Lição 7 – Uma Prova de Fé: A Entrega de Isaque
A lição desta semana destaca um dos episódios bíblicos mais emblemáticos da Bíblia. Deus ordenou que Seu servo Abraão se deslocasse à terra de Moriá para oferecer ali um holocausto no local escolhido pelo próprio Deus (Gn 22.1,2). Há, porém, um detalhe intrigante neste holocausto: o sacrifício seria o próprio Isaque, o filho da promessa que o patriarca havia esperado tanto tempo para ver nascer. O que Deus havia pedido a Seu servo colocava à prova os anos de fé e relacionamento que Abraão havia construído com Deus. Por qual razão o Criador pediria a entrega em holocausto do filho que havia prometido a Seu servo a tantos anos? A situação por si só já desencadearia uma crise existencial na relação do patriarca com Deus. Imagine Abraão ter esperado tanto tempo para viver uma promessa e justamente agora, que ele está feliz com seu cumprimento, o Autor da promessa lhe pede para dar fim a ela. Nesse caso, a desconfiança de Abraão colocaria em dúvida o caráter do próprio Deus, Sua fidelidade, soberania e justiça. Mas, em vez de reclamar, questionar ou desconfiar, Abraão se levanta cedo com seu filho, arruma o jumentinho e vai para o local instruído por Deus para oferecer o menino em sacrifício. A obediência do patriarca evidencia que ele não perdeu a fé no poder de Deus, nem duvidou do Seu caráter santo.
O Comentário Bíblico Beacon (CPAD) discorre que “a palavra hebraica nissah significa ‘testar’ ou colocar em prova’, e há traduções que preservam este significado (cf. ARA). Neste exemplo, Deus estava testando a suprema lealdade espiritual de Abraão tocando na vida física de Isaque, a quem amas (v. 2). […] O amor de Abraão por Deus foi ameaçado por um amor paternal e profundamente enraizado por Isaque. Este filho era a prova que Deus cumpriu suas promessas e o meio físico pelo qual viria a posteridade. Abraão tinha mesmo de ser testado se amava a Deus acima de tudo em tal situação concreta, para que não houvesse mistura de lealdades. A recompensa por ter passado na prova foi o retorno do filho da beira da sepultura. Nesta experiência, Deus renovou as promessas relativas à multiplicação da semente (v. 17) de Abraão, seu poder sobre os inimigos e seu papel como canal de bênçãos para todas as nações da terra (v. 18)” (pp. 72-73). O exemplo de Abraão traz luz ao modelo de fé e relacionamento para o qual somos chamados a construir na presença de Deus. Na trajetória cristã, também passamos por experiências que colocam nossa fé à prova. Assim como Abraão, não devemos esmorecer, mas perseverar. E o grande ato de fé que Deus espera de nós é que não coloquemos em dúvida Seu caráter santo. Ele é fiel e justo, independentemente do que aconteça (2Tm 2.13)!
