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A Escola Dominical e o papel do educador voluntário

Temos, em nossas igrejas, voluntários que se dedicam ao ensino da Palavra. São educadores que, de forma eficaz, estimam pela excelência do processo educacional e dedicam-se em alcançá-lo. Embora muitos não sejam formados em educação, o ideal é que busquem formação pedagógica e teológica entre outras, todavia, somos conscientes de que cada igreja/local existe uma demanda/realidade bem diferente. No entanto, precisamos seguir a orientação do apóstolo Paulo: “... se é ensinar, haja dedicação ao ensino;” o apóstolo chegou a comparar o ensino a um chamado divino (Rm 12.7). Ele recomenda, a todos que ensinam, dedicação ao máximo em fazê-lo. Esmero que trará positividades em relação à funcionalidade no ensino e, por conseguinte, evolução espiritual para seus alunos (educandos) (Lc 6.40; Jo 13.15; I Tm 4.12), sobretudo em relação a sua própria vida cristã (educador), (Sl 119.97-99).

O professor da escola dominical deve ser o primeiro a viver o que ensina. “Assim falai e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade”, (Tg 2.12). Na antiguidade o professor era aquele que, publicamente, professava a sua fé. Ele jamais deve subestimar seus alunos e/ou classe. Notarão se está sendo verdadeiro naquilo que discursa. Assim como perceberão se houve preparo adequado ou não para lecionar. Efetuar pesquisas no último momento e preparar plano de aula na correria nunca é uma boa escolha (II Tm 2.15). A partir do momento que o professor não se esforça para desempenhar o melhor, ele não apenas desrespeita seus alunos como peca contra Deus, “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não faz, peca”, (Tg 4.17).

Além de viver o que ensina o bom professor sempre procura conhecer bem seus alunos. Jamais deve acreditar que basta, por exemplo, pegar a revista e transmitir apenas o que está ali, por melhor que seja o seu trabalho de pesquisa, não é suficiente, faz-se urgente investimento na capacitação continuada. O professor da Escola Dominical deve sempre procurar conhecer a sua classe, particularmente cada um de seus alunos. É necessário que o educador se comporte com muita coerência, comprometimento, sobretudo para que tenha uma abordagem mais natural e eficaz.

No tocante ao preparo e a ministração da aula propriamente dita, os editores dos Estudos Bíblicos apresentam sugestões valiosas que nortearão os educadores da ED. Com rápidas adaptações afirmamos que a utilização da Bíblia precisa sempre ser a ferramenta primária como referencial absoluto do ensinador cristão, ela é suficiente e eficaz, (Hb 4.12); não negligenciar o altar da oração. Fazer pesquisas e anotações, procurando em outras fontes, ferramentas e subsídios para apenas complementação dos conteúdos. Organizar a ministração das aulas, sempre efetuar relações, objetivando evitar a antecipação da matéria a ser abordada. O educador deve esquivar-se do distanciamento dos assuntos propostos nas lições. Deverá ainda criar um ambiente sadio e dinâmico, sem monopolizar a fala oferecendo sempre respostas prontas. Por fim, deve buscar relacionar as mensagens unindo-as à realidade de seus alunos, confrontando verdades absorvidas/aprendidas, lembrando que tudo isso precisa fazer sentido para o aprendiz, dentro do seu contexto, seja ele cristão, social, familiar etc. Por isso saturemos o ambiente de: leitura, explicação e aplicação das Escrituras, tendo-as sempre como ponto de partida e conclusiva, (Jo 18.37; Mt 23.10; Jo 16.12-15; cf. 14.26).

No final de cada aula, faz-se necessário motivar os alunos quanto ao próximo assunto, apontando-lhes a possibilidade de absorverem mais conteúdos novos e, incentivando-os estudarem no decorrer da semana. O professor da EBD, não pode jamais descuidar da sua espiritualidade dependendo sempre da iluminação do Espírito Santo, orando, estudando e apresentando-se diante do Senhor como ferramenta de instrução a todos que necessitam, (Jo 14.15-26; Gl 3.24). Sobretudo, ter como prioridade em sua função acompanhar a transformação na vida dos educandos/alunos, com propósito de avaliar o sucesso do seu trabalho. Entre muitos fatores que existem, há dois grandes inimigos, pelo menos, que têm levado muitos a evasão da Escola Dominical, consequentemente a perda do interesse pelo ensino nas igrejas hoje em dia. A falta de criatividade, preparo do professor e dinamismo das aulas, (improviso é arma fatal).

O Professor precisa fazer com que sua aula seja algo interessante; não podemos exigir, impor, e/ou obrigar nossos obreiros, fiéis, alunos e amigos a estarem presente num ambiente saturado de monotonia, repetitivo faz-se urgente sermos criativos, embora tenhamos um excelente/profícuo material como recurso didático (revistas/subsídios), enfatizamos... Não trabalhamos para o Senhor numa “ESCOLA DA REVISTA”, ainda continua sendo, ou precisa transformar-se em uma ESCOLA BÍBLICA, portanto gaste tempo nisso, meditar na Palavra de Deus é nobre, porque a obra de Deus não é feita sem a Bíblia (II Tm 3.16,17). Criatividade e dinamismo são, em boa parte, o segredo do sucesso do professor eficaz. “O trabalho mais simples para Jesus tem mais valor do que a dignidade de um imperador” (C.H.Spurgeon).

Logo, faz-se necessário que os educadores/professores da ED enxerguem seu trabalho/ofício como um ministério que o Senhor lhe confiou, por esse motivo precisa ser realizado da melhor maneira possível, tem que ser prazeroso no contrário não há sentido fazê-lo, “E, tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens, sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis”, (Col 3.23-24). "o que ensina esmere-se”...(Rm 12.7), “Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar”,(Jo 9.4).

Bibliografia selecionada:

L. TOWNS, Elmer. Enciclopédia da escola dominical:  Um guia de referências práticas para a sua ED. 1ª edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
L. TOWNS, Elmer. Lo que todo maestro debe saber: 24 secretos que leayudarán a cambiar vidas. Editorial Patmos Weston, FL EE.UU, 2011.

Ezequiel Pereira da Silva é diácono da Assembleia de Deus do Ministério do Ouro Fino (RJ), exercendo a função de Pastor auxiliar. Licenciado em História, Bacharel em Teologia, Pós-graduado em Psicopedagogia, Pós graduando em Língua portuguesa, produção textual e oratória.

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