Subsídios Lições Bíblicas - Jovens

Lição 13 - A Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo

1ºTrimestre de 2020

Introdução
I-Sua  ressurreição e ascensão
II-O arrebatamento da igreja
III-A vida eterna com Cristo
Conclusão 
  
Professor(a), a lição deste domingo tem como objetivos:
 
Demonstrar a centralidade do conceito da ressurreição para a fé cristã;
Apresentar os pressupostos bíblicos básicos sobre o arrebatamento;
Refletir a respeito do nosso estado eterno no céu.
 
 
Palavras-chave: Jesus Cristo.
 
 
Para ajudá-lo(a) na sua reflexão, e na preparação do seu plano de aula, leia o subsídio de autoria de Thiago Santos:
 
LIÇÃO 13
 
 
INTRODUÇÃO
A Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo, certamente, é um dos assuntos mais polêmicos da Bíblia. Antes de nos empenharmos a compreender o que as Escrituras Sagradas revelam sobre o assunto é importante entender o fundamento da Segunda Vinda de Cristo: sua ressurreição, o arrebatamento da igreja e a própria vida eterna.

A centralidade da fé cristã encontra-se no evento da ressurreição (1 Co 15.14). Tanto a vida presente quanto a eterna é possível graças ao evento da ressurreição de Jesus Cristo. Se Cristo não ressuscitasse dos mortos, todos os milagres realizados em seu ministério, o investimento em seus discípulos e, até mesmo, sua morte sobre a cruz, seriam em vão. A ressurreição de Cristo foi a culminância de um projeto eterno de Deus para restauração da comunhão com a humanidade.

Semelhantemente a promessa da Vinda do Senhor Jesus para buscar a sua igreja é mais um passo importante no cumprimento da profecia bíblica. O juízo de Deus está determinado sobre a humanidade. O arrebatamento da igreja é o escape determinado por Deus para que o seu povo seja livre do sofrimento que há de vir sobre toda a terra.

E, como não poderia deixar de ser, a vida eterna é o resultado final de uma vida em comunhão com Deus e, respectivamente, com todos aqueles que creem e reconhecem a soberania do Senhor Jesus Cristo. Para os que se perdem, a vida eterna é a separação definitiva de Deus, mas para os que estão salvos, é a recompensa final após uma vida de fé e obediência aos preceitos da santa Palavra.

Por fim, vale dizer que estes são os três pilares da fé cristã que, inclusive, estão presentes no credo doutrinário das Assembleias de Deus. São neles que a igreja deve estar firmada a fim de que seja fortalecida e edificada doutrinariamente à espera do grande Dia da Vinda do Senhor.
 
I – SUA RESSURREIÇÃO E ASCENSÃO
 
O evento da ressurreição de Cristo é a ratificação da obra de salvação anunciada pelos profetas no Antigo Testamento. Prestes a morrer na cruz, o Senhor Jesus disse: “Está consumado” (Jo 19.30). Nosso Mestre terminou a obra para a qual foi designado a cumprir.

A ressurreição de Jesus Cristo, no domingo pela manhã, foi a vitória mais importante, haja vista que se assim não ocorresse, toda a obra realizada pelo Mestre ao longo dos três anos de ministério, os milagres operados, a escolha dos discípulos e, até mesmo, a sua própria morte sobre a cruz, seriam insuficientes. A obra de Deus estaria incompleta se não houvesse a ressurreição.

Nas cartas paulinas é notório o destaque dado por Paulo à mensagem da ressurreição, de modo que a igreja considera este ponto como um dos principais pilares da fé. A obra da ressurreição não deve ser apenas considerada um marco, mas também descortinada doutrinariamente com vista no aperfeiçoamento da fé cristã.

Da mesma maneira a ascensão de Jesus ao céu é outro assunto que merece destaque. Este é o último ato público do ministério do Salvador (At 1.2-11). Aos seus discípulos, Ele deixou a promessa de que voltaria para buscá-los a fim de morarem eternamente em um lugar bem melhor (cf. Jo 14.2,3). Por fim, a sua ressurreição é a prova viva de que Ele é o Salvador do mundo e que veio para nos permitir alcançar a vida eterna.
 
