Lição 8 – A Eleição na Salvação
Prezado(a) professor(a), para ajudá-lo(a) na sua reflexão, e na preparação do seu plano de aula, leia o subsídio da semana. O conteúdo é de autoria do pastor Marcelo Oliveira, comentarista do trimestre.
A fim de aprofundar o seu conhecimento a respeito da eleição bíblica fundamentada em jesus, destacamos o texto abaixo:
II – A ELEIÇÃO BÍBLICA FUNDAMENTADA EM JESUS
1. Jesus, o Eleito de Deus: O Cordeiro Escolhido
Toda a doutrina da eleição encontra o seu ponto de partida e linha de chegada na pessoa de Jesus Cristo, conforme já enfatizamos. Ele é o Eleito por excelência, o Cordeiro de Deus escolhido antes da fundação do mundo para realizar a obra redentora em favor da humanidade (1 Pe 1.19,20; Ap 13.8). Essa eleição não se restringe ao título de Salvador, mas abrange o sacrifício perfeito e definitivo que Ele ofereceu em nosso lugar, abrindo o caminho da salvação a todos os que nEle creem. Cristo é, portanto, o primeiro e o verdadeiro eleito, e é somente unidos a Ele que podemos ser chamados de povo escolhido. Por isso, em nossa perspectiva pentecostal, a eleição é profundamente cristocêntrica: tudo gira em torno de Jesus e da sua obra redentora. É em Cristo, e somente nEle, que a eleição torna-se realidade. A cruz, onde o seu sangue foi derramado, não apenas revela o plano eterno de Deus, como também assegura que nossa eleição não é resultado de um decreto abstrato, e sim do amor concreto manifestado no sacrifício do Filho.
2. A Eleição em Cristo: Todos os crentes são eleitos nEle
A eleição e Jesus Cristo estão inseparavelmente ligados, pois é nEle que somos escolhidos para a vida eterna (Ef 1.4,5). Fora de Cristo, bem como a sua obra no Calvário, não há eleição possível, mas somente em união com Ele somos chamados e capacitados a viver com Deus para sempre. Essa eleição está enraizada na sua obra redentora. Ao entregar a sua vida em nosso lugar, Cristo abriu-nos acesso à graça divina e tornou possível a salvação de todo aquele que crê. Essa eleição, entretanto, não se cumpre de modo automático nem indiferente à resposta humana.
O chamado de Cristo ao arrependimento foi uma marca constante do seu ministério terreno: “Porque eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento” (Mt 9.13). A sua mensagem é, ao mesmo tempo, acolhedora e exigente: acolhe o pecador, mas exige dele mudança de vida. Num tempo marcado por discursos superficiais, que apresentam um Cristo que recebe a todos sem requerer nada em troca, é urgente reafirmar que a eleição em Cristo manifesta-se naqueles que respondem ao seu chamado com fé e arrependimento genuíno.
A eleição é, portanto, um ato da graça divina, que foi realizado em Cristo, porém confirmado na resposta de quem ouve a sua voz e rende-se ao seu senhorio. Todos os que compõem a Igreja de Cristo foram eleitos nEle (2 Tm 1.9) não para permanecer na antiga vida, mas para experimentar a transformação que o arrependimento produz e, assim, viver em conformidade com a sua vontade.
3. A Eleição em Cristo: Uma Eleição com propósito
A eleição em Cristo não é arbitrária nem impessoal; ela está sempre voltada para o cumprimento de um propósito divino (Ef 1.11,12). Somos escolhidos para viver em santidade, refletindo no mundo o caráter e o amor de Deus. Essa verdade, porém, não pode ser confundida com a ideia de que, antes mesmo da criação, alguns já teriam sido destinados ao Céu, e outros, ao Inferno — como ensinam os sistemas supralapsarianista1 e infralapsarianista.2 De modo nenhum é assim. Ora, a Escritura revela que Deus é amor e “não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pe 3.9).
O que a Bíblia ensina é que, embora a graça divina seja oferecida a todos, ela pode ser resistida. Os que rejeitam a Cristo fazem-no por escolha própria, tornando-se responsáveis por viver separados de Deus por toda a eternidade. Como afirma Daniel Pecota, se a graça fosse irresistível, os incrédulos pereceriam não por recusarem o convite, mas por não terem sido capacitados a aceitá-lo. Nesse caso, a promessa bíblica — “todo aquele que crê” — seria uma ironia cruel; mas o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo não age assim: quando os braços do Salvador estenderam-se na cruz, Ele abraçou a humanidade inteira, provando inegavelmente que Deus ama o mundo. O amor, por natureza, pode ser acolhido ou rejeitado — e, justamente por isso, é grandioso. O coração de Deus fica triste diante da recusa, mas não força ninguém a vir contra a própria vontade (HORTON, 2014, pp. 366-67).
Esse equilíbrio é fundamental para compreendermos a Eleição. Ela é um ato da graça de Deus, mas que pressupõe a resposta humana. O arrependimento e a fé são a resposta apropriada a tão grande amor. É verdade que não podemos produzir tais atitudes por nossa própria força; contudo, também não acontecem sem nosso consentimento. A salvação é dom divino, mas exige uma entrega intencional. Devemos, por isso, evitar os extremos: nem o monergismo rígido, que elimina a responsabilidade humana, e nem o sinergismo extremado, que nega a incapacidade da humanidade caída. A perspectiva bíblica — ensinada por Armínio e ecoada por Wesley — mantém o equilíbrio: Deus é o autor da salvação, mas as exortações universais ao arrependimento e à fé só fazem sentido porque podemos, de fato, aceitá-las ou rejeitá-las mediante a operação da graça preveniente que pode ou não ser resistida.
Viver sob essa compreensão traz implicações práticas profundas. Se fomos eleitos em Cristo, é para refletir a glória de Deus no mundo, vivendo em santidade e no serviço a Ele (1 Pe 1.2). Essa eleição, longe de tornar-nos passivos, envia-nos ao campo da missão. A Igreja não anuncia um decreto imutável sobre quem já estaria destinado ao Céu ou ao Inferno, mas proclama a Boa Nova de que todos são chamados à salvação em Cristo. A cada pessoa é apresentada a escolha: vida ou morte, luz ou trevas, salvação ou perdição. E, diante da ação do Espírito Santo, que convence do pecado, da justiça e do juízo, cada um é chamado a decidir (Jo 16.8-11). Assim, a eleição em Cristo não nos conduz ao comodismo, mas ao compromisso. Não nos isenta de responsabilidade, mas coloca-nos diante da maior de todas: responder ao chamado de Deus com fé, arrependimento e obediência. É uma eleição com propósito: sermos santos, viver para a glória de Deus e proclamar o Evangelho que transforma vidas.
Que Deus abençoe a sua aula e os seus alunos!
Verônica Araujo
Editora da Revista Lições Bíblicas Jovens
Para conhecer mais a respeito dos temas das lições, adquira o livro do trimestre: OLIVEIRA, Marcelo. Plano Perfeito: A Salvação da Humanidade, a Mensagem Central das Escrituras. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.
