Subsídios Lições Bíblicas - Jovens

Lição 5 - Os Títulos de Jesus Cristo

1º Trimestre de 2020

Introdução
I-Filho do Homem
II-Filho de Davi
III-Messias
Conclusão

Professor(a), a lição deste domingo tem como objetivos:
Refletir sobre a denominação de Filho do Homem;
Associar o título Filho de Davi à natureza profética e majestática do ministério de Cristo;
Apresentar o conceito de messianidade como central no Cristianismo.

Palavras-chave: Jesus Cristo.

Para ajudá-lo(a) na sua reflexão, e na preparação do seu plano de aula, leia o subsídio de autoria de Marcelo Oliveira:

INTRODUÇÃO

Quem é Jesus? Uma pergunta parecida foi feita pelo próprio Senhor aos seus discípulos no primeiro século de nossa era (Mt 16.13). No século XXI essa mesma indagação continua a fazer sentido. 

Muitos podem acreditar que Jesus de Nazaré é um sábio. Outros apostam nEle como um simples profeta religioso. Há os que dizem que Jesus é um guru espiritualista que nos ajuda a aplainar a vida. Seria Ele um mestre da moral? Ou o maior psicólogo que já existiu? Ou o maior filósofo que peregrinou por este mundo? Ou ainda o maior líder que empreendeu o projeto mais arrojado da era humana? 

Embora Jesus fosse admirado por sua sabedoria, Ele não era um simples sábio. Embora fosse o profeta que denunciou a podridão do sistema religioso e político de sua época, e abraçou os pobres e vulneráveis esmagados por esse sistema, Ele não era somente um profeta. Embora trouxesse um equilíbrio que faltava às vidas dos que lhe ouviam, Ele não era um guru ou mero mestre da moral. Embora fosse o médico da alma humana, e curasse as feridas que dilaceravam o interior da pessoa, Ele não era um mero psicólogo. Embora trouxesse um novo modo de pensar e agir, Ele não era um mero filósofo. Embora tivesse treinado e enviado pessoas simples que impactaram o mundo para sempre, Ele não era um líder de projetos meramente terrenos. Jesus de Nazaré, o Cristo de Deus, era muito mais que tudo isso.

O escritor britânico C. S. Lewis, referiu-se assim a respeito do nosso Senhor, acerca da sua identidade:

Estou tentando impedir que alguém repita a rematada tolice dita por muitos a seu respeito: “Estou disposto a aceitar Jesus como um grande mestre da moral, mas não aceito a sua afirmação de ser Deus”. Essa é a única coisa que não devemos dizer. Um homem que fosse somente um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre da moral. Seria um lunático — no mesmo grau de alguém que pretendesse ser um ovo cozido — ou então o diabo em pessoa.1  

Em seguida, o escritor britânico arremata categoricamente:

Faça a sua escolha. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passa de um louco ou coisa pior. Você pode querer calá-lo por ser um louco, pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou pode prosternar-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém venha, com paternal condescendência, dizer que ele não passava de um mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis deixá-la.2 

Não há opção acerca da identidade de Jesus senão pelos testemunhos dos que estiveram com Ele, e por inspiração do Santo Espírito, foram registrados nas Sagradas Escrituras. Não importa o que o pensamento humano vislumbra sobre Jesus. Num tempo marcado por várias desfigurações acerca da identidade de nosso Salvador é uma tarefa importante debruçarmo-nos sobre o que as Sagradas Escrituras revelam acerca da identidade do Divino Mestre. Para isso, vamos analisar neste capítulo três títulos cruciais para o estudo da Cristologia: “Filho do Homem”, “Filho de Davi” e “Messias”. Nosso objetivo com este capítulo é, que ao final, você possa responder convictamente: “Quem é Jesus?”

I - FILHO DO HOMEM

Iniciaremos o nosso caminho pela análise da expressão “Filho do Homem”. Ela aparece no Antigo Testamento, de maneira mais abundante, no livro do profeta Ezequiel e também no livro do profeta Daniel. Nosso Senhor faz uma autorreferenciação dela no Novo Testamento, nos Evangelhos Sinóticos. Uma vez compreendida sua força semântica no Antigo Testamento, bem como confirmada e ampliada no Novo pelo próprio Jesus, podemos, então, estabelecer o paradigma de “Filho do Homem” em contraste com as falsas impressões contemporâneas a respeito da pessoa do nosso Salvador. 

O uso e a origem do “Filho do Homem” no Antigo Testamento

Em nossos cultos pentecostais, a expressão “Filho do Homem” é familiar. Quem não se lembra de pregações ungidas a partir do texto bíblico de Ezequiel 2.1: “E disse-me: Filho do homem, põe-te em pé, e falarei contigo”? De fato, para nós, é um texto familiar. Entretanto, por acaso você já se perguntou a respeito do significado da expressão? O que ela quer revelar? Que conotação quer apresentar?

A expressão é usada mais de 80 vezes no livro do profeta Ezequiel.3 Do hebraico  ben’adam — filho de Adão. O teólogo David R. Nichols atribui seu significado a “um primeiro membro da humanidade”.4  Tom Craven, especialista em Antigo Testamento, diz que a expressão é regularmente traduzida como ser humano ou homem.5  Ou seja, em Ezequiel, “Filho do Homem” refere-se ao que é humano, que pertence à descendência de Adão, membro da humanidade. 

A expressão também aparece no livro de Daniel. O texto bíblico clássico em que a expressão é revelada no livro de Daniel é:

Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino, o único que não será destruído (7.13,14) (Grifo meu).

No livro de Daniel, a expressão tem uma ligeira mudança em relação ao de Ezequiel. Nele, “Filho do Homem” refere-se “a uma figura humana especial que recebe o dom celeste de soberania”.  Traz a ideia de um homem especial que recebe mandatos divinos para desempenhar uma função na economia espiritual. 

É o que vemos no capítulo 7 de Daniel, em que “Filho do Homem” encontra-se. O capítulo trata do “sonho e visões” que o profeta Daniel teve em sua cama (v.1). A partir do versículo nove, a imagem de um tribunal aparece, de onde Deus, representado por um ancião de cabelos brancos e roupa branca (v. 9), julga “os quatro animais”. No versículo 13, aparece um “como o filho do homem” que recebe “soberania eterna, glória e realeza sobre todas as nações”.7  Aqui, a expressão “Filho do Homem” agora recebe uma referência semântica associada aos atributos divinos para cumprir o seu papel no juízo de Deus e no estabelecimento de seu Reino. “Filho do Homem” agora sai de uma dimensão terrena para adentrar em uma espiritual. É o que nos diz o teólogo David R. Nichols:

Note a mudança sutil que ocorre aqui. Em Daniel, o Senhor Deus, o Ancião de Dias, é quem julga; o Filho do Homem simplesmente aparece diante dEle. Aqui, o Filho do Homem fica sendo o agente: quebra os dentes dos pecadores e arranca reis dos seus tronos. Em outras palavras, nos séculos entre o Antigo e o Novo Testamento, os judeus atribuíam ao Filho do Homem apocalíptico um papel muito mais ativo quanto ao levar a efeito o juízo divino e o Reino de Deus.8    

Compreender essa sutil transição entre “Filho do Homem”, em Ezequiel, para “Filho do Homem”, em Daniel, é importante para compreendermos o uso da expressão feita por Jesus nos Evangelhos. Nesse sentido, podemos nos perguntar: Jesus usou a expressão “Filho do Homem” para apresentar a si mesmo como um membro da humanidade (conforme o livro de Ezequiel) ou como o “Filho do Homem” divino, que introduzirá o Reino de Deus e dará conta do tempo do fim (conforme o livro de Daniel)?    

A autorreferenciação de Jesus como “Filho do Homem”

O Filho do Homem estava presente na Terra, mas ainda está por vir com poder e glória. O ministério de Jesus no mundo tem esses dois aspectos. Ele viveu plenamente sua humanidade no mundo, mas, a partir de seu corpo glorioso, virá com poder e grande glória. Não por acaso a expressão “Filho do Homem”, empregada por Jesus nos Evangelhos, dá conta desse duplo aspecto.

De pronto podemos dizer que a expressão hyios tou antrõpou — Filho do Homem, empregada pelos evangelistas, pode significar o homem como descendente de Adão e Eva. Note a resposta de Jesus no seguinte versículo: “E disse Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8.20 — grifo meu). Aqui, a expressão Filho do Homem refere-se a característica provisória e humilde de seu ministério, a sua dimensão de homem comum, tal como no livro do profeta Ezequiel. Nesse sentido, Jesus era um homem comum que tinha um estilo de vida simples. Não há nEle lugar para a arrogância e soberba. O Novo Testamento registra que o Salvador sempre se portou como um de nós. Por isso, a humanidade de Jesus nas Sagradas Escrituras é de relevância ímpar. Num contexto em que muitos tendem a divinizar o que é humano, o aspecto da humanidade de Cristo é um antídoto contra essa tendência. Nosso Senhor viveu a sua divindade no “barro”.

Entretanto, a expressão “Filho do Homem”, usada por Jesus, também tem uma conotação divina e espiritual conforme vimos no livro do profeta Daniel. Atente para Lucas 12.40: “E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu” (grifo meu), e compare-o com este versículo: “E olhei, e eis uma nuvem branca e, assentado sobre a nuvem, um semelhante ao Filho do Homem, que tinha sobre a cabeça uma coroa de ouro e, na mão, uma foice aguda” (Ap 14.14 — grifo meu). Comparando também este versículo com Daniel 7.13,14, o teólogo Timothy P. Jenney diz: “A pessoa que estava sentada ‘sobre a nuvem’ é Jesus Cristo (14.14) e a frase ‘semelhante ao Filho do Homem’ tem a finalidade de lembrar aos leitores o que Daniel disse em 7.13,14”. Lembra-se do um “como o Filho do Homem” em Daniel? É uma relação clara do “homem especial” que recebeu soberania eterna, glória e realeza no Reino de Deus. 

O texto do apóstolo Paulo em Filipenses 2.5-11 pode ser muito esclarecedor para essa dupla vocação de Cristo: 

De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. 

Embora a expressão “Filho do Homem” não apareça nas cartas paulinas, os versículos 5-8 destacam claramente a característica humana de Cristo, seu esvaziamento da glória divina para viver a plena humanidade em obediência a Deus. A frase “aniquilou-se a si mesmo, tomando forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem” deve ser comparada com esta porção do próprio texto: “Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra”. Está muito presente, aqui, a plena humanidade de Jesus e, ao mesmo tempo, sua natureza divina. 

Portanto, podemos dizer que a proposição “Filho do Homem”, tanto em Ezequiel quanto em Daniel, está expressa, com toda força, em Filipenses. Assim, concluímos que a expressão empregada pelo próprio Senhor traz a carga semântica de sua plena humanidade, bem como seu mandato messiânico para estabelecer o Reino de Deus no mundo.     

O paradigma de Jesus para nossas autoavaliações

A flexibilidade da expressão “Filho do Homem” nas Escrituras é notável. O Filho do Homem veio à Terra, viveu literalmente como homem (Ezequiel) e ainda virá com poder e glória (Daniel). 

O fato de nosso Senhor ser um homem literal é extraordinário. As Escrituras expõem sua humanidade de maneira retumbante. A Bíblia diz que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). O mesmo evangelista João disse que suas mãos tocaram a “Palavra da Vida” (1 Jo 1.1), “e todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que está já no mundo” (1 Jo 4.3). Logo, qualquer movimento que negue a humanidade do nosso Senhor está enredado no “espírito do Antricristo”.

Em Jesus, não há lugar para mentiras espirituais ou falsa realidade. As Escrituras revelam a realidade humana, mostrando que o ser humano nasce, mas morre; planta, mas colhe; fere, mas cura; chora, mas ri; espalha pedras, mas as junta também; abraça, mas se afasta; busca, mas perde; guarda, e joga fora; rasga, mas costura; cala, mas fala; ama, mas também se aborrece; faz guerra, mas apazigua (Ec 1.1-8). Assim, o maior antídoto contra a falsa espiritualidade, ou o misticismo barato, é a humanidade de Jesus. Ela esfacela a idolatria dos homens. Aniquila a soberba humana. E revela qualquer insensatez. 

