Subsídios Lições Bíblicas - Jovens

Lição 3- O dinheiro e seus perigos

2º Trimestre de 2019

Introdução
I-O Perigo de Tentar Compensar o Amor ao Dinheiro com Boas Obras e Religiosidade
II-O Perigo de Perder a Vida Eterna Devido ao Apego Demasiado aos Bens Materiais
Conclusão

Professor(a), a lição deste domingo tem como objetivos:
Evidenciar o perigo de tentar compensar o amor ao dinheiro com obras e religiosidade;
Refletir a respeito do perigo de se perder a vida eterna devido ao apego aos bens materiais.

Palavras-chave: Cobiça e soberba.

Nesta lição será abordado o ensino de Jesus sobre a correta atitude para com o dinheiro, bem como o perigo de se apegar de forma demasiada a ele e comprometer a salvação eterna com Deus. Para isso iremos analisar um texto bem conhecido dos evangelhos, o diálogo de Jesus com o jovem rico. Este jovem que era um exímio religioso e admirava Jesus, porém com um apego demasiado pelos seus bens materiais. 

1.1 I - O Perigo de Tentar Compensar o Amor ao Dinheiro com Obras e Religiosidade 

1.2 O Jovem rico vai até Jesus, mas sem disposição de renunciar riquezas

O texto original de Mateus, em sua forma gramatical, afirma que um alguém, um homem, se aproxima de Jesus. De início não passa de um anônimo e somente no versículo vinte e dois é que ele será identificado como um jovem que possuía muitas propriedades (Mt 19.16-22). Carter (2002, p. 487) afirma que ele era “alguém da elite social, de posição privilegiada com poder econômico, social e político”. Tudo demonstra que o jovem rico realmente era uma pessoa proeminente na sociedade, a ponto de todos os evangelistas sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) falarem de seu status social e poder econômico. Lucas informa tratar de um príncipe (Lc 18.18), uma pessoa importante da sociedade judaica, como um dos oficiais encarregados da sinagoga local. Marcos o chama apenas de “homem” (Mc 10.17). Enquanto, Mateus afirma que ele é um jovem que possuía muitas propriedades (Mt 19.22). Portanto, ele fazia parte de uma minoria privilegiada que, via de regra, se beneficiava do sistema de dominação romano e da elite judaica. Provavelmente, fazia parte do judaísmo da sinagoga, apresentado por Mateus como uma instituição negativa. O jovem rico vai até Jesus em busca de respostas aos seus questionamentos. E o verbo grego utilizado para identificar sua aproximação indica que a abordagem foi respeitosa. Por mais que o jovem pareça bem intencionado e apresentar uma atitude respeitosa com Jesus, o desfecho do diálogo demonstrará que ele, na realidade, não estava tão disposto a seguir a Jesus, se necessitasse renúncias. 

Independente de sua posição, o jovem vai até Jesus perguntar o que era necessário para obter a vida eterna. Em primeiro lugar, fica caracterizado o respeito pelo que havia ouvido e/ou visto a respeito de Jesus, pois considera que Ele sabia o caminho correto para se alcançar a vida eterna. O evangelista não identifica como e o que o jovem ficou sabendo de Jesus, tanto pode ter ouvido a respeito, como presenciado seus ensinos ou sinais miraculosos sendo realizados. Certo que ele reconhecia a autoridade de Jesus. No entanto, o reconhecimento e o interesse pela salvação não é suficiente, esse processo requer arrependimento e fé suficiente para renúncias e transformação de vida (Mc 1.15; Mt 9.2; Lc 17.19; At 3.19). Muitas pessoas reconhecem a autoridade da igreja e a ação de Deus no meio dela, a ponto de se aproximar e procurar encontrar meios para conviver com os membros da comunidade, participar das reuniões, mas com o passar do tempo percebem que os sermões e ensinos vão conduzindo para uma necessidade de mudança de comportamento. Esse confronto da Palavra, com a forma de vida das pessoas causa um conflito que nem todos estão dispostos a resolver. A resolução exige renuncias de coisas e hábitos aos quais essas pessoas estão tão apegadas que acabam por idolatrá-los. A nova vida com Cristo exige transformação de vida, mas nem todos estão dispostos a pagar o preço. Por isso, às vezes, ficam somente na aproximação.

