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Como motivar as pessoas para a ED?

A Escola Dominical não precisa de marketing, e sim de exemplos!

Penso que uma das grandes preocupações de pastores que têm sob sua responsabilidade uma congregação ou de superintendentes da Escola Dominical, seja a baixa frequência na ED. Muitas vezes, a grande pergunta é: “o que fazer para motivar as pessoas?”. Não há uma resposta direta ou “milagrosa” para esta pergunta. Percebo, porém, que estamos focados em pontos materiais e deixamos de lado o fator humano. 

Pensando na pluralidade das várias igrejas da nossa denominação no Brasil, com diferentes características regionais e sociais, proponho uma reflexão prática sobre um tema simples, porém de extrema profundidade. 

Conversando com superintendentes e pastores de igrejas, percebi que o exemplo é um fator para motivação enquanto que a falta dele é um fator claro para desmotivação. 

A primeira observação está no âmago da família cristã. Os pais precisam dar o exemplo a seus filhos, participando da Escola Dominical. Mas participar não é apenas comparecer na Escola Dominical, ouvir alguma informação, levantar e ir embora. É mais do que isto!

As crianças e adolescentes observam seus pais e os imitam. Então, os pais precisam ir até a Escola Dominical, motivados a aprender. Aprender é diferente de ser informado. Aprender é quando aquilo em que ao estudar por meio formal ou informal, o objeto do estudo causa algum tipo de mudança naquele que aprende. Esta é uma definição “clássica” da Pedagogia e essencial para a vida cristã. Logo, se eu vou a Escola Dominical e nada muda em mim, então eu não estou aprendendo, eu estou sendo apenas informado. 

Os pais dão o exemplo quando demonstram que tem vontade em aprender e também “celebram” este aprendizado com mudanças que são observadas por seus filhos. Pequenas ações os marcarão como fator de motivação. Citando algumas: ao voltarem para casa após a Escola Dominical, os pais podem demonstrar como aprenderam o novo assunto ministrado ou podem comentar durante a refeição sobre o tema da lição, explicando aos seus filhos (observando a linguagem para cada faixa etária). Também seus filhos devem ver seus pais estudando a lição durante a semana. Os pais também dão exemplo com atitudes práticas. Primeiramente, devem levantar-se cedo no domingo, com tempo hábil para uma refeição agradável, e para que os filhos tenham tempo para “acordar” adequadamente para irem a Escola Dominical. Não se deve iniciar o domingo com gritos para acordar um ou outro, e os pais devem estar alegres em levantar para irem a igreja. O domingo precisa ser lembrado pela alegria em ir à Casa do Senhor para aprender (Sl 122.1, Sl 84.10). 

Outro ponto importante é a manifestação dos pais quanto ao aprendizado de seus filhos. Algumas igrejas (penso que a maioria) efetua encerramento da Escola Dominical, onde as classes, principalmente de crianças, apresentam o Texto Áureo e também apresentam algum cântico ou algo assim. Neste momento, sugiro que os pais mostrem que estão assistindo as crianças, tirem fotografias, façam filmagem, “vibrem” com seus filhos, porque eles estão aprendendo a Palavra de Deus, na linguagem deles, do jeitinho deles, mas certamente estão aprendendo. Quando os filhos são maiores, como pré-adolescentes, adolescentes e jovens, os pais podem perguntar sobre o que os filhos aprenderam na ED, inclusive durante a semana, podem estudar com seus filhos, ajudando-os a decorarem textos bíblicos. Parece que estamos mais preocupados com o ensino secular (que é importante obviamente) do que com o ensino bíblico de nossos filhos. Ir à Escola Dominical é quase que uma obrigação. Será que não estamos justamente passando uma mensagem a nossos filhos de que a Casa de Deus ou aprender de Deus não é tão importante? Que Deus tenha misericórdia de nós! 

Os professores têm um papel importantíssimo e são fatores para motivação, mas também devem dar o exemplo como membros fiéis e comprometidos com o Senhor. Suas atitudes fora da ED são observadas, principalmente pelas crianças. Devem estar preparados para dar aula, mas suas vidas deve ser um grande exemplo aos alunos.  

Por último, mas não menos importante, estão o pastor ou dirigente da igreja e seus obreiros auxiliares. Infelizmente tenho observado pastores e obreiros que não estão presentes na Escola Dominical, inclusive aparentemente até agem com um certo desdém quanto a Escola Dominical, como se não fosse importante. 

O líder, pastor ou dirigente deve ser o exemplo para a igreja conforme nos orienta Paulo (Tt 2.7, 1 Tm 4.12, 2 Ts 3.9), incluindo comparecer assiduamente na ED. Dentro da Escola Dominical, o pastor ou dirigente pode ser aluno ou professor. Se ele for aluno, ele deve ajudar o professor da classe em que está matriculado em questões polêmicas ou “delicadas” que possam surgir, mas os alunos devem ter liberdade para questionarem.  

O pastor deve estar cedo na Escola Dominical, preferencialmente recebendo os irmãos. O pastor também pode visitar as classes das crianças, adolescentes e jovens e nestas classes, uma boa prática é fazer a oração que inicia a aula, abençoando os alunos e o professor da classe. São pequenas coisas que o pastor pode fazer e que serão guardadas na memória dos membros como demonstração de amor pelo rebanho. 

O pastor deve ressaltar que a Escola Dominical é importante para a vida prática dos membros e deve ser tratada como algo importante para a família e para o ministério local. Ela não pode ser relegada a algo em segundo plano ou sem importância. E esta importância deve ser demonstrada pelos obreiros, como um dos principais elementos da igreja evangélica, porque através dela os membros aprendem mais da Palavra do Senhor. Além disto, a ED é um espaço para diálogo. É o momento em que as pessoas podem fazer perguntas sobre assuntos específicos, que (usualmente) não são feitas durante os cultos. 

Mesmo em tempos de Pós-Modernidade, o fator humano é o mais importante para a Escola Dominical, portanto, pastores e líderes dando exemplo e pais e mães sendo referência para seus filhos são fatores de motivação direta para a Escola Bíblica Dominical. Estes dois itens são aplicáveis em qualquer região, cultura e classe social.  

Apliquemo-nos a conhecer o Senhor; sua vinda é certa como a da aurora; ele virá a nós como a chuva, como a chuva da primavera que irriga a terra. 

Artigo extraído da revista Ensinador Cristão Ano 15 - nº 60 – (out/nov/dez de 2014)

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