A vitória mais importante
 
A ressurreição do Senhor Jesus Cristo pode ser considerada a vitória definitiva sobre o pecado e a morte. Tendo em vista que o salário pago aos pecadores por conta da desobediência aos preceitos da vontade de Deus é a morte (cf. Rm 6.23), a graça de Deus se fez presente, ratificando a vitória de Cristo por meio da ressurreição ao terceiro dia pela manhã (cf. Mt 28.1-10).

De acordo com a Declaração de Fé das Assembleias de Deus (2017, p. 62):
 
A morte e ressurreição de Jesus são os principais elementos que distinguem o cristianismo de todas as religiões da terra, pois Jesus, o seu fundador, vive para sempre: “havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre Ele” (Rm 6.9). A sua morte vicária seria destituída de significado teológico se ele tivesse permanecido na sepultura. Aquele corpo que foi crucificado não pôde ficar na sepultura. Essa ressurreição significa a glorificação e exaltação de Jesus, a vitória sobre Satanás, sobre o pecado, sobre a morte e sobre o inferno. 

Não existiu antes, nem existirá depois, acontecimento tão relevante para a fé cristã como o fato de Jesus ter ressuscitado dos mortos. Tendo em vista que a morte é resultado do pecado, em contrapartida, a vida é a ausência de pecado e a comunhão plena com Deus. Portanto, Cristo não poderia ficar retido na morte, pois nEle não havia pecado algum (cf. At 2.24).
 
A ressurreição como pilar da fé cristã
 
O evento da ressurreição de Jesus Cristo é considerado como um dos principais pilares da fé cristã. Paulo destaca a mensagem da ressurreição ao escrever para a igreja de Coríntios (1 Co 15). Diga-se de passagem, há muitos que tentam negar que a ressurreição de Cristo, de fato, tenha ocorrido. Acerca disso, o apóstolo Paulo comenta: “Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (1 Co 15.16,17).

Nos dias de Paulo, alguns negavam a ressurreição corpórea de Cristo (v. 12). Respondendo, Paulo declara que se Cristo não ressuscitou, não há perdão, nem livramento do pecado. Fica claro que os que negam a realidade objetiva da ressurreição, estão negando totalmente a fé cristã. São falsas testemunhas que falam contra Deus e a sua Palavra. A fé que eles professam não tem valor, e, portanto, não são cristãos autênticos (STAMPS, 1995). 

A ressurreição é apresentada na Bíblia, mais especificamente em o Novo testamento, tratando-se de dois tipos. A primeira, diz respeito à ressurreição dos salvos: quando Jesus voltar, os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, incorruptíveis. Em seguida, os salvos vivos serão transformados. Juntos, subirão ao encontro do Senhor, nos ares (1 Ts 4.16,17; 1 Co 15.51,52). Apenas “os que morreram em Cristo” ressuscitarão antes do Arrebatamento; os que não morrerem “em Cristo” farão parte de uma “segunda ressurreição”, que se dará antes do Juízo Final. [...] Portanto, a segunda ressurreição é a da condenação (Jo 5.29b) e ocorrerá depois do Milênio e antes do Juízo Final. Os mortos que “não reviveram, até que os mil anos se acabaram” (Ap 20.5) ressuscitarão para o julgamento do Trono Branco: “E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram o mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras” (Ap 20.13) (ZIBORDI, 2009,  pp. 502,503).

A temática da ressurreição não deve ser considerada apenas um fato de relevância espiritual, embora o seja de fato, mas também um importante aspecto doutrinário que serve de base para a pregação do evangelho. A mensagem da cruz não faria sentido se não houvesse a ressurreição e, portanto, este fato merece ocupar lugar de destaque no estudo da salvação.   
 
De volta para casa
 
Após a ressurreição o assunto que finaliza a descrição sobre a estadia de Jesus aqui na terra é o momento da sua ascensão ao céu. A palavra ascensão, do latim, ascensionem, significa subida, elevação; é a subida corpórea do Cristo ressurreto aos céus após haver cumprido o seu ministério terreno. O fato, testemunhado por mais de quinhentos irmãos, deu-se no quadragésimo dia após o seu sacrifício no Calvário (ler 1 Co 15) (ANDRADE, 1996).