O jovem acreditava conseguir a vida eterna por méritos próprios

O jovem se dirige a Jesus como mestre, “Bom Mestre”. Marcos e Lucas utilizam como adjetivo, mas Mateus faz uso da palavra “bom” como substantivo. Vincent (2012, p. 90) assevera que a tradução usual da pergunta de Jesus que sucede a abordagem do jovem: “Por que me chamas bom?”, não é a tradução correta do texto grego. A tradução mais adequada é: “Por que me perguntas acerca do bom?”. Jesus responde que somente “um há que é bom”. Arrington e Stronstad (2012, p. 111) corroboram com essa afirmação. Eles destacam que a palavra “bom”, em Mateus, “não tem implicação ética, mas ontológica. Um bom carpinteiro faz uma boa casa, e o fato de a casa ser boa é derivado do bom fabricante. A expressão última pertinente ao que é bom só pode ser Deus, pois Ele é a medida de tudo o que é bom”. Mateus não usa a palavra desta maneira por acaso, pois muitos judeus, como parece ser o caso do jovem rico, se achavam “bons” pelas suas caridades e rituais religiosos, como Mateus deixa bem claro, principalmente, no capítulo seis.  A pergunta do jovem demonstra que ele também vivia de acordo com a crença dominante da época, conforme já mencionado no primeiro capítulo deste livro. Ao contrário do que Jesus apresenta, o imaginário do povo era a crença de que a riqueza era sinônima de justiça e comunhão com Deus. Para eles a justiça se dava por meio de obras que se resumiam em rituais e esmolas aos pobres. 

Na sequência, o jovem questiona a Jesus como poderia fazer para conseguir a vida eterna, ou seja, que tipo de ritual ou caridade poderia lhe garantir uma vida eterna com Deus. Uma pergunta compreensível para judeus do primeiro século, que acreditavam na justificação pelas obras. Doutrina que será duramente contrastada pelo apóstolo Paulo por meio da doutrina da justificação pela fé (Rm 4). Ele tem em mente o bem que poderia fazer para ser considerado bom, um exemplo para sua comunidade e ser digno da vida eterna. Mais adiante no diálogo, Jesus vai indicar os limites dessas ações (v. 26). Carter (2002, p. 488) afirma que “o homem rico está pensando que pode adquirir a vida eterna da mesma maneira que adquire posses”. Um equívoco que muitas pessoas ainda cometem, tentando compensar suas falhas com sacrifícios pessoais e ações de caridade. A vontade de Deus para sua igreja vai muito além disso. 

A vida eterna com Deus não se conquista sem renúncias

Os ensinos de Jesus sobre a ética causava grande espanto aos ouvintes da Palestina do primeiro século e continua impressionando os leitores atuais. Os seus ensinos contrastava diretamente com os costumes e cultura da época, inclusive no que se refere à correta atitude para com o uso do dinheiro. Os evangelhos contêm mais de noventa citações de Jesus sobre as riquezas, sendo a grande maioria por meio de parábolas e no Sermão do Monte. Os judeus consideravam a vida material intrinsecamente ligada à vida espiritual, porém sob uma perspectiva bem diferente dos ensinos de Jesus. Enquanto eles se apegavam às riquezas e justificavam suas posses como consequências de justiça, Jesus ensinava que o reflexo da justiça era o desprendimento dos bens materiais.

Uma vez tendo o perfil do jovem rico é possível supor que ele tenha ficado feliz com a resposta de Jesus de que para obter a vida eterna deveria guardar os mandamentos (v. 17b). Para um judeu ortodoxo rico isso incluía a prática de caridades interesseiras por meio de sua riqueza como sinal de aprovação divina. Para ele, quanto maior fosse a riqueza mais caridade poderia fazer e maior recompensa divina receber. Todavia, ele faz um teste para assegurar de que havia entendido realmente o que Jesus estava falando ao se referir à guarda dos mandamentos. Ele pergunta sobre quais mandamentos Jesus estava aludindo.  A resposta deixa o jovem confortável: “Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Ele prontamente responde: “Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade”. Carter (2002, p. 488) assegura que “a sua afirmação contradiz a declaração de Jesus segundo a qual ‘só um é bom’. Ele tenta se fazer ‘bom’ como Deus. [...] a abundância deste homem significa ganância, violência e opressão”. Atitude de um exímio religioso, cumpridor das tradições judaicas com vistas demonstrar sua exemplar religiosidade, da qual se vangloriava. O pastor Cesar Moisés Carvalho corrobora com o entendimento de que o jovem não passava de mais um religioso de aparência.

A situação do jovem rico da narrativa é o retrato de milhares de pessoas na atualidade. Religiosos que cumprem rituais, sacrifícios, caridades, entre outras práticas para exercer com sua vida religiosa, mas continuam adorando o dinheiro e bens materiais, sem a experiência da salvação.

