Lição 09 – Uma Igreja que se arrisca.
ESBOÇO DA LIÇÃO
INTRODUÇÃO:
I – ESTÊVÃO E A IGREJA QUE TEM SUA FÉ CONTESTADA
II – ESTÊVÃO E A IGREJA QUE DEFENDE SUA FÉ
III – ESTÊVÃO E O MARTÍRIO DA IGREJA
CONCLUSÃO:
Esta lição tem três objetivos que os professores devem buscar atingi-los:
I) Elencar os desafios enfrentados por Estêvão ao ter sua fé questionada e como isso reflete na experiência da Igreja hoje;
II) Mostrar a defesa da fé feita por Estêvão e sua aplicação para os cristãos na atualidade;
III) Refletir sobre o martírio de Estêvão e a importância da perseverança e fidelidade à missão da Igreja.
A Falsa Narrativa:
Um fato que logo se destaca na narrativa lucana sobre Estêvão é que ele não se limitou a cuidar da parte social da igreja. O seu testemunho também se estendeu para a esfera evangelística, esta com muito mais notoriedade e visibilidade. A Bíblia diz que “Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo” (At 6.8). Foi essa capacidade de demonstrar o evangelho tanto em palavras como em obras, no poder do Espírito Santo, que causou grande impacto na comunidade judaica de Jerusalém. Motivados pela inveja, os adversários de Estêvão passaram a propagar muitas coisas negativas sobre o seu ousado testemunho. Isso, contudo, não o intimidou, pois “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava” (At 6.10). Não podendo calar a Estêvão, procuraram logo uma narrativa falsa para minar o seu testemunho e credibilidade. Assim, acusaram-no de “proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus” (At 6.11).
De forma ardilosa, criaram uma narrativa em que Estêvão era posto como um adversário de Moisés. Justo González observa que essa é a primeira vez que esses líderes hostis à igreja conseguem trazer o povo para o lado dele. Nos levantes anteriores, não eram bem-sucedidos nos seus intentos porque a igreja tinha “a simpatia de todo o povo” (At 2.47, NAA). A falsa narrativa, entretanto, conseguiu influenciar o povo e colocá-lo contra Estêvão. Mesmo o acusando falsamente, o povo tinha de reconhecer que ele era um homem justo, puro e santo: “Olhando para ele, todos os que estavam sentados no Sinédrio viram que o seu rosto parecia o rosto de um anjo” (At 6.15, NVI).
A Igreja vai ter sempre de enfrentar as falsas narrativas que engenhosamente são criadas contra ela. Não há como escapar disso. A Igreja está em oposição ao mundo e ao Diabo. À medida que avança, a Igreja torna-se uma ameaça ao reino do mal. As falsas narrativas são criadas para tentar minar o testemunho da Igreja. Karl Marx (1818–1883), por exemplo, via a religião como uma droga usada para alienar as pessoas da realidade; por outro lado, Friedrich Nietzsche (1844–1900) propagou que Deus estava “morto” não no sentido de que deixara de existir, mas que não fazia mais sentido acreditar nEle. Da mesma forma, Auguste Comte (1798–1857) propagou que as religiões estavam contaminadas de superstições e irracionalidades, sendo, portanto, necessário substituí-las por uma nova forma de crer e pensar — o positivismo lógico. Assim, o positivismo de Comte excluía qualquer manifestação sobrenatural, aceitando apenas o que pudesse ser provado cientificamente mediante dados observáveis. As narrativas criadas por Marx, Nietzsche e Comte7 tiveram enorme influência no mundo ocidental. Na verdade, as narrativas criadas por esses ideólogos moldaram a forma de crer, pensar e agir da cultura moderna e pós-moderna. Qual narrativa está em voga hoje ou está sendo criada para atacar a Igreja?
A Mensagem:
Estêvão é considerado o primeiro apologista da igreja. Quando é chamado pelo Sinédrio para dar explicações das acusações que lhe foram feitas, Estêvão faz uma defesa memorável da fé cristã. É importante observarmos que Estêvão em nenhum momento demonstra estar intimidado pelas falsas acusações. A forma como conduz o seu discurso demonstra que não teme a perseguição e o sofrimento. Sobre isso, Gardner observa que:
A resposta de Estêvão não representava uma tentativa de se livrar da perseguição ou do sofrimento; pelo contrário, foi uma magnífica confissão de sua fé em Cristo contra o pano de fundo do tratamento dispensado por Deus ao povo da Aliança através da história. O sermão realmente nos oferece uma “teologia bíblica” — um exame do Antigo Testamento à luz do advento de Cristo. Mostra um triste quadro de constantes escorregões por parte do povo de Deus e aponta a rejeição deles ao Messias prometido, como o trágico clímax de uma longa história de apostasia e desobediência (7.2-53).[8]
Como já foi observado neste texto, o sermão de Estêvão é um dos mais longos da Bíblia. A sua exposição demonstra que Estêvão possuía um grande conhecimento da história e cultura do seu povo. Ele não apenas possuía um grande conhecimento teológico, como também sabia interpretar esses fatos à luz da profecia bíblica. Dessa forma, é possível observarmos claramente que a pregação de Estêvão pode ser dividida em três partes seguidas de uma conclusão. Na primeira parte, ele faz referência aos patriarcas (At 7.2-16); na segunda, a referência é a Moisés (At 7.17-42); e, na terceira, faz alusão ao Tabernáculo e ao Templo (At 7.44-50); na conclusão, Estêvão mostra Cristo, o Messias, como a convergência e cumprimento de todas as profecias bíblicas (At 7.51-60).
NOTAS
8 GARDNER, Paul. Quem É quem na Bíblia Sagrada: a história de todas as personagens da Bíblia. São Paulo: Editora Vida, 2005.
Texto extraído da obra A Igreja em Jerusalém, editada pela CPAD.