FILHO DE DAVI

Se Jesus é o “Filho do Homem”, Ele também é “Filho de Davi”. Este título tem uma equivalência com o caráter messiânico de Jesus Cristo. Em primeiro lugar, o título refere-se à realeza do Senhor Jesus. Essa percepção é clara no primeiro capítulo de Mateus. 

A Realeza de Jesus

Lembre-se da genealogia de Jesus Cristo no livro de Mateus. Ali, o evangelista sagrado tem o objetivo de unir Jesus a Abraão e a Davi, o rei da promessa messiânica, e mostrá-lo como aquEle que cumpriu tudo o que era necessário na história da salvação. É o que menciona o teólogo James B. Shelton aos leitores modernos do Evangelho de Mateus:

Os leitores da atualidade não devem esperar que este documento antigo se conforme com o conceito moderno de árvores genealógicas, sirva para os mesmos propósitos ou tenha a precisão que os registros hodiernos proporcionam. O ponto principal que Mateus ressalta é que Jesus estava numa família judaica e tinha sólidos laços com a sucessão real de Davi e, em última instância, com Abraão, o antepassado. (Grifo meu)9  

Nesse sentido, a expressão “Filho de Davi” mostrará Jesus Cristo como o legítimo herdeiro da aliança davídica. O Rei-Messias que saiu como o renovo das raízes do tronco davídico. Os textos que mencionam “Filho de Davi” são exatamente a Cura da filha da mulher Cananeia (Mt 15.22), a cura do cego de Jericó (Mc 10.47) e a entrada triunfal em Jerusalém (Mt 21.9-15). Aqui, nos deteremos escassa e modestamente, a respeito do episódio da mulher cananeia e da entrada triunfal de Jesus.   

O poder de cura do Filho de Davi

A mulher cananeia retratada no capítulo 15 de Mateus surge da região de Tiro e de Sidom. Lugar que marca a herança nacional de Jezabel, a rainha que foi casada com o rei Acabe de Israel, caracterizado pela adoração ao deus Baal e, tradicionalmente, hostil à adoração ao Deus de Israel. Por isso, Mateus ressalta a sua característica gentílica.  

Diferente do Evangelho de Marcos (Mc 7.24-30), que registra apenas um clamor, em Mateus a mulher cananeia aparece rogando a Jesus três vezes (15.22,25,27), chamando-o de Senhor (kyrie).10  O termo “Senhor” originalmente é uma palavra que diz respeito aos superiores — mestre, soberano, amo, proprietário. Naturalmente que, como o público leitor de Mateus era uma igreja estabelecida no primeiro século, os leitores dessa igreja considerariam uma titularidade divina a partir da oração suplicante da mulher.11  O motivo de sua oração suplicante: sua filhinha estava miseravelmente endemoninhada. A mulher faz essa súplica, dirigindo-se a Jesus como o “Filho de Davi”. De acordo com o teólogo James B. Shelton, “o uso que a mulher faz do título ‘Filho de Davi’ não serve apenas para Mateus enfatizar Jesus como Rei, mas também reconhece que a nação judaica é a primeira na agenda de salvação, visto que a salvação passa um Messias judeu”.12  É uma expressão que vem carregada de uma semântica que destaca a realeza de Jesus como o Rei-Messias. Ou seja, aquele que salvaria a nação de seu destino caótico.

Essa é a imagem que salta do texto: um Rei elevado diante de uma mulher gentílica, oriunda de uma terra idólatra. É o Rei dos reis relacionando-se com uma mãe sofredora, dilacerada pelo sofrimento de sua filha. Esse Rei surpreende-se com a fé dessa mulher e cura a sua filha. O Filho de Davi tem um poder sanador, pois também é o Filho de Deus.           

O anúncio do rei em sua entrada triunfal

O relato da entrada triunfal de Jesus pelas ruas de Jerusalém é o grande momento em que os judeus o receberam como rei, ao menos, por alguns instantes. Infelizmente, mais tarde, essa multidão foi manipulada pela elite religiosa judaica para pedir a crucificação de Jesus. 