O jovem sabia que lhe faltava algo 

O narrador é neutro na sua descrição do evento, ele narra na terceira pessoa e não tece nenhum julgamento sobre a atitude do jovem rico, a não ser em Mateus 19.22. Ele introduz diálogos entre os personagens da narrativa, incluindo algumas informações e explicações para determinadas situações da história contada, mas deixa que o leitor tome as suas próprias conclusões. 

O contexto histórico e cultural do primeiro século nos leva a imaginar que o jovem, ao receber a resposta de Jesus, se anima para demonstrar que era zeloso com a guarda dos mandamentos. No entanto, o fato de ser um religioso praticante e mesmo assim procurar a Jesus demonstra que ele não estava convicto de que sua prática era suficiente para obter a vida eterna. A sua nova pergunta demonstra essa deficiência: “que me falta ainda?”. Talvez o jovem houvesse presenciado alguns dos vários debates entre Jesus e os principais líderes judaicos e se convencido da necessidade de mudanças. Os discursos de Jesus causava um grande desconforto aos praticantes do judaísmo, em especial aos escribas e fariseus. Eles eram os mestres da lei, bem como os principais beneficiários das interpretações que eles mesmos faziam dela. Os principais líderes religiosos, independente da situação de Israel em relação com os dominadores, sempre eram beneficiados pelo seu poder de influência e dominação. O reinado de Deus propagado por Jesus visava o bem-estar, prosperidade e felicidade para todos e não para um grupo específico. Jesus expõe a verdadeira justiça do Reino dos céus, com base na lei, nos profetas e nos salmos. Portanto, a base era a mesma, o que diferenciava era a interpretação. O jovem rico, assim como muitos outros judeus, buscava obedecer aos mandamentos da tradição para serem perfeitos, mas ainda não sabia que a perfeição não era possível ao ser humano. Jesus na sequência deixará isso claro a ele e também a seus discípulos.

A atitude do jovem de ir buscar o que lhe faltava para herdar a vida eterna é louvável. Nem todas as pessoas que percebem que lhe falta algo para obter a vida eterna com Deus buscam se adequar. O problema é quando as pessoas descobrem que para se adequarem à vontade de Deus é preciso renunciar as coisas que mais amam e prestar adoração. Uma questão de prioridades, onde está o seu “tesouro”. O que é mais importante para uma pessoa definirá a sua tomada de decisão. Qual tem sido a sua prioridade? O que falta para você estar dentro da vontade de Deus?

1.3 II - O Perigo de Perder a Vida Eterna Devido ao Apego Demasiado aos Bens Materiais 

1.4 O conceito do termo “prosperidade” na bíblia hebraica

Conforme já visto anteriormente, ao longo da história do povo de Israel até os dias de Jesus, o entendimento da elite religiosa, que se beneficiava de seu status religioso e interpretava as Escrituras em benefício próprio, era de que a riqueza estava intrinsecamente relacionada com a justiça de Deus. A riqueza era considerada bênção de Deus, dada às pessoas que eram justas. Proença (2008, p. 67), em um estudo nos livros sapienciais (poéticos), afirma que o termo prosperidade nesses livros não era sinônimo de riquezas materiais. Ele apresenta um quadro interessante de distinção entre as categorias: “justo” e “ímpio”, como base o livro de Provérbios. A comparação se dá porque nos textos bíblicos a “prosperidade” era prometida somente para os justos.

 Justo  Ímpio
 Tem comportamento íntegro (28,18)

 Anda por caminhos perversos (28,18)

 É abençoado (28,20)

 Quer ficar rico logo (20,20)

 Retém a instrução (28,4)  Não presta atenção à instrução (28,4)
 Comprometido com os pobres (29,7)  Não compreende o que é justo (28,5)
 

Canta e fica alegre (29,6)

 É apanhado em seus pecados (29,6)
 Não tolera o mal (29,27)

  Não tolera o bem (29,27)

 Odeia o suborno (15,27)

 Ávido por lucro (15,27)

Fonte: Proença, 2008, p. 67

Esse quadro deixa claro a confusão que era feita pelos religiosos em relação à interpretação da Palavra de Deus. Se analisar o comportamento dessas nas narrativas bíblicas, facilmente serão identificados com o ímpio e não com o justo, como defendiam. Ao comparar a definição do justo e do ímpio, Proença (2008, p. 67) assevera que a característica principal do justo “não é sua exuberância material, mas o compromisso ético com a justiça, a honestidade, a integridade, o bem e os pobres (Pv 29,7; ver também Jó 11,13-20)”. Ele reforça que “a riqueza pode ser entendida como uma injustiça, pois é resultado de uma distribuição desigual de bens materiais, o que afeta, naturalmente, a consciência do justo”. Diferente do que propagava a elite religiosa judaica, a tradição sapiencial condena o acúmulo desordenado das riquezas e aqueles que depositam nelas a sua confiança (Pv 11.28).  

Tércio Siqueira corrobora com o estudo da prosperidade no Antigo Testamento ao afirmar que é um dos termos mais abusados no mundo evangélico. 

Entender o conflito de interpretação entre a elite religiosa judaica e a que os textos realmente queriam expressar ajudará a entender os conflitos entre os ensinamentos de Jesus e a elite religiosa judaica e, consequentemente, a narrativa em estudo sobre o encontro de Jesus com o jovem rico.

O apego excessivo aos bens materiais impedia o jovem de seguir Jesus 

Então, retornando à narrativa do jovem rico, Jesus esclarece o que faltava para ele ter a vida eterna. A resposta foi como que um balde de água fria sobre o jovem: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me”. No contexto, “ser perfeito” significava “ter vida eterna” (vv. 16,17). Para isso, a ordem de Jesus foi vender tudo o que ele tinha para distribuir com os pobres. O mestre foi diretamente onde estava o seu coração. Até então, conforme o imaginário predominante na época, para o jovem não tinha nenhum mal ter muitos bens e, pelo contrário, seria uma confirmação de sua harmonia com a vontade de Deus. Porém, agora tinha confirmação do que provavelmente já “sabia”: toda a sua vida e ensino recebido de seus líderes não estava de acordo com a Palavra de Deus. Ele deve ter percebido que todo esse tempo havia se adaptado ao contexto do seu cotidiano por conveniência. Essa constatação não deve ter sido fácil. O que seria da vida do jovem se obedecesse a ordem de Jesus e vendesse tudo o que tinha, abandonasse a sua vida de privilégios e passasse a andar com Jesus e seus discípulos, que eram desprezados pelo seu círculo de amigos? Uma mudança radical que exigia muita renuncia. O que fazer?

O jovem que aparentemente queria ser um seguidor de Jesus e conquistar a vida eterna vê-se impossibilitado pela falta de desprendimento de suas propriedades. O que chama atenção é que o diálogo se encerra imediatamente, o jovem rico não consegue nem simular sua insatisfação. Assim que ouve a resposta de Jesus ele fica triste e se retira, não interroga mais Jesus e perde o interesse na conversa. O evangelista deixa bem claro o motivo de sua tristeza e rejeição ao convite de Jesus: “porque possuía muitas propriedades”. Alguns pregadores atuais aproveitam dessa passagem para exigir e tirar contribuições forçadas de fiéis, mas é bom que fique bem claro que vender os bens e entregar aos líderes religiosos não é uma condição para salvação. O que Jesus deixa claro é que o apego demasiado aos bens materiais distancia o ser humano do projeto solidário e humanitário de Deus (partilhar com os pobres). O fato ocorrido foi utilizado pelo narrador e, antes de tudo, por Deus, para deixar o ensinamento sobre o perigo do apego excessivo em bens materiais e de depositar neles a confiança. Jesus deixou o maior exemplo de desprendimento de bens materiais e de confiança na provisão divina.

Jesus, na parábola do semeador (Mt 13.22), já havia destacado o perigo da sedução das riquezas sufocar a Palavra. Ele compara essa experiência com a semente semeada entre espinhos, símbolo dos cuidados deste mundo e da sedução das riquezas, que sufocam a mensagem do Evangelho. A palavra de Jesus foi semeada em um terreno (coração) que não estava apropriado para germinar, apesar do aparente interesse do jovem rico. Você, se estivesse no lugar do jovem rico, agiria diferente? Onde você tem colocado sua confiança? 

Jesus ensina os discípulos em particular 

Depois de o jovem rico ter ido embora, Jesus se volta para os discípulos. Jesus, como de costume, reúne-se com seus discípulos para ensiná-los. Ele sempre investia tempo para capacitar e treinar os discípulos para cumprirem a missão de dar continuidade na pregação do evangelho. Ele demonstra como o apego demasiado às riquezas pode impedir a entrada no Reino de Deus e a dependência do poder de Deus para superar essa barreira (v. 26). Jesus primeiro afirma ser difícil um rico entrar no reino de Deus (v. 23). Na sequência, usa uma expressão que ficou famosa “é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus”. Uma linguagem hiperbólica para dizer que na realidade é impossível um rico, nas condições daquele jovem, ser salvo. Os discípulos também não entendem o que Jesus queria dizer. Para eles, se os ricos, considerados justos, não podiam ser salvos, “Então, quem poder salvo?”. Uma evidência de que eles ainda continuavam influenciados pela crença popular de que a riqueza significava bênção e sinal de justificação de Deus (Dt 28.1-14), embora os perigos da riqueza também sejam abordados na Bíblia Hebraica. Jesus esclarece que a verdadeira fonte de salvação é Deus (v.26). O pastor Elinaldo Renovato faz uma contextualização da relação da igreja com as riquezas e influências da cultura pós-moderna em seu comportamento, que merece a citação integral:

