Lição 11 – A queda de Jerusalém
Prezado(a) irmão(ã) professor(a), a paz do Senhor! Chegamos a mais um domingo de estudos da Palavra de Deus a respeito do ministério profético de Jeremias. A lição 11 traz o registro de um período triste da história de Judá que foi a queda de Jerusalém. Durante esta aula, veremos que um dos assuntos importantes no contexto do ministério de Jeremias e dos registros bíblicos a respeito dele é a queda de Jerusalém, mesmo porque, ao longo da sua jornada profética, ele falou sobre a chegada desse dia, mas também advertiu o povo a arrepender-se como meio pelo qual isso poderia vir a ser evitado. A queda de Jerusalém retrata um momento crucial da história, pois os seus reflexos são amplos e profundos em vários aspectos, mui especialmente nos aspectos político e espiritual.
A fim de auxiliá-los na compreensão deste ensinamento, trazemos um trecho extraído do livro do trimestre cujo conteúdo também é de autoria do pastor Elias Torralbo.
“A queda de Jerusalém em 587 a.C. deu-se como resultado da invasão do exército de Nabucodonosor II, tendo sido um evento marcante e que desencadeou em dois acontecimentos significativos: i) o fim do Reino de Judá; ii) o início do cativeiro babilônico para muitos judeus. Esse importante e dramático acontecimento da história pode ser analisado de diversas formas, dentre as quais a política e a espiritual podem ser consideradas as principais e as que serão apresentadas na presente reflexão.
Do ponto de vista político, as tensões nessa área deram-se principalmente pelo crescimento do poder babilônico, o que aumentou ainda mais o ambiente de conflito na região. Nesse contexto, o Reino de Judá, com a intenção de fortalecer a sua independência, buscou alianças que, conforme se nota a partir dos registros bíblicos e dos próprios resultados, desagradaram ao Senhor Deus, trazendo tristes consequências, inclusive a sua destruição e o cativeiro. Destaca-se que Jeremias, ainda que como profeta, desempenhou um papel importante nesse contexto político ao perceber os erros de Judá e o que eles poderiam causar-lhes de mal, advertindo e chamando ao arrependimento — geralmente sem ser ouvido.
A interação e o envolvimento de Jeremias com assuntos políticos devem ser compreendidos à luz do propósito disso, que consistia basicamente na busca de informações e percepções que contribuíssem conjuntamente com o exercício do seu ministério e com a intenção de alertar os seus compatriotas da melhor forma possível sobre os perigos que o cercavam e que, conforme se tem visto, foi informado profeticamente por ele. Sendo assim, a queda de Jerusalém teve conotações políticas de luta pelo poder envolvendo nações, e Judá estava no centro de toda essa disputa, mas também teve implicações religiosas e principalmente espirituais, já que todos esses acontecimentos deram-se por permissão de Deus, que também os usou para disciplinar e corrigir o seu povo.”
I – A QUEDA DE JERUSALÉM
O próprio livro de Jeremias registra a queda de Jerusalém, acontecimento previsto e anunciado amplamente pelo profeta ao longo do seu ministério. Esse registro é feito ofertando informações sobre a forma como Deus cumpriu as previsões do profeta, como se deu o fim de Zedequias, de Jeremias e até mesmo de Ebede-Meleque.
Esse momento trágico da história tem inúmeras lições a serem extraídas, razão principal pela qual este primeiro capítulo é dedicado a refletir sobre isso, mas sob o prisma da Palavra de Deus cumprida na boca de Jeremias e, evidentemente, com informações históricas sobre a invasão e a destruição de Jerusalém, assim como os seus desdobramentos e lições a serem absorvidas.
- A Palavra de Deus se cumpre
Um dos temas centrais da Bíblia é a fidelidade de Deus e o seu compromisso com a sua Palavra; aliás, há inúmeros textos por meio dos quais isso pode ser confirmado. Dentre esses textos sagrados, está o que o Senhor falou ao próprio Jeremias: de que Ele atua no sentido de cumprir a sua palavra (1.12). Essa máxima permeou a vida e o ministério do profeta.