O trecho bíblico traz uma imagem de grande vivacidade: “E as multidões, tanto as que iam adiante como as que o seguiam, clamavam, dizendo: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!” (Mt 21.9 — grifo meu). A multidão reconheceu o reinado de Jesus. O uso oficial de um jumentinho manifesta a realeza dEle. O cumprimento da profecia de Zacarias atesta tal realidade (9.9). As vestes que Jesus usava revelam tal realeza. Enfim, o “Hosana ao Filho de Davi” confirma que o povo recebeu e amou o seu Rei. Assim, Jesus, o Filho de Davi, é o rei davídico por excelência. Ele é aliança de Deus com Davi encarnada nEle.

O Rei de Israel entrou glorioso pelas ruas de Jerusalém. Ele é rei! Ele é o Senhor! 

MESSIAS

Se Jesus é apresentado como o Filho do Homem, e o Filho de Davi, Ele também é apresentado como o Messias de Deus.  

Messias-Cristo-Ungido

Messias é um termo que aparece primeiramente em hebraico. A palavra é mãshîah, que significa “ungido”. No Antigo Testamento, o termo aparece como aquele que é ungido com óleo e capacitado pelo Espírito de Deus para fazer uma tarefa. A primeira ocorrência do termo mãshîah está em Levítico 4.3 e relaciona-se ao sacerdote: “se o sacerdote ungido pecar”. Também o termo aparece em 1 Samuel 24.6, referindo-se ao rei: “o ungido do SENHOR”. Há a ocorrência também em 1 Rs 19.16 em relação aos profetas: “Unja também Jeú [...] como profeta em seu lugar”. Entretanto, a ocorrência mais significativa para a Cristologia é a que aparece em relação ao episódio da unção de Davi como rei pelo profeta Samuel: “Samuel pegou o chifre do azeite e ungiu Davi no meio de seus irmãos. E, daquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apossou de Davi” (16.13).13 Veja como em Samuel está bem clara a relação da unção para o reinado e a capacitação do Espírito do Senhor. Essa perspectiva aparece exatamente com nosso Senhor Jesus. Este é o justo herdeiro da descendência de Davi, isto é, o Messias profetizado pelos profetas (Mq 5.2; Os 11.1; Is 61.1,2 cf. Lc 2.1-6; Mt 2.13-15,19,20; Lc 4.17-21; Jo 1.40,49), esperado pelos judeus e ungido pelo Espírito Santo para uma missão especial. É o que passamos a analisar agora no termo no Novo Testamento.  

No Novo Testamento o termo é christos para Ungido, Messias. Ele relaciona Jesus Cristo como o Senhor com a mesma força do termo proveniente do hebraico. Os textos de Lucas 4.18,19 e João 4.1-42 são os em que Jesus aparece mais claramente como o Messias. Entretanto, em toda a sua trajetória, nosso Senhor nunca falou abertamente sobre sua verdadeira identidade, talvez pela consciência a respeito do que os judeus esperavam de um Messias: um poderoso político que os libertasse da mão do império. Por isso, de maneira geral, em Jesus, o termo “significa o Único que pelo seu Espírito Santo e poder habita nos crentes e molda o caráter deles de conformidade com a sua semelhança (Rm 8.10; Gl 2.20; 4.19; Ef 3.17)”.14  O Cristo de Deus é o Messias que havia de vir. Não o Messias político, mas o ungido do Espírito para estabelecer um reino que não é deste mundo. “Além disso, o incomparável Messias divino, Jesus, não deixou de ser o Messias ao morrer na cruz, pois foi ali que aperfeiçoou a salvação. Depois, ressuscitou dentre os mortos e subiu até a presença do Pai, onde certamente continua sendo o Messias divino”.15  Ele é o Cristo da cruz e o Cristo do céu!

Tu és o Cristo!