No mundo, as economias crescem, e se desenvolvem, graças à chamada globalização, em que se maximizam os lucros, através da diminuição dos custos, pela utilização da tecnologia avançada, ao lado do uso exploratório de mão de obra barata, nos países emergentes. A vida de milhões de pessoas melhorou, graças à maior produção de bens, e de oportunidades de trabalho. Porém, ainda há muitos milhões de excluídos dos resultados econômicos; há muitos pobres e miseráveis que não tem sequer o mínimo de calorias para manter uma vida saudável, por comerem somente uma vez por dia. Eles estão por aí, na periferia das cidades e metrópoles; e alguns são evangélicos. Pasmemos: há igrejas, onde o luxo é tão grande, que os miseráveis não conseguem entrar. E nem são bem recebidos. São as igrejas da “classe A”! Um pastor me disse que, numa igreja, quando um pobre vai à frente, seu nome sequer é anotado. É aconselhado a ir procurar uma igreja mais próxima de sua casa, que tenha pessoas do seu nível social. Nessas igrejas, o carpinteiro de Nazaré talvez se sentisse pouco à vontade. Para os excluídos, não adianta pregar apenas com palavras. É necessário demonstrar amor por eles, falando e agindo; pregando, e dando o pão cotidiano; assistindo, dando o peixe, e, mais que isso, ensinando a pescar, para que experimentem algum tipo de ascensão social. (RENOVATO, 2007, p. 216)

Na contramão da cultura secular, as bem-aventuranças de Mateus 5.1-12 declaram serem felizes os pobres, caracterizados de oito maneiras diferentes, afirmando que neles o Reino de Deus já se faz presente como dom e graça de Deus no meio de nós, e apesar de nós. Mateus assegura que bem-aventurados são aqueles que têm o coração como o do pobre (pobres de espírito), ou seja, quem assume com consciência o fato de ser pobre. Esse pode ser pobre no sentido material, o que importa é a maneira que lida com o próximo. A pior de todas as situações é o contrário disso, ou melhor, o pobre com o “espírito de rico”. Esse tipo de pessoa, em vez de desejar a justiça, deseja estar no lugar do opressor que pratica a injustiça que combate (o hospedeiro opressor), o oposto do ensino proposto por Jesus. Jesus não somente ensinou o caminho das bem-aventuranças, como também testemunhou com seu próprio exemplo de vida. Ele, tendo tudo: viveu como um pobre (Zc 9.9 cf. Mt 21.5); chorou pelos necessitados (Lc 19.41; Jo 11.35); tratou a todos com humildade e mansidão (Mt 11.29; 26.66-68); teve fome e sede de justiça (Mt 17.17; 21.12,13); foi misericordioso (Mt 9.13; Jo 8.3-11); era um pacificador (Mt 20.24-28); e foi perseguido por causa da justiça (Jo 11.46-53; 18.19-23). 

O problema não é ser rico, mas não saber lidar com as riquezas.  E você, como tem lidado com o dinheiro e seus perigos?
                                                                               
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Que Deus o(a) abençoe.

Telma Bueno
Editora Responsável pela Revista Lições Bíblicas Jovens 

Prezado professor, aqui você pode contar com mais um recurso no preparo de suas Lições Bíblicas de Jovens. Nossos subsídios estarão à disposição toda semana. Porém, é importante ressaltar que os subsídios são mais um recurso para ajudá-lo na sua tarefa de ensinar a Palavra de Deus. Eles não vão esgotar todo o assunto e não é uma nova lição (uma lição extra). Você não pode substituir o seu estudo pessoal e o seu plano de aula, pois o nosso objetivo é fazer um resumo das lições. Sabemos que ensinar não é uma tarefa fácil, pois exige dedicação, estudo, planejamento e reflexão, por isso, estamos preparando esse material com o objetivo de ajudá-lo.

Videoaula - Pr. Natalino das Neves

 
  

 

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