No contexto do ministério de Jeremias, que basicamente consistiu em alertar o povo sobre os riscos iminentes como fruto da sua desobediência e pecado, bem como de um chamado ao arrependimento como providência divina para livrá-los desses riscos, é possível notar o compromisso de Deus com a sua palavra e como isso serviria de conforto ao povo (ver Jr 29.10).
Observe que, em um momento de desespero, Judá recebeu essa mensagem, que certamente lhe serviu de conforto e renovação da esperança em Deus, que realça o controle que tem sobre os acontecimentos e a sua capacidade de mudar o referido quadro conforme a sua boa vontade. Judá poderia estar certo de que, apesar de terem sido levados para o cativeiro na Babilônia, este seria passageiro e, por pior que fosse, não pegou nem o Senhor de surpresa e nem o seu povo, uma vez que Jeremias já os tinha avisado durante muitos anos. Isso sublinha o controle de Deus sobre os acontecimentos e o seu eterno e infalível compromisso com a sua palavra.
Está claro que Deus tem compromisso com a sua Palavra, mas o texto de 2 Crônicas 36.21 mostra que esse compromisso também diz respeito com os que lhe servem com fidelidade e desprendimento. O texto faz referência da fidelidade de Deus, do seu cuidado com a terra, mas também não deixa de registrar o nome e o papel de Jeremias nesse processo; antes, enfatiza que a palavra do Senhor proferida por esse profeta foi cumprida numa clara demonstração do compromisso divino com os que são chamados por Ele.
Em confirmação da firmeza de Deus no cumprimento da sua palavra, o que foi previsto pelo profeta Jeremias aconteceu, e Jerusalém foi invadida e destruída pelo exército babilônico.
- Jerusalém é invadida
A invasão de Jerusalém não foi um evento único; pelo contrário, ela ocorreu em fases, culminando com a destruição da cidade e do primeiro Templo, dando início ao cativeiro babilônico. As causas desse acontecimento central à história judaica podem ser sintetizadas em questões políticas, religiosas e espirituais, tendo como protagonistas o Reino de Judá e o da Babilônia, somadas as nações do Egito e da Assíria, justificando, assim, o aspecto geopolítico do ocorrido.
Embora o ponto central de todo esse episódio histórico tenha sido Judá, que estava sob a correção divina, uma vez que isso ocorre dentro do tempo e do espaço, as nações envolvidas devem ser consideradas, levando-se em conta uma boa e ampla compreensão. Sob o governo de Nabucodonosor II, a Babilônia era uma potência emergente que havia destruído o Império Assírio e estava avançando no seu projeto de ampliação de poder. Enquanto isso, Judá representava a nação remanescente dos reinos dos israelitas, já que o Reino de Israel havia caído sob o domínio dos assírios. Além disso, o Egito tinha intenções de estabelecer-se na região; por isso, incentivava revoltas de Judá contra a Babilônia, com a finalidade de fortalecer-se na região, à medida que a Assíria ainda tinha certa influência, já que havia dominado por muito tempo.
A eficácia do exército babilônico no cerco a Jerusalém não foi acidental, mas, sim, fruto da alta capacidade desse império, conforme descobertas arqueológicas das mais variadas e até mesmo informações bíblicas de como ficou Jerusalém após a investida de Nabucodonosor contra o Reino de Judá. A capacidade estratégica e a força militar desse exército confirmam-se pelas ações impostas de forma lenta e processual dos cercos a Jerusalém, até que culminasse no estágio final de cerco, destruição e deportação.
O cativeiro como uma espécie de abandono de Deus em relação ao seu povo, o que implica na necessidade de uma explicação. Em certo sentido, deve-se reconhecer que o povo de Judá teve de amargar o fato de que Deus simplesmente os entregou aos seus inimigos e que, de forma direta, não os visitou, nem mesmo os livrou, até que se cumprisse o tempo por Ele mesmo estabelecido; entretanto, por outro lado, uma vez que o cativeiro foi previsto e, em certa medida, permