Subsídios Lições Bíblicas - Jovens

Lição 1 - Um Mundo imerso numa cultura materialista

2º Trimestre de 2019

Introdução
I-Quem Ama o Mundo o Amor do Pai não Está Nele
II-A Cobiça e a Soberba, Frutos da Cultura Materialista
III-Entre o Materialismo Temporário e a Vontade Eterna de Deus
Conclusão

Professor(a), a lição deste domingo tem como objetivos:
Mostrar que aquele que ama o mundo o amor do Pai não está nele;
Explicar que a cobiça e a soberba são frutos da cultura materialista;
Mostrar que a humanidade se encontra dividida entre o materialismo temporário e a vontade eterna de Deus.

Palavras-chave: Cobiça e soberba.


Para ajudá-lo(a) na sua reflexão, e na preparação do seu plano de aula, leia o subsídio de autoria do pastor Natalino das Neves:

1 Um Mundo Imerso numa Cultura Materialista 

Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. 
Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
(1 Jo 2.15)

O conteúdo deste capítulo servirá como uma introdução ao livro.  Nele vamos estudar sobre temas proeminentes em quase toda a história da humanidade: dinheiro, sexo e poder. Ao tratar desses temas iremos utilizar os textos bíblicos que orientam como lidar com a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.  O objetivo desta obra é preparar os cristãos para vencer as tentações que são constantes nessas áreas em todas as etapas da vida. 

I. Uma Visão Panorâmica da Primeira Epístola de João 

Autor, data e local da escrita

A definição da autoria, data e local da escrita, como a maioria dos livros bíblicos, é contraditória e motivo de várias controvérsias. No entanto, fica evidente que a primeira carta é anônima, ou seja, o autor não se identifica. Apesar de que para a época mesma a citação do nome não garantia a autoria, pois a pseudonimia era uma prática comum. Tradicionalmente se afirmava que tanto as três epístolas como o evangelho haviam sido escritos por João, filho de Zebedeu. Segundo Arrington e Stronstad (2012, p. 945), membros da Comissão Editorial da Bíblia de Estudo Pentecostal, o primeiro defensor da autoria comum do Evangelho de João e a primeira carta foi Dionísio de Alexandria no século III, mas por muitos anos existiu a dúvida a respeito dessa autoria comum. Eles afirmam que a autoria destes livros por João, o filho de Zebedeu, “não é enfim crucial em termos de interpretação e certamente não o é em termos de inspiração e autoridade. Não há nenhuma razão para que um assistente de João não pudesse ser o responsável pelos escritos de 1 João”. No entanto, as semelhanças entre os livros demonstram que possuem a “mesma tradição e perspectiva”. 

A data e localização dependem da definição da autoria. Contudo, entre os estudiosos do Novo Testamento é aceito que o evangelho foi escrito antes das epístolas. Considerando a escrita do evangelho na última década do século I, durante a segunda fase da formação das comunidades joaninas, as epístolas foram escritas nos final desta década, na terceira fase da formação das comunidades 1. Na epístola não há indicação do local da escrita, mas a cidade de Éfeso, na Ásia Menor, onde existia a comunidade joanina mais velha, tem sido um dos principais locais para a escrita. Todavia, como afirmam Arrington e Stronstad (2012, p. 945), “o conhecimento do local específico da escrita” da epístola não é crucial para a sua interpretação.

Destinatários e propósito da epístola

Arrington e Stronstad (2012, p. 946) asseveram que “os estudiosos modernos frequentemente se referem a estes crentes como ‘a comunidade joanina’. [...] Esta ‘comunidade’ poderia muito provavelmente ter sido uma associação de várias congregações ou igrejas que se reuniam nas casas”. Como na maioria das epístolas, o autor também se ocupa com a influência dos falsos mestres que estavam desvirtuando alguns membros e escreve para orientá-los. A maioria dos falsos mestres na época da escrita da epístola era simpatizante das crenças gnósticas, que tinham conhecimento místico como fonte de salvação.

Na época da escrita da epístola a comunidade joanina passava por um período de conflitos internos. O autor afirma que de seu grupo saíram pessoas que eram contra Cristo (anticristos) para que ficasse claro que nem todos os membros da comunidade eram realmente convertidos (1 Jo 2.19). Não bastasse isso, eles tentavam desencaminhar membros da comunidade que permaneciam firmes e provocavam problemas de poder da autoridade local (1 Jo 1.7; 2.2; 2.22,23,26; 3.7; 4.1-3,10; 5.5,6). A comunidade estava acuada pelas influências externas, perseguições e dissensões internas promovidas, em especial, por esses falsos mestres. O autor encoraja a comunidade por meio da ênfase na fé cristológica e o amor fraterno que vence o mundo (1 Jo 5.1-5). 

De forma sintética, o autor incentiva a crer e servir a Jesus e amar ao próximo. Se o quarto evangelho se distingue pelo seu caráter querigmático, a primeira epístola de João se caracteriza pelo ensinamento ético e o tom exortativo e prático. O comportamento ético tem como base o mandamento do amor fraterno que permeia por toda a epístola. Embora, o autor advirta contra os enganadores infiltrados no grupo (1 Jo 2.26), sua carta tem mais um estilo pastoral. Trata os destinatários de filhinhos e escreve para que: a) a alegria deles seja completa (1.4); b) não pecassem e abandonassem a fé (2.1); c) tivessem a convicção da vida eterna (5.13). Eles deveriam assumir o amor como projeto de Deus para seus filhos, uma comunidade com base na comunhão e proteção mútua (1.3,5,7), sem se deixar influenciar pelo poder maligno e sedutor do mundo dominado pelo Império Romano na época. 

Conhecimento, justiça e concupiscência como palavras-chave 

A epístola tem várias palavras-chave (amor, comunhão, pecado, mandamento, justiça, injustiça, concupiscência), mas devido ao título do livro a ênfase será nas palavras-chave: conhecimento, justiça e concupiscência, que de certa forma estão inter-relacionados com as demais palavras-chave.

Como os falsos mestres influenciados pelo gnosticismo exaltavam o conhecimento, o autor destaca qual é o verdadeiro conhecimento que salva. Ele emprega o verbo ginôskein, diferente de “saber”, eidénai, que só é autêntico quando se é colocado em prática os mandamentos de Deus (1 Jo 2,3,4) e evidenciado com o amor aos irmãos da comunidade (4.7,8). Um conhecimento de Deus que leva à prática da justiça em relação ao próximo como descrito por Oséias (Os 4,1-2) e Jeremias (Jr 22.15-16), que é traduzido por João como a obediência aos mandamentos divinos (1 Jo 3.23 e 4.21). Diferente do comportamento daqueles que abandonaram a comunidade e são acusados por João de falta de amor para com seus irmãos (1 Jo 2.9-11; 3.11-24; 4.7-21). Por isso, a recomendação de que esse comportamento não deveria ser o da comunidade joanina (1 Jo 1.5-13). Portanto, o conhecimento de Deus está relacionado à prática da justiça, pois é uma demonstração de que a pessoa é nascida de Deus e justa (1 Jo 2.29; 3.7). Por outro lado, João afirma que quem não pratica a justiça e quem não ama seu irmão não é de Deus (1 Jo 3.10), pois toda injustiça é pecado (1 Jo 1.9; 5.17). Portanto, o conhecimento que conduz à prática da justiça resulta no amor fraterno recomendado por João.

O termo grego que é traduzido por concupiscência na epístola é epithymía, que significa “desejo” e “cobiça”. Essas traduções somente são utilizadas no texto que caracteriza o “mundo” que não deve ser amado (1 Jo 2.15-17). Uma expressão simples, mas com profundo significado para a vida espiritual do cristão. Por isso, será detalhado nas próximas seções e retomado nos próximos capítulos do livro, pois a tríade: concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida serão temas que perpassarão toda esta obra. A tríade será expressa ao longo do livro por palavras equivalentes como inveja, desejo, avareza, soberba, ambição, luxúria, obsessão pelo ter, consumismo, ostentação, entre outros relacionados ao dinheiro, sexo e poder.

II. Quem Ama o Mundo o Amor do Pai não Está nele

O mundo que não deve ser amado

 Mathew Henry (2015, p. 915) afirma que o mundo criado por Deus deve ser admirado, mas quando o ser humano sede às inclinações da sua natureza depravada em vez de admirar, busca dominar o mundo para atender suas próprias concupiscências:

O mundo, fisicamente considerado, é bom e deve ser admirado como obra de Deus e um espelho na qual a sua perfeição brilha, mas deve ser considerado no seu relacionamento conosco agora em nosso estado corrompido e como trabalho em nossa fraqueza e instiga e inflama nossas paixões perversas. Existe uma grande afinidade e aliança entre o mundo e a carne, e este mundo penetra e invade a carne e assim se volta contra Deus. As coisas do mundo, portanto, são distinguidas em três classes, de acordo com as três inclinações predominantes da natureza depravada: (1) A concupiscência da carne; [...] (2) A concupiscência dos olhos; [...](3) A soberba da vida. (HENRY, 2015, p. 915)

A palavra grega traduzida para mundo é “kosmos”. Ela tem três diferentes significados no Novo Testamento: a) mundo físico criado por Deus, o planeta que vivemos (At 17.24; Mt 13.35; Jo 1.10, 13.1; Mc 16.15; Hb 1.2); b) a humanidade em geral, objeto do amor sacrificial de Deus para salvação (Jo 3.16; 12.19; 17.21); c) o sistema dominante que se opõe a Deus (Mt 16.26; 18.7; Jo 14.17; 15.18,19; 1 Co 2.12; 3.19; 7.31; 2 Pe 1.4; Hb 11.38; Tg 1.27; 1 Jo 2.15; 3.17; 5.19). Os dois primeiros “mundos” são dignos de nossa admiração e amor, ambos criados por Deus, o mundo maravilhoso criado por Deus e as pessoas, criadas para adorá-lo.

Os textos bíblicos que afirmam o amor de Deus pelo mundo estão se referindo aos seres humanos (1 Jo 4.9). A comunidade deve amar as pessoas (Rm 13.8; 1 Jo 4.7; 1 Pe 1.22), mas não o sistema de poder que atua no mundo e seus valores corruptos (2. Co 4.4), que promove a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (1 Jo 2.16). A mídia de entretenimento e as campanhas de marketing atraem de certa forma os cristãos para desejarem ter a forma do sistema dominante do mundo. Algumas pessoas até se frustram ao se compararam com as personagens que são criadas para atrair os consumidores, mas o cristão salvo deve permanecer no temor do Senhor (Pv 23.17). 

O mundo que se refere ao sistema (pessoas e instituições) que se opõem a Deus é aquele que não deve ser amado, pois reflete ao estilo de vida das pessoas que não amam a Deus e não estão comprometidas com a realização de sua vontade. A maioria das vezes em que a palavra mundo é citada na Bíblia está se referindo no sentido negativo, ao sistema perverso que afasta o ser humano da vontade de Deus. Um mundo que faz de coisas e pessoas ídolos, que movem os sentimentos e ações de pessoas que os têm como deuses. Desse modo, tudo o que colocamos em primeiro lugar em nossa vida, antes de Deus é idolatria (1 Co 10.7,14,31). Jesus disse que quem ama algo deste mundo mais do que a Ele próprio, não é digno dEle (Mt 10.37,38). O cristão deve desconfiar de tudo que concorre com Deus em sua vida. Por isso, ao longo deste livro, quando for citado o mundo a ser evitado, é o mundo que concorre com Deus e jaz no Maligno (1 Jo 5.19). 

O amor ao mundo é inconsistente com o amor de Deus

O autor da Primeira Carta de João caracteriza o mundo que não deve ser amado como aquele que é constituído por pessoas que: a) não conhecem a Deus (1 Jo 3.1); b) são contrárias à igreja de Cristo (3.13); e c) são dominadas pelo Maligno (5.19). O apóstolo Paulo afirma que o cristão salvo não deve tomar a mesma forma que as pessoas que fazem parte do mundo. Ao contrário, deve renovar sua mente por meio da prática do evangelho, ou seja, deve influenciar as pessoas que se opõe a Deus e não se deixar ser influenciado pelo seu estilo de vida (Rm 12.1,2).  O mundo usurpa a paixão de quem se deixa levar por ele. Dessa forma, o cristão deve estar em constante vigilância para não se acostumar com o estilo de vida que se opõe à vontade e ao projeto do Reino de Deus.

Quanto mais próximo o cristão estiver do amor ao mundo, mais se distanciará da prática do amor de Deus. Jesus, na oração sacerdotal, deixou claro que seu discípulo está no mundo físico (Jo 17.11), mas não é do mundo, ou seja, não se conforma com o sistema opressivo dominante (Jo 17.14). Ele é chamado para fora do mundo de trevas e é reenviado ao mundo como luz e testemunha viva da transformação que se dá por meio do evangelho (Jo 17.18). As pessoas que se adéquam ao estilo de vida e procedimento do mundo encontram dificuldade para fazer a vontade de Deus, pois a prioridade não é o bem da coletividade e a defesa dos menos favorecidos. Ao contrário, o que se busca é o atendimento egoísta dos desejos pessoais. Portanto, um modo de vida inconsistente com o amor de Deus, provado por meio do sacrifício vicário e voluntário de Cristo para salvar a humanidade (Rm 5.8).   

O novo convertido recebe uma nova natureza quando é justificado, de forma que não se agrada mais das antigas práticas “mundanas” (2 Co 5.17) e se torna cidadão de um novo reino (Fp 1.27, 3.20). Jesus afirmou que o seu Reino não era desse mundo que deve ser evitado (Jo 18.36). Os desejos do cristão devem se voltar para o que é permanente e não ao que é transitório e efêmero (Lc 12.33; 1 Tm 6.18,19). Quem continua amando o mundo não cresce espiritualmente e se torna estéril no Reino de Deus (Mt 3.8, Lc 6.43-45, Jo 12.25, 15.1-8). O cristão que se torna amigo do mundo (Tg 4.4) é contaminado por ele (Tg 1.27), toma a forma dele (Rm 12.2) e acaba se tornando inimigo de Deus. Se o cristão não mudar de comportamento e se voltar para Deus, acabará sendo condenado com o mundo (1 Co 11.32). O cristão deve amar o planeta e a humanidade criada por Deus, mas não deve tomar a forma do estilo de vida das pessoas que não conhecem e se opõem a Deus.

III. A Cobiça e a Soberba, Frutos da Cultura Materialista

Concupiscência, a falta de domínio sobre o forte desejo pelo pecado

Concupiscência no sentido etimológico tem sua origem do latim concupiscens e significa “o que tem um forte desejo”, que por sua vez deriva da palavra concupera, cujo significado é “ter forte desejo”. Assim, o termo é utilizado para designar a cobiça por bens materiais, bem como por prazeres sexuais, entre outros desejos de prazer. Dependendo do contexto, concupiscência se torna sinônimo de libertinagem ou lascividade carnal.

Libertinagem é uma característica de quem não sabe usar adequadamente a liberdade que tem. A palavra tem sua origem do francês “libertinage”, cujo significado é devassidão. Quem exerce a libertinagem não respeita a integridade física, emocional ou psicológica das pessoas, se torna uma pessoa devassa, dissoluta, licenciosa e insubordinada. Os valores morais de cada pessoa interferem sobre o seu conceito de liberdade e libertinagem. O apóstolo Paulo adverte aos gálatas sobre o limite da fronteira entre liberdade e libertinagem. Ele afirma que temos liberdade em Cristo por meio da justificação da fé, que não pode ser transformada em libertinagem sob o risco de perda da salvação. Lascívia é um substantivo feminino que se refere à sensualidade, libidinagem, luxúria. Palavra frequentemente relacionada com a palavra volúpia, que significa o grande prazer dos sentidos e o grande prazer sexual. Na bíblia, concupiscência é sinônimo de pecado e compromete a vida eterna com Deus. 

A cobiça da carne 

Como visto, a concupiscência é vista como uma cobiça por bens materiais ou prazeres sexuais e outros desejos que trazem grande satisfação pessoal. O desejo e o prazer em comer, beber, dormir, fazer sexo, entre outros, é natural ao ser humano. No entanto, a concupiscência da carne é uma ânsia que o ser humano tem de consentir com o mal e contrariar a vontade de Deus (Rm 7.18; 8.1). As pessoas que se entregam à cobiça da carne são praticantes de toda sorte de imoralidades sexuais como relacionamentos amorosos contrários à orientação bíblica, a prostituição, a pornografia, o sexo fora do casamento, a lascívia, a libertinagem, entre outras. 

Quando se fala em concupiscência ou cobiça da carne geralmente as pessoas relacionam a expressão com deslizes na área sexual. Os leitores da bíblia geralmente se lembram de personagens como Sansão que trocou o seu nazireado pelas orgias com mulheres estranhas ao seu povo e o relacionamento amoroso com Dalila. Davi também é outro personagem muito lembrado, conhecido como o homem segundo o coração de Deus, ele abriu mão da presença do Senhor em sua vida por um relacionamento extraconjugal que o levou também a um homicídio. Todavia, além da área sexual, outros desejos também são concupiscência da carne, como a glutonaria, que é pouco mencionada, entre outros desejos que sem o devido controle. 

João adverte o cristão a vigiar e buscar o domínio e não ser dominado pela natureza humana, caída e pecaminosa. Algumas pessoas atribuem suas imoralidades a ação de Satanás, mas o apóstolo Tiago deixa bem claro que as pessoas cometem pecados motivados pela própria concupiscência (Tg 1.14).

A cobiça dos olhos

Enquanto a cobiça da carne se aplica particularmente aos pecados que provêm do corpo, a cobiça dos olhos está relacionada com o prazer mental que é estimulado pela vista e que pode resultar na consumação do pecado pelo corpo. Os olhos são considerados as janelas da alma. Eles, se controlados e conduzidos pelos interesses individuais e egoístas, podem levar o ser humano a uma cobiça desenfreada e o consequente afastamento da vontade de Deus. A maioria dos pecados cometidos no corpo primeiro passa pelos olhos (Mt 5.27,28), por isso a importância de cuidar com os desejos ilícitos que são alimentados pela visão.  

A Bíblia narra alguns episódios de personagens que devido à cobiça dos olhos atraíram para si e para as pessoas próximas resultados desastrosos: a) Adão e Eva — a narrativa da criação apresenta a entrada do pecado no mundo tendo sua origem na cobiça dos olhos. A cobiça dos olhos conduzindo à desobediência (Gn 3.6,7); b) Acã — durante a conquista liderada por Josué, Acã tenta a si mesmo ao avistar entre os despojos de guerra uma linda capa babilônica, a cobiça e a toma para si. Toda a comunidade foi prejudicada (Js 7.20,21); c) Davi — cometeu adultério e homicídio devido à cobiça dos olhos. Tudo começou quando ele estava em um lugar que não deveria estar e visualiza uma formosa mulher comprometida tomando banho (2 Sm 11—12). Esses exemplos têm se repetido na vida de muitas pessoas que não estão atentas ao risco da cobiça dos olhos. 

A soberba da vida 

A soberba da vida é a ostentação pretensiosa (riqueza, poder, inteligência, status social, carros, entre outros). Pessoas soberbas têm por objetivo impressionar as outras pessoas com sua suposta superioridade ou importância. Se for preciso, elas projetam uma imagem falsa com objetivo de tirar vantagens. Assim como, também desprezam ou humilham outras pessoas para se sobressaírem. Vivem como se não precisam das demais pessoas, quando pedem auxilio de alguém, geralmente é para usá-las em seu favor.

A vida de pessoas famosas que ostentam glória, pompa e vaidades pessoais influenciam outras, em especial, a juventude em busca de uma vida de “sucesso”. Todas as pessoas gostam de serem admiradas e de receberem aplausos, o que as diferenciam é a maneira como lidam com isso. Aquele que não tem o temor de Deus, busca a ostentação pretensiosa a qualquer preço, se precisar ele renuncia da prática da honestidade, da integridade para alardear poder. O mundo consumista da atualidade, que valoriza o ter em detrimento do ser, tem grande influência no comportamento das pessoas. O final dessas pessoas, que amam as coisas e usam as pessoas, não é bom. O Salmo 73 é um exemplo para refletir sobre pessoas que se espelham na vida de pessoas que aparentemente são bem sucedidas, mas que por não serem tementes a Deus comprometem o seu futuro e a vida eterna. O maior e melhor modelo a ser seguido é o de Jesus, que mesmo sendo Deus, viveu uma vida simples e humilde, amando e indo ao auxílio das pessoas desfavorecidas (Fp 2.6-11).  

A soberba da vida e a cobiça da carne e dos olhos estão inter-relacionadas. A motivação do cristão deve ser fazer a vontade de Deus para não ser dominado por elas.                                                                                

*Adquira o livro do trimestre. NEVES, Natalino. Cobiça e Orgulho: Combatendo o desejo da Carne, o Desejo dos Olhos e a Soberba da Vida. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2018.

Que Deus o(a) abençoe.

Telma Bueno
Editora Responsável pela Revista Lições Bíblicas Jovens


1 A primeira fase da formação das comunidades joaninas ocorreu no período aproximado dos anos 50 a 80; a segunda fase no período aproximado dos anos 80 a 100; a terceira fase por volta dos anos 100; a quarta fase (do desaparecimento) por volta do ano 110.


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Videoaula - Pr. Natalino das Neves

 
  

 

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