Nos Tempos de Jesus

pr. wagner gabyNo Novo Testamento Jesus utilizou as parábolas como recurso na transmissão de sua mensagem com o objetivo de compartilhar uma verdade espiritual de maneira que fosse compreendida de maneira simples, e para isso, usou exemplos do cotidiano de quem o ouvia. O objetivo de Jesus era transmitir uma mensagem que não deixasse dúvida da parte de quem recebia. Em Mateus 13.10, os discípulos fizeram a seguinte pergunta para Jesus: “Por que lhes falas por parábolas?”. Essa pergunta foi respondida nos cinco versículos seguintes (Mt 13.11-17).

Jesus usava esse método em razão da diversidade de caráter, de nível espiritual e de percepção moral de seus ouvintes (Mt 13.13). “Por isso lhes falo por parábolas”. Em Marcos 4.10-12, Jesus ao ser inquirido sobre o uso de parábolas respondeu que as usava nos seus ensinamentos por duas razões distintas: para ilustrar a verdade para aqueles que estavam dispostos a recebê-la e para obscurecer a verdade daqueles que a odiavam. E para nos ajudar a entender porque Jesus falava através de parábolas, a CPAD tomou a iniciativa de abordar o assunto como comentário da Lição Bíblica do quarto trimestre. E convidou comentarista convidado é o pastor Wagner Tadeu Gaby, líder da AD em Curitiba (PB).

Qual o significado de Parábolas e para que serve a sua aplicação?
A parábola é uma narração alegórica que encerra uma doutrina moral e tem como propósitofacilitar a compreensão de uma mensagem através do compartilhamento de uma história, fixando assim conceitos essenciais em nossa mente, e isto é possível, uma vez que a parábola contém sempre uma lição central. As parábolas de Jesus contêm lições profundas e de aplicação prática no campo da ética e da vida espiritual das pessoas.

As parábolas de Jesus eram fruto de experiências pessoais e de pessoas que o Mestre conheceu?
Jesus ministrava suas mensagens com facilidade em todos os níveis sociais. Ele tinha conhecimento das mais diversas áreas da sociedade e sabia quais eram as suas necessidades. Conhecia como funcionava a lógica dos fariseus e os escribas. Jesus não falava de forma genérica acerca da busca de Deus pelo perdido, mas sempre através de histórias de experiências cotidianas, tais como: a história sobre uma mulher que perdera uma de suas dez moedas de prata, e que não descansou até encontrá-la (Lc 15.8-10). Ao confrontar os fariseus, escolheu pensar neles como “sepulcros caiados” (Mt 23.27), referindo-se aos seus ensinamentos como motivações espirituais comparadas aos cemitérios gregos, onde as tumbas de calcário, chamadas de sarcófago, eram belas por fora, mas dentro eram repletas de ossos secos. 

Qual a importância em compreender a Parábola?
Uma das questões mais importantes ao ler uma parábola é procurar entender os elementos culturais operados em cada uma delas, pois são histórias contadas a partir de outra cultura e tempo. Torna-se impossível entender as parábolas sem vinculá-las ao seu contexto social, pois elas se referem a experiências de pessoas que viveram na época de Jesus. Para tanto, torna-se necessário identificar a conexão com as estruturas daquela sociedade. Quase um terço dos ensinamentos de Jesus foram realizados através de parábolas. Ele contou parábolas sobre a natureza: o trigo e o joio (Mt 13.24-30), trabalho e salário: (o senhor e o servo (Lc 17.7-10), eaté sobre casamentos e festas: as dez virgens (Mt 25.1-13). Por meio de suas parábolas Jesus levou aos seus ouvintes a mensagem de salvação, conclamava a se arrependerem e a crerem. Aos crentes, desafiava-os a porem a fé em prática, exortando seus seguidores à vigilância. Quando seus discípulos tinham dificuldade para entender as parábolas, Jesus interpretava.

Jesus utilizou o recurso do ensino por parábolas. Era um recurso comum daqueles dias?
Apesar de Cristo ter se utilizado de parábolas para transmitir sua mensagem de forma simples e clara, fato este marcante inclusive no seu ministério terreno, não foi ele o criador desse recurso. As parábolas são verificadas entre os povos orientais da antiguidade, e, na literatura judaica e eram usadas de maneira abundante na literatura dos rabinos, com o objetivo de explicar verdades e doutrinas. O modo de vida agrário era o ambiente inspirador para o uso da parábola no compartilhamento de uma mensagem. As parábolas estão presentes nos textos doAntigo Testamento devido ao fato de serem os hebreus exímios contadores de histórias, ou seja, a presença das parábolas na cultura e no texto sagrado era natural.Charles Salmond destacou que “a utilização desse tipo de linguagem exercia atração especial sobre os povos orientais, para quem a imaginação era mais rápida e também mais ativa que a faculdade lógica”.

Qual a diferença entre uma parábola, alegoria e fábula?
Sobre a diferença existente entre a parábola e a fábula, Champlin destaca que “a fábula é uma forma de história ilustrativa fictícia e que ensina através da fantasia, mediante a apresentação de animais que falam ou de objetos animados. A parábola nem sempre lança mão de histórias verídicas, mas admite a probabilidade, ensinando mediante ocorrências imaginárias, mas que jamais fogem à realidade das coisas”. A alegoria é uma expressão figurada e não real originada num pensamento ou sentimento, e, caracteriza-se por transmitir um sentido além daquilo que é literal.

Existem parábolas no Antigo Testamento? Quais são e o que se pode aprender com seus conteúdos?
Na busca pela identificação de parábolas no Antigo Testamento é necessário verificar se o conceito de parábola é semelhante ao conceito aplicado no Novo Testamento, com a finalidade de diferenciar a parábola de outras figuras de linguagem que possuam alguma similaridade. O escritor T.W. Manson admite a existência de apenas nove ocorrências de parábolas no Antigo Testamento (2Samuel 12.1-14; 14.1-11; 1Reis 20.35-40; Isaías 5.1-7; Ezequiel 17.3-10; Ezequiel 19.2-9; Ezequiel 19.10-14; Ezequiel 21.1-5; Ezequiel 24.3-5). Este escritor destaca que a parábola é uma criação literária do gênero narrativo designada a retratar um certo tipo de caráter como advertência ou exemplo, ou a ilustrar um princípio da maneira de Deus dirigir o mundo e os homens.

Explique o significado da parábola do Semeador e fale sobre os elementos que a constituem.
A Parábola do Semeador é uma das parábolas de Jesus encontradas nos três evangelhos sinóticos (Mt 13.1-9, Mc 4.3-9 e Lc 8.4-8). Um propósito da parábola do semeador foi prevenir os discípulos com relação ao triste fato de a pregação da Palavra de Deus não produzir colheita de cem por cento em todos os ouvintes. Esta parábola pode ser interpretada como a parábola do coração, pois mostra como é o coração de cada pessoa. A parábola do Semeador relata de que forma o evangelho será recebido no mundo. Nela aprendemos três verdades: (a) A conversão e a frutificação espiritual dependem de como a pessoa se porta diante da Palavra de Deus (Mc 4.14; Jo 15.1-10); (b) Haverá diferentes reações ante o evangelho, da parte do mundo. Uns ouvirão, mas não entenderão (Mc 4.15; Mt 13.19). Uns crerão, mas depois se desviarão (Mc 4.16-19). Uns perseverarão e frutificarão em diferentes proporções (Mc 4.20); (c) Os inimigos da Palavra de Deus são: Satanás, os cuidados deste mundo, as riquezas e os prazeres pecaminosos desta vida (Mc 4.15,19; Lc 8.14).

O que devemos considerar ao interpretar as Parábolas?
Uma das questões mais importantes ao ler uma parábola é procurar entender os elementos culturais operados em cada uma delas, pois são histórias contadas a partir de outra cultura e tempo. Torna-se impossível entender as parábolas sem vinculá-las ao seu contexto social, pois elas se referem a experiências de pessoas que viveram na época de Jesus. Para tanto, torna-se necessário identificar a conexão com as estruturas daquela sociedade. Outro aspecto que deve ser observado é que deve-se fazer uma comparação da narrativa parabólica com o reino de Deus, pois é indispensável que haja uma reflexão sobre o conteúdo do agir de Deus, da vontade de Deus, no passado, no presente e no futuro. Quanto ao presente e ao futuro são entendidos escatologicamente. Portanto, faz sentido desvendar a parábola com as seguintes perguntas, conforme sugere Luise Schottroff: “Onde está o evangelho, a mensagem libertadora? Onde se pode reconhecer o Deus da Torá e a Torá ao lado, por trás ou ainda na própria parábola? O que a parábola diz a respeito da promessa ou promissão de Deus? Essas três perguntas (Evangelho, Torá, Escatologia) são auxílios que se oferecem para a compreensão das aplicações das parábolas”.

Fonte: Ensinador Cristão, Ano 19 - nº 76

Clique aqui e adquira já o Livro de Apoio do 4º Trimestre, As Parábolas de Jesus.” Disponível também nas Lojas CPAD, Loja Virtual www.cpad.com.br e através do telefone gratuito 0800 217373.

Cadastre-se e receba ofertas e novidades por e-mail.