborando para que eles produzam frutos durante toda a vida.

E, falando de sementes, vamos plantar aquelas de gentileza e boa educação. A educação devevir de berço, é verdade, mas às vezes não vem. Vamos ensiná-los o valor de expressões como, por favor, “obrigado”, “desculpe-me”, “com licença”... É claro que para que eles reforcem essa prática, precisamos nós mesmos, torná-la visível em nosso viver. Vamos incentivá-los a agirem assim em nossas aulas, em seus lares, na escola, na vida.

Precisamos resgatar também o valor de um elogio sincero. É importante elogiar, um elogio é um incentivo, é como dizer: muito bem, continue assim! Elogie seus alunos, com sinceridade e de forma espontânea. Pode ser que estejamos sempre prontos a corrigir, mas elogiar pode tornar-se hábito também; não é preciso exagerar, mas que não seja raro.

Outro tema interessante a ser abordado é a questão da frustração. Nossos adolescentes precisam urgentemente aprender que sua vontade não é sinônimo de prioridade, que não são eles que sabem o que é melhor para suas próprias vidas, que precisam se esforçar para compreender seus pais, a dinâmica do lar, as dificuldades da família. É necessário que entendam, o quanto antes, que a vida não lhes responderá apenas “sim”, eles ouvirão muitos “nãos” e poderão aprender novas lições a partir de cada negativa. Diga-lhes também que vão constatar que muitas vezes um pedido negado é um avanço para algo maior.

Ensine a eles o respeito. Respeitar é fundamental. Eles têm de entender que devem respeitar os pais, os mais idosos, os professores, a opinião alheia; que precisam aprender a falar de suas próprias opiniões respeitando quem está ouvindo. Enfim, vamos ajudá-los a entender que é preciso respeitar a outra pessoa, independente de qualquer coisa, pois acima de tudo ela é alguém por quem Jesus Cristo também se entregou.

Nosso ensino é para a vida. Se pensarmos em uma simples aula em algum domingo parecerá pouco. Mas se pensarmos que domingo a domingo estamos contribuindo para moldar, pelo poder da Palavra, o caráter e o coração dos nossos alunos, poderemos então concluir que temos uma grande responsabilidade em nossas mãos e que estamos sendo instrumentos afinados nas mãos do Senhor, tocando uma música que toca a alma e da qual a gente nunca se esquece.

Artigo publicado na Revista Ensinador Cristão, ano 19, ed74, abr/mai/jun de 2018 

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