Subsídios Lições Bíblicas - Adultos

Lição 6 - A Teologia de Elifaz: Só os Pecadores Sofrem?

4º Trimestre de 2020

ESBOÇO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO

I – OS PECADORES NO CONTEXTO DA JUSTIÇA RETRIBUTIVA
II – OS PECADORES NO CONTEXTO DA TRADIÇÃO RELIGIOSA
III – OS PECADORES DIANTE DE UM DEUS INFINITO
CONCLUSÃO

OBJETIVO GERAL

Destacar o pensamento teológico de Elifaz que faz uma defesa contundente da religião tradicional segundo a qual somente os pecadores sofriam.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

I – Apontar a defesa de Elifaz acerca da justiça retributiva;
II – Mostrar a associação de Elifaz a respeito do pecado à quebra da tradição religiosa;
III – Identificar o abismo que Elifaz diz existir entre o Criador e a criatura.

PONTO CENTRAL
Não só os pecadores sofrem.

Querido(a) professor (a), na lição do próximo domingo estudaremos a respeito do sofrimento humano. Na realidade, todos os seres humanos querem saber a natureza de seus sofrimentos e questionam: “Será a consequência de algum pecado cometido no passado?”

Entender este episódio na vida de Jó, permite-nos que sejamos mais pacientes e compreensivos em relação ao sofrimento de muitos irmãos na atualidade. Que o Senhor tenha misericórdia de nós e não venhamos a fazer acusações precipitadas quando alguém passar por momentos difíceis em sua vida. Só Deus conhece o início e o fim; a causa e a finalidade de cada sofrimento de seus filhos.

A partir desta lição, nos deteremos “[...] na teorização que os amigos de Jó começam a fazer acerca da calamidade do patriarca. O que era para ser uma visita solidária, passa a ser um período de teorização acerca do sofrimento alheio. O objeto dessa teorização pode ser identificado com a seguinte pergunta: ‘Por que Jó está sofrendo?’ Uma possibilidade, de acordo com a crença comum na época, era que Jó teria cometido algum pecado para estar naquele estado. Ou seja, se há sofrimento é porque o homem pecou? Só os pecadores sofrem?

Resumo da lição

As perguntas acima representam o eixo da teologia de Elifaz, a justiça retributiva. Destacá-la é o objetivo geral de nossa lição. 

Para alcançar esse objetivo, trabalharemos o primeiro objetivo específico dessa lição que é apontar a defesa de Elifaz acerca da justiça retributiva. O primeiro tópico trabalha a lei da semeadura e da colheita. É uma lei que está presente na Bíblia. O ser humano colhe o que planta. Entretanto, Jó rejeita os efeitos dessa lei em seu sofrimento, pois ele não havia cometido um pecado de justificasse essa tragédia.

Estava presente ali uma tradição religiosa que, na perspectiva de Elifaz, havia sido quebrada por Jó e, por isso, ele estava sofrendo esta calamidade. Mostrar isso é o segundo objetivo específico da lição. Nesse sentido, o segundo tópico apresenta que a teoria de Elifaz representa a tradição religiosa da época e as palavras de Jó representavam a quebra dessa tradição. Para fazer a sua defesa, Jó espera um defensor celeste, um mediador justo e imparcial.

O último objetivo específico da lição é identificar o abismo que Elifaz diz existir entre o Criador e a criatura. O último tópico justamente faz esse paralelo entre um Deus transcendente e o homem finito. Segundo a teologia de Elifaz, Deus não se importa com as queixas humanas, pois Ele está muito acima do homem. Entretanto, Jó não concordara com isso. Deus havia de caminhar com os homens.

Aplicação

É preciso deixar bem claro que há sim uma lei de semeadura e colheita. A Bíblia mostra isso com muita clareza. Entretanto, há também o caminho que Deus faz com os homens, que também é uma verdade bíblica. Diante do sofrimento, Deus caminha conosco no sofrimento. Nem sempre o sofrimento na vida do crente é um acerto de contas, mas uma oportunidade de amadurecer espiritualmente.”   “A Fragilidade Humana e a Soberania Divina: O Sofrimento e a Restauração de Jó”

Vejamos o que o comentarista da lição discorre sobre a transcendência divina no terceiro discurso de Elifaz:

Transcendência sem Imanência (22.1-3;12)
por Pastor José Gonçalves

Então, respondeu Elifaz, o temanita, e disse: Porventura, o homem será de algum proveito a Deus? Antes, a si mesmo o prudente será proveitoso. Ou tem o Todo-Poderoso prazer em que tu sejas justo, ou lucro algum em que tu faças perfeitos os teus caminhos? [...] Porventura, Deus não está na altura dos céus? Olha para a altura das estrelas; quão elevadas estão! 