A convicção de que vamos ser levados para morar eternamente no céu está associada a dois argumentos básicos que norteiam a Segunda Vinda de Cristo a este mundo. Em primeiro lugar, está a promessa de que Jesus voltaria para buscar a sua Igreja. Durante o momento da sua ascensão, os anjos anunciaram aos discípulos: “Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (At 1.11). Ele prometeu voltar para reencontrar os seus servos.

O Senhor prometeu que estava indo preparar um lugar especial para os seus servos. Em Jo 14.1-3, Jesus reafirma o seu compromisso de que voltaria para buscá-los e levá-los a um lugar onde eles estariam em comunhão plena com o Pai, um lugar de conforto e paz onde não haveria mais tristeza ou dor.

Segundo o Comentário Bíblico do Novo Testamento (2003, p. 579): 

Os versículos 2 e 3 contêm a palavra “lugar” (topos). O termo topos alude à ideia de “templo”. Note que várias das referências de João a topos trazem este significado (Jo 4.20; 11.48; cf. Mt 24.15; At 6.13,14; 7.7; 21.28). Tudo isto é importante nos temas de João. Através de sua obra salvadora, Jesus mudará o templo e suas festas e os moverá para o reino espiritual. João 2, com o primeiro sinal e a purificação do templo, visava esta realidade. Jesus construirá estas habitações enviando o Espírito para convencer os pecadores dos seus pecados e regenerá-los. Estas pessoas, nascidas de cima, compõem o novo templo, o lugar da habitação de Deus. Este fato explica como a unidade entre o Pai, o Filho e seu povo é alcançada. O versículo 4 conclui esta introdução com a declaração de Jesus: “Mesmo vós sabeis para onde vou e conheceis o caminho”. Implicitamente, Jesus está se referindo si mesmo. 

Em segundo lugar está a afirmativa de que a sua ressurreição é a prova cabal de que Ele é o Salvador do mundo e que veio para nos permitir alcançar a vida eterna. Ao ressurgir no terceiro dia pela manhã o Senhor estava ratificando a sua missão. A prova mais viva de que Jesus, verdadeiramente, ressuscitou é a transformação de vida de milhares de cristãos espalhados pelo mundo inteiro, que até hoje testemunham as verdades do Reino Celestial. 
 
II – O ARREBATAMENTO DA IGREJA
 
A promessa da Vinda do Senhor para buscar a sua igreja é cumprimento da profecia bíblica. Deus já determinou um Dia em que há de julgar a humanidade, trazendo condenação para todos os que rejeitarem a salvação disponível mediante a fé no sacrifício de seu Filho.  Entretanto, para os salvos, a vinda do Senhor será uma ótima notícia, pois é o escape determinado por Deus para a sua igreja a fim de que o seu povo seja livre do sofrimento que há de vir sobre toda a terra.

A compreensão de que Jesus virá buscar a sua igreja e livrá-la do sofrimento que há de vir sobre toda a terra, corresponde a uma das visões escatológicas a respeito dos tempos finais da história da humanidade. Nos Evangelhos, é possível encontrar uma série de discursos de Jesus que apontam os tempos do fim. Textos como Mateus 24.44; 25.13 e Marcos 13.32-37 registram o caráter repentino e imprevisível da Vinda do Senhor Jesus.

Da mesma forma, os textos paulinos também revelam aspectos importantes sobre como ocorrerá o arrebatamento da igreja, o encontro com o Senhor nos ares e o período da tribulação que há de vir sobre toda a terra. Os relatos de Paulo sobre o arrebatamento encontram-se registrados, principalmente, nas cartas de Paulo aos Tessalonicenses (1 Ts 4.13-18; 2 Ts 2.1-12).

Vale ressaltar que estes eventos, embora relatados de forma veemente em o Novo Testamento, já estavam implícitos na mensagem de Deus no Antigo Testamento. Quando Deus anunciou o dilúvio, ao prover o cordeiro no lugar de Isaque, quando livrou o seu povo da escravidão no Egito e o colocou numa “terra que mana leite e mel” e, em outras ocasiões, é possível ver Deus presente, fazendo valer a sua Palavra, pré-anunciando que chegaria um dia em que Ele haveria de reunir o seu povo em um único lugar.
 
Os argumentos presentes nos Evangelhos em favor do arrebatamento
 
A palavra “arrebatamento”, do grego harpagêsometha, diz respeito à retirada brusca, inesperada e sobrenatural da Igreja deste mundo, a fim de que se encontre com o Senhor Jesus nos ares, por ocasião de sua Segunda Vinda. Este acontecimento, ao qual dedica o Novo Testamento dois capítulos (1 Co 15 e 1 Ts 4), constituir-se-á num dos maiores milagres de todos os tempos, por abranger diversos fatos espantosos, inexplicáveis e incompreensíveis à lógica meramente humana (ANDRADE, 1996).

Nos Evangelhos, há registros que comprovam a iminência do arrebatamento da igreja. Jesus anunciou a sua Segunda Vinda por meio de parábolas, mas também foi claro e contundente no sermão profético. Em Mateus 24.44, o Senhor alerta os seus discípulos quanto à vigilância: “estai vós apercebidos também, porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis”. A advertência premente de Cristo no sentido de sempre estarmos espiritualmente prontos para sua vinda repentina, isto é, o arrebatamento, aplica-se a todos os crentes antes da tribulação (cf. Mt 24.15-29). É um motivo de perseverança na fé (STAMPS, 1995).

Em Marcos 13.32-37, Jesus conta a história de um homem que, partindo para fora da terra, deixou seus servos com a incumbência de realizar cada um a sua obra, e ordenou ao porteiro que vigiasse. Ao fim da história, o Mestre alerta: “Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã”. A palavra “estar alerta” exige vigilância. Durante o tempo que aguardamos o grande dia, nós crentes, semelhantes aos servos de uma casa do século I, temos a nossa “tarefa individual atribuída” (13.34). O fato é que nós não sabemos o momento em que o “quando” de Deus será transformado em “agora”. O quando de Deus pode ser hoje, amanhã, a qualquer momento. Mas essas opções não fazem diferença para nós, de modo algum. O importante é que esperemos ansiosamente, que vigiemos, usando cada dom e oportunidade para servir ao Senhor (RICHARDS, 2007).
 
Os pressupostos paulinos em favor do arrebatamento
 
Semelhantemente, encontramos nos textos paulinos, várias passagens que tratam a respeito do arrebatamento da igreja. Paulo aponta com clareza de que maneira ocorrerá o encontro da igreja com o Senhor nos ares e assinala para um período de tribulação que transcorrerá sobre a terra em concomitância com a atuação revelada do anticristo, o homem da iniquidade (1 Ts 4.13-17; 2 Ts 2.3-10).

Na Primeira Carta endereçada aos Tessalonicenses, Paulo anuncia que “o mesmo Senhor descerá do céu” (v. 16). Esta passagem pode ser compreendida como uma palavra de ordem. De acordo com Lawrence O. Richards (2007, p. 460): 

Keleusmati é um termo militar, e enfatiza a natureza da autoridade da palavra pela qual Jesus chamará os crentes mortos de volta à vida. Como João 5.25 diz, “Os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão”. Naquela mesma hora a voz do arcanjo e o toque da trombeta de Deus servirão como um eco para a ordem de Cristo (Mt 24.31; Ap 11.15). E os mortos responderão. Paulo escreve que “os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro”, e, “depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados... a encontrar o Senhor nos ares” (4.16,17) 

Da mesma maneira, Paulo anuncia em sua Segunda Carta que o evento do arrebatamento será sucedido pela manifestação do Anticristo, o homem da iniquidade que há de se levantar contra tudo o que está relacionado a Deus. Entretanto, Paulo ressalta que esta manifestação será marcada por sinais específicos que confirmam que o tempo de todas estas coisas se cumprirem está próximo. Um desses sinais marcantes é a apostasia. Certos expositores afirmam que o termo apostasia (gr. apostasia) se refere principalmente a uma revolta de todos contra Deus e seu domínio no mundo em geral; outros dizem que é a apostasia dentro da igreja (BEACON, 2006).
 
III – VIDA ETERNA COM CRISTO
 
A vida eterna é o ponto mais elevado da vida cristã e o resultado final de uma vida de comunhão contínua com Deus neste mundo. Por seu amor e graça, todos os que creem podem ser salvos e desfrutar da alegria e paz eternas ao lado do Salvador. Ao contrário do que muitos pensam, a eternidade será um convívio eterno de celebração e gratidão a Deus por seu amor e graça, um estado de plenitude, fruto da restauração da comunhão plena que havia sido perdida no Éden.

A salvação é fruto do amor e graça divinos, e nunca foi resultado dos esforços humanos para fazer obras de caridade que justificassem a salvação. O objetivo central do Cristianismo é o desenvolvimento de um relacionamento contínuo e saudável com Jesus e, por consequência, com todos aqueles que reconhecem a soberania divina do Mestre.

A vida na eternidade não será inerte ou enfadonha como alguns podem pensar, muito pelo contrário, será dinâmica, haja vista que a alegria e paz se farão presentes. Serão momentos eternos de gratidão e celebração a Deus por tão maravilhosa salvação. A Escritura revela que viveremos conscientemente nos céus, sabendo quem é Jesus e nos lembraremos do que Ele fez por nós (cf. Mt 25.36-40).

Vale ressaltar que a eternidade é a recompensa final para as decisões que a pessoa fez aqui nesta esfera terrena. Para os que se perdem, a vida eterna é a separação definitiva de Deus, mas para os que estão salvos é o galardão de uma vida de fé e obediência aos preceitos da Santa Palavra. Viver pela fé com os olhos na eternidade é preservar a esperança da restauração completa da comunhão antes perdida no Éden e a expectativa da liberdade completa ao lado de Deus.
 
Salvos pelo amor a Deus e não pelo medo do inferno
 
A salvação é a oferta de Deus à humanidade por intermédio do sacrifício de Jesus Cristo. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (cf. Jo 3.16). A Bíblia é contundente ao afirmar que a salvação é um dom de Deus, não vem das obras para que ninguém se glorie (cf. Ef 2.8,9). Pois fomos criados por Deus para praticar as boas obras que Ele mesmo preparou para que as praticássemos (v. 10).

De acordo com Donald Stamps (1995, p. 1811): 

O que opera a salvação é a graça de Deus mediante a fé (Ef 2.5,8). O dom salvífico de Deus inclui os seguintes passos: a) a chamada ao arrependimento e à fé (At 2.38). Com essa chamada vem a obra do Espírito Santo na pessoa, dando-lhe poder e capacidade de voltar-se para Deus. b) Aqueles que respondem com fé e arrependimento e aceitam a Cristo como Senhor e Salvador, recebem graça adicional para sua regeneração, ou novo nascimento, pelo Espírito e ser cheios do Espírito (At 1.8; 2.38; Ef 5.18). c) Aqueles que se tornam novas criaturas em Cristo, recebem graça contínua para viver a vida cristã, resistir ao pecado e servir a Deus (Rm 8.13,14; 2 Co 9.8). O crente se esforça em viver para Deus, mediante a graça que nele opera (1 Co 15.10). A graça divina opera no crente dedicado, tanto para ele querer, como para cumprir a boa vontade de Deus (Fp 2.12,13). Do começo ao fim, a salvação é pela graça de Deus.  

Outro aspecto importante no tocante à salvação é a motivação que nos leva a desejá-la. Há muitas pessoas que não pensam em ir para o céu porque entenderam o amor de Deus e desejam se arrepender de seus pecados. Antes, a única motivação é porque ouviram dizer que aqueles que não creem em Deus podem ir para o inferno. Quando a Bíblia se refere ao inferno, muitas vezes, diz respeito ao local que abriga as almas dos iníquos até que se instaure o Juízo Final. Pela escatologia bíblica, o inferno (gr. hades) é apenas um lugar intermediário. Dali, os ímpios hão de ressurgir para serem lançados no lago de fogo (Ap 20.14) (ANDRADE, 1996).

A Escritura revela que Deus esquadrinha o coração do homem e prova os pensamentos (cf. Jr 17.10). Não há nada oculto aos olhos do Senhor, Ele sabe quais sãos as intenções do coração de cada ser humano. Portanto, o medo do inferno não é uma boa justificativa para ser salvo: é preciso crer e confessar Jesus Cristo como único e suficiente Salvador (cf. Rm 10.10). O que livra o pecador do inferno não é o medo, e sim a graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo (cf. Ef 2.8).
 
A celebração eterna
 
A vida na eternidade é uma verdadeira celebração a Deus como forma de agradecimento por sua maravilhosa graça que nos trouxe salvação. Será, finalmente, um tempo de paz e alegria que não terá fim. Aos que creem no sacrifício de Jesus, será possível desfrutar da plenitude da vida eterna ao lado do Criador.

Há muitos que pensam que a vida eterna será o lugar onde viveremos num estado de plena inconsciência e inércia ou como se tudo o que somos hoje — memória, sentimentos, identidade — fossem completamente apagados da nossa memória. Muito pelo contrário, a Escritura revela que viveremos conscientemente nos céus, sabendo quem é Jesus e nos lembraremos do que Ele fez por nós.

Em Mateus 25.36-40, está escrito que o Senhor trará  à nossa memória todas as vezes que agimos com benignidade e misericórdia em relação ao próximo, confirmando assim que haverá uma consciência das ações praticadas em vida. Os efeitos do pecado, tais como a tristeza, a dor, a mágoa e a morte (7.16,17; Gn 3; Rm 5.12; Is 35.10; 65.19), já se foram para sempre, porque as coisas más do primeiro céu e da primeira terra foram-se completamente. Os crentes apenas se lembrarão das coisas santas que valem a pena ter na memória; decerto não se lembrarão do que lhes causaria tristeza (Is 65.17) (STAMPS, 1995).

Certamente, não será um lugar de lembranças ruins, e sim de boas recordações para os salvos, por saberem que apesar de tantas lutas e dores enfrentadas neste mundo, tais sofrimentos não foram páreos o suficiente para roubarem deles a esperança da vida eterna.
 
O regresso ao estado de plenitude
 
A eternidade pode ser compreendida também como o momento em que a humanidade há de receber a recompensa final por todas as decisões tomadas nesta esfera terrena. Para os que se perdem é a separação definitiva de Deus, mas para os salvos é apenas o início de uma nova vida ao lado do Criador. 

Viver eternamente com Deus é regressar ao estado de plenitude planejado por Ele para o homem no jardim do Éden. O pecado fez com que a humanidade perdesse a comunhão plena com o seu Criador. A restauração dessa comunhão é possível graças a fé em Jesus Cristo, pelo qual, é possível alcançar a justificação e, por fim, a paz com Deus (cf. Rm 5.1,2).

O plano de reconciliação arquitetado por Deus trouxe para humanidade uma nova oportunidade de terem acesso às bênçãos que o Senhor havia disponibilizado no jardim do Éden. Mas não para por aí, pois Deus não somente concedeu a oportunidade de renovação da comunhão, como também, oportunizou a mais especial de todas as suas criaturas, isto é, o ser humano, a graça de tornar-se herdeiro das riquezas celestiais eternas (cf. Rm 8.17).

Como afirma Stanley Horton (1996, p. 645): 

Nossa salvação traz-nos a um novo relacionamento que é muito melhor do que aquele que Adão e Eva desfrutavam antes da queda. A descrição da nova Jerusalém demonstra que Deus tem para nós um lugar melhor do que o jardim do Éden, com todas as bênçãos do Éden intensificadas. Deus é tão bom! Ele sempre nos restaura a algo melhor do que aquilo que perdemos. Desfrutamos da “comunhão intensificada com o Pai, o Filho e o Espírito Santo e com todos os santos’. A vida na nova Jerusalém será emocionante. Nosso Deus infinito nunca ficará sem novas alegrias e bênçãos para oferecer aos redimidos.

Assim sendo, viver pela fé é alimentar a esperança de que não seremos confundidos quando o Senhor retornar para buscar a sua igreja, e desfrutaremos a liberdade completa ao lado de Deus. Por esse motivo, a igreja precisa guardar os preceitos da Palavra de Deus com temor e tremor, a fim de que aquele dia não seja um dia de surpresa, e sim um momento de alegria esperado pelos santos servos de Deus. Para tanto, a Bíblia orienta aos seus servos que ocupem a mente com as coisas que são de cima, isto é, dos céus, e não com as coisas pertinentes a esta terra (cf. Fp 4.8; Cl 3.1-4).
 
CONCLUSÃO
 
Finalmente, vale dizer que compreender os argumentos da teologia a respeito da Segunda Vinda de Jesus Cristo não é uma tarefa fácil. O estudo sobre os aspectos que envolvem a Segunda Vinda do Senhor — a ressurreição o arrebatamento e a vida eterna — não representa a unanimidade entre os autores que dissertam sobre o assunto. Todavia, serve de base para orientar o ensino doutrinário das igrejas.

O mais importante no contexto do tratado sobre a Segunda Vinda do Senhor é não esquecer que a centralidade da fé cristã encontra-se no ato da ressurreição de Jesus Cristo. Sua ressurreição é o ápice do projeto divino para a humanidade. Sem ela a salvação não seria possível, visto que o processo que se inicia na sua morte não estaria concluído. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 1 Co 15.57). Ele venceu a morte e, por causa disso, pode da mesma maneira nos proporcionar a entrada na vida eterna.

Sendo assim, resta à sua igreja, aguardar esperançosamente o grande Dia da sua Vinda, quando na primeira fase, Ele virá sobre a face da terra com o seu poder e arrebatará os salvos. Este será o grande livramento do Senhor aos seus servos. Com esta palavra a igreja deve estar consolada e confiante (cf. 1 Ts 4.18).

E, por fim, vale destacar que será um momento de muita celebração e alegria. Ali, não haverá mais dor, nem lágrima nem sofrimento algum para sua igreja. Será um lugar de recompensa para o salvo. Que a igreja preserve firme a confiança de que estará para sempre com o Senhor em um lugar muito melhor.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
ANDRADE, Claudionor C. Dicionário Teológico. 13ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
 
ARRINGTON. French L.; STRONSTAD, Roger. (Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 4ª ed. v.1. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
 
Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
 
GREATHOUSE, Wilian M.; METZ, Donald; CARVER, Frank. Comentário Bíblico Beacon. v. 8. 1ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
 
HORTON, Stanley. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
 
SILVA, Esequias S. (Org.) Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro:
CPAD, 2017.
 
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
 
 
 
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BERGANT, Dianne; KARRIS, Robert J. Comentário Bíblico. Vol. 3. 3.ed. Rio de Janeiro: Edições Loyola, 2001.
 
Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
 
CARVALHO, César Moisés. O Sermão do Monte: A Justiça sob a Ótica de Jesus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
 
HOLMES, Arthur F. Ética: As decisões morais à luz da Bíblia. 5. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
 
 
*Adquira o livro do trimestre. Jesus Cristo: Filho do Homem: Filho de Deus. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2020.
 
 
Que Deus o(a) abençoe.
 
 
Telma Bueno
Editora Responsável pela Revista Lições Bíblicas Jovens 

Prezado professor, aqui você pode contar com mais um recurso no preparo de suas Lições Bíblicas de Jovens. Nossos subsídios estarão à disposição toda semana. Porém, é importante ressaltar que os subsídios são mais um recurso para ajudá-lo na sua tarefa de ensinar a Palavra de Deus. Eles não vão esgotar todo o assunto e não é uma nova lição (uma lição extra). Você não pode substituir o seu estudo pessoal e o seu plano de aula, pois o nosso objetivo é fazer um resumo das lições. Sabemos que ensinar não é uma tarefa fácil, pois exige dedicação, estudo, planejamento e reflexão, por isso, estamos preparando esse material com o objetivo de ajudá-lo. 

Videoaula - pastor Thiago Brazil

   

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