LIÇÃO 1 – O CHAMADO PARA OS GENTIOS
Objetivos da Lição:
I) Apresentar o contexto histórico e espiritual da igreja de Antioquia e sua missão aos gentios;
II) Conduzir o aluno à reflexão sobre a atuação do Espírito Santo na condução da obra missionária e no envio dos obreiros;
III) Aplicar os princípios da igreja de Antioquia à vida da igreja local, assumindo a missão cristã como identidade e compromisso.
ESBOÇO DA LIÇÃO
I – O NASCIMENTO DA MISSÃO GENTÍLICA
II – O ESPÍRITO SANTO E A OBRA MISSIONÁRIA
III – A IGREJA COMO AGÊNCIA MISSIONÁRIA
Após a sua ressurreição e momentos antes da sua ascensão aos céus, Jesus havia anunciado aos seus discípulos que eles receberiam o poder do Espírito Santo e que seriam as suas testemunhas tanto em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra (At 1.8). O alvo estabelecido nesse texto foi cumprido mediante a expansão da igreja desde Jerusalém (At 2–7) até toda a Judeia e Samaria (At 8–12). O capítulo 13 de Atos marca uma grande virada na narrativa do livro. Até aqui, o foco estava principalmente em Jerusalém e na evangelização dos judeus. A partir daqui, a atenção volta-se para a missão entre os gentios, sendo transferida para Antioquia da Síria, onde havia nascido uma igreja marcada por um forte ardor missionário. O restante do livro de Atos, dos capítulos 13 a 28, descreve a propagação do evangelho na extremidade oriental do mundo mediterrâneo e em direção ao ocidente até Roma, a capital do Império Romano. Pedro havia sido a figura principal nos doze primeiros capítulos deste livro, mas Paulo ocupa o lugar central no restante da história, no que Adolph Harnack (1851–1930), teólogo luterano alemão e proeminente historiador do cristianismo, chamou de “missão e expansão do cristianismo”.
Antioquia: um centro escolhido por Deus (v. 1)
Antioquia da Síria estava situada na extremidade norte da Síria, em frente à Ásia Menor e Europa, na margem do rio Oronte, 50 quilômetros distante do mar e a 500 quilômetros de Jerusalém. Fundada por Seleuco I Nicátor (c. 358–281 a.C.), um dos generais de Alexandre em 300 a.C., e cresceu a ponto de contar com numerosa população nos tempos do apóstolo Paulo, incluindo muitos judeus, que obtiveram o direito de cidadania desde tempos remotos. Não se sabe ao certo quão grande era a cidade nos dias de Paulo, mas, com base na informação dada por Crisóstomo, deve ter contado com uma população de cerca de 800 mil habitantes. Flávio Josefo, o historiador judeu do tempo dos apóstolos, diz-nos que era a terceira maior cidade do Império Romano, perdendo em importância numérica apenas para Roma e Alexandria, sendo conhecida como a “Rainha do Oriente”.
Antioquia tornou-se um grande centro da erudição hebraica, bem como cidade onde havia numerosa colônia judaica — embora a grande maioria da população fosse síria. A sua cultura era tipicamente greco-helenista. O seu porto era Selêucia (At 13.4), que era uma reputada cidade comercial e centro marítimo. Os romanos fizeram-na capital da província da Síria.
Antioquia da Síria, local do nascimento da missão gentílica, tornou-se a base principal da evangelização aos gentios, o centro de partida da missão de penetração no mundo (a última parte da comissão de Jesus em At 1.8). Foi nessa cidade que os seguidores de Cristo foram chamados de cristãos pela primeira vez (At 11.26). O termo “cristão” (χριστιανοί), nome dado não pelos judeus, mas pelos gregos, é usado apenas três vezes no Novo Testamento (ver At 11.26; At 26.28;1 Pe 4.16). Paulo saiu de Antioquia para todas as suas três viagens missionárias (At 13.1-3; 15.35,36; 18.22,23). Essa cidade tornou-se como o quartel-general das viagens missionárias de Paulo e Barnabé, servindo como um ponto de partida para a expansão do evangelho.
Antioquia da Síria é muito importante na história inicial da Igreja. Nicolau, um dos primeiros diáconos, era um prosélito de Antioquia (At 6.5). Durante as perseguições que se seguiram após o apedrejamento de Estêvão, muitos cristãos de Jerusalém fugiram para Antioquia, onde pregaram para judeus que falavam grego (helenistas) e para os gregos (helenos).
Barnabé forneceu grandes laços de amizade entre a congregação de Antioquia e a igreja-mãe em Jerusalém (At 11.22-30), assegurou os serviços de Paulo a eles como ensinador (At 11.25,26) e em companhia de Paulo levou o dinheiro da oferta de ajuda para Jerusalém (At 11.27-30). Na igreja antiga, Antioquia era famosa por causa de Inácio, o bispo mártir, aproximadamente 110 d.C., e pela sua escola e grandes ensinadores. A história da igreja em Antioquia, a igreja-mãe entre os gentios, tinha uma distinção de que desfrutava durante muitos anos. Um dos seus bispos mais ilustres foi João Crisóstomo, grande escritor de comentários bíblicos, que exerceu notável influência sobre o desenvolvimento doutrinário da igreja cristã.
Texto extraído da obra “A Igreja dos Gentios”, editada pela CPAD.