No seu terceiro discurso, Elifaz expõe uma defesa da transcendência de Deus (Jó 22). O conceito que ele possuía da grandeza de Deus não destoa daquele que encontramos em outras porções das Escrituras. O problema com a argumentação de Elifaz não diz respeito ao conteúdo da sua doutrina, mas, sim, à forma como era interpretada e aplicada por ele. Elifaz, então, usa esse conceito de transcendência para humilhar e rebaixar Jó. Para ele, Deus é onipotente, grandioso e majestoso e, devido a isso, não deveria rebaixar-se para dar atenção a um pecador como Jó, que deveria reconhecer o seu lugar de insignificância e conformar-se com o julgamento punitivo do Senhor sobre ele.  

“Porventura, Deus não está na altura dos céus? Olha para a altura das estrelas; quão elevadas estão!” (22.12). Fica bastante claro que Elifaz argumenta em defesa da transcendência de Deus, que é a doutrina que destaca a supremacia divina em relação ao Universo criado. Nesse aspecto, Harris (1984, p. 703) destaca: 


Duvidar da transcendência de Deus é duvidar de seu caráter. Sem nenhuma base de juízo absoluto, não se pode condenar a conduta humana [...] a transcendência divina significa que sobre o homem e sobre tudo aquilo que é terreno está o Criador, Preservador, Cuidador, que dá as leis e é um juiz independente. O homem é dependente deste Deus para sua própria existência e suas ações estão sujeitas ao escrutínio e avaliação de Deus. Porque Deus é transcendente e livre para atuar em e sobre a sua criação sem ser assimilado ou subjugado por ela. 


Deus é o “totalmente outro”. Contudo, há um perigo quando não se compreende corretamente a transcendência de Deus. Corre-se o risco de a crença em Deus ser transformada num simples deísmo. Nas palavras de Willis (citado por Harris, 1984, p. 362), “Deus, uma vez que criou o universo, se apartou dele”. Dizendo isso de uma forma mais simples, quando é destacado apenas o atributo da transcendência divina — por exemplo, a sua soberania —, Deus é transformado num déspota, um carrasco que age sobre a sua criação sem sentimento algum. Jó vai contrapor-se a isso. 

“Mas ele sabe o meu caminho [...]” (23.10). Mesmo sabendo que Deus estava oculto e em silêncio, Jó tinha a consciência de que o Senhor era um ser relacional. Deus não estava distante a ponto de não conhecer o seu caminhar. Harris (1984, p. 362) destaca: 


É confortante crer que Deus está presente em toda a sua criação em forma única e pessoal. É sua singularidade que provoca nossa adoração e é sua personalidade que nos permite crer em suas promessas de graça, em sua direção e cuidado. Acima de tudo, é a certeza de sua santidade que o coloca como o juiz moral do universo. Porque Ele é santo, espera que nós também sejamos santos. E esta é a maior prova de sua imanência: Deus presente na vida de cada um dos membros de seu povo. 

Se a transcendência divina descamba para o deísmo quando mal compreendida, por outro lado uma compreensão equivocada da imanência divina pode desembocar no panteísmo e politeísmo. De uma forma simples, Deus não está tão distante da sua criação (transcendência) a ponto de não se relacionar com ela, mas também não está tão próxima (imanência) a ponto de misturar-se com ela. Portanto, o contraste entre o entendimento de Elifaz, que via Deus de forma transcendente, com a resposta de Jó, que o via também de forma imanente, permite que se veja onde a teologia estava sendo mal aplicada. Uma teologia errada conduz a uma crença igualmente errada.

Texto extraído da obra “A Fragilidade Humana e a Soberania Divina: O Sofrimento e a Restauração de Jó”.

Deus abençoe a sua aula e os seus alunos!

Verônica Araujo
Setor de Educação Cristã


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Videoaula - pastor José Gonçalves

   

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