“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16.16): assim respondeu Pedro à pergunta de Jesus. Ele afirmou categoricamente que Jesus é o Cristo, isto é, o Messias. Essa confissão representava toda a esperança que os discípulos tinham em relação à libertação de Israel e o estabelecimento do Reino de Deus na Terra. Foi também uma resposta sucedida por uma bênção de Cristo: “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus” (Mt 16.17 — grifo meu). Ou seja, o que Pedro afirmou não foi por consequência meramente intelectual, raciocínio humano ou algo semelhante. Foi uma revelação diretamente vinda do Pai.

É importante ressaltar que o texto de Mateus revela as elucubrações que as pessoas haviam feito acerca da identidade de Jesus. Para uns Jesus era João Batista; para outros, Elias; para terceiros, Jeremias; ainda, um dos profetas. Era uma imagem distorcida a respeito do Salvador. Diante das confusões de interpretação quanto à identidade de Jesus, a resposta de Pedro foi reveladora.   

Jesus é o Cristo de Deus! Que resposta extradordinária! Imagine alguém em pleno século XXI afirmar: “Eu sou deus”. Seria um escândalo, não é mesmo? Essa era a mesma dificuldade para os contemporâneos de Jesus acreditar que diante dos olhos deles estava o Messias profetizado pelos profetas. Só o próprio Deus poderia revelar e confirmar no coração de Pedro a verdadeira identidade de Jesus: “Tu és o Cristo”!    

Quem é Jesus para nós hoje?

Ravi Zacharias, importante apologista cristão, descreve assim a respeito do prognóstico da suposta crise de identidade a respeito de Jesus Cristo no Ocidente:

Na década de 1980, assisti a uma palestra proferida em conjunto por Francis Shaeffer e C. Everett Koop, ex-cirurgião geral dos Estados Unidos. Naquela conversa, Schaffer fez um comentário que me pegou de surpresa. Ele disse que nós, do Ocidente, estávamos nos aproximando do dia em que o nome de Jesus não seria reconhecido pelo jovem comum; e se fosse reconhecido, nenhum fato histórico sobre Ele seria conhecido. Na época, achei sua declaração um pouco difícil de engolir e me perguntei se ele havia dito isso apenas para ser provocativo. Porém, uma geração mais tarde, isso está parecendo ser bem verdade. Acho um tanto surpreendente o fato de o nome de Jesus ser profanado com muita regularidade — e isso não acontece apenas no Ocidente. Ninguém se atreveria a usar o nome de Maomé da mesma forma. E com certeza nenhum hindu que conheço usaria o nome de qualquer uma de suas divindades com tal desrespeito.16   

A descrição de Ravi Zacarias traz muita exatidão para o problema. O Jesus apresentado em muitos lugares simplesmente não é o Jesus das Escrituras Sagradas. Há uma tendência de apresentar Jesus no debate público ou em outros lugares de maneira completamente distorcida. O “crucificado” não é apresentado. O Rei nem um pouco é mencionado. O Salvador, o Messias, desprezado. Sim, para muitos, infelizmente, o Cristo bíblico é rechaçado. Isso acontece porque o Jesus da Bíblia não se encaixa em qualquer ideologia humana ou modismos doutrinários. Pode-se até fazer um recorte do que Ele diz e fez para encaixar no próprio pensamento, mas ignorando as implicações incômodas do Cristo, o Filho do Deus vivo. 

É preciso não se envergonhar de proclamar o Cristo da Bíblia: O Crucificado e o Ressuscitado.     

CONCLUSÃO

Neste capítulo, vimos que Jesus é o “Filho do Homem”. Essa expressão tem uma conotação da humanidade plena de nosso Senhor, bem como sua messianidade para estabelecer o Reino de Deus no mundo. Vimos também que Jesus é o “Filho de Davi”, o legítimo herdeiro da aliança davídica. Ele é o Rei dos reis. Finalmente, Ele é o Messias, o Filho do Deus vivo. Aquele que há de estabelecer o Reino de Deus para sempre.

Esses três títulos identificam Jesus e pontua a face humana e divina do nosso Salvador. Qualquer proclamação que ignore a perspectiva humana e divina de Jesus é incompleta. Se o nosso Senhor esvaziou-se da glória e fez-se semelhante aos homens, Deus também o exaltou soberanamente; se Deus o exaltou soberanamente, Ele também se esvaziou de sua glória e fez-se semelhante aos homens (Fp 2.5-11).

Lembra-se da pergunta, “Quem é Jesus?”, que fizemos na introdução? Definitivamente Jesus não pode ser visto como um mestre de moral, ou um revolucionário. Muito menos como alguém distante de nós, que está longe de nossas necessidades. Jesus é aquele apresentado nas Escrituras: o Filho do Homem, o Filho de Davi e o Messias. Qualquer imagem de nosso Senhor que não leve em conta essa tríade bíblica está incompleta. Jesus é Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

BERGANT, Dianne; KARRIS, Robert J. Comentário Bíblico. Vol. 2. 3.ed. Rio de Janeiro: Edições Loyola, 2001.

Dicionário Vine. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

LEWIS, C. S. Cristianismo Puro e Simples. 3.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

STRONSTAD, Roger. A Teologia Carismática de Lucas: Trajetórias do Antigo Testamento a Lucas-Atos.  Rio de Janeiro: CPAD, 2018.

ZACHARIAS, Ravi. Quem é Jesus: Contrapondo sua Verdade à Falsa Espiritualidade dos Dias Atuais. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.

                                                                               
*Adquira o livro do trimestre. Jesus Cristo: Filho do Homem: Filho de Deus. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2020.

Que Deus o(a) abençoe.

Telma Bueno
Editora Responsável pela Revista Lições Bíblicas Jovens


1 LEWIS, C. S. Cristianismo Puro e Simples. 3.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2009, p.69. 
2 LEWIS, C. S., 2009, pp.69-70. 
3 BERGANT, Dianne; KARRIS, Robert J. Comentário Bíblico. Vol. 2. 3.ed. Rio de Janeiro: Edições Loyola, 2001, p.69.  
4 HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p.310. 
5 BERGANT, Dianne; KARRIS, Robert J., 2001, p.69.  
6 Ibidem, p.298. 
7 Ibidem, p.298 
8 HORTON, Stanley (Ed.)., 1996, pp.311-12. 
9 ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento.  Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.14. 
10 A palavra é proveniente de kyrios
11 ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger, 2003, p.98. 
12 Ibidem.
13 Aqui, não posso deixar de fazer uma referência em relação à ação do Espírito Santo no Antigo Testamento, especificamente a ação do Espírito na unção de Saul e de Davi quando da instalação da Monarquia de Israel. Veja o que o teólogo Roger Stronstad diz: “A fundação da monarquia para suceder aos juízes é caracterizada pela manifestação repentina e intensa de atividade carismática concentrada nos dois primeiros reis de Israel, Saul e Davi. Completando a unção que Saul recebera por Samuel, o Espírito do Senhor veio sobre ele, e ele profetizou (1 Sm 10.1-10). O Espírito do Senhor viria sobre Saul mais duas vezes  (1 Sm 11.6; 19.23) e uma vez em seus mensageiros (1 Sm 19.20) antes de Saul perder o reinado para Davi. Assim  como o Espírito do Senhor veio sobre Saul quando ele também foi ungido por Samuel (1 Sm 16.13; 2 Sm 23.2). Com os descendentes de Davi, a monarquia em Israel tornar-se hereditária e perde o caráter  carismático que era evidente na unção de Saul e Davi” (STRONSTAD, Roger. A Teologia Carismática de Lucas: Trajetórias do Antigo Testamento a Lucas-Atos. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, p.35). Assim, o símbolo da unção sobre alguma pessoa estava relacionado diretamente com o agir do Espírito do Senhor. Isso tem uma simbologia graciosa quando o Evangelista Lucas descreve o momento em que Jesus lê as Escrituras na Sinagoga de Nazaré: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu [...]” (Lc 4.18).
14 Dicionário Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.522. 
15 HORTON, Stanley (Ed.)., 1996, pp.316.
16 ZACHARIAS, Ravi. Quem é Jesus: Contrapondo sua Verdade à Falsa Espiritualidade dos Dias Atuais. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.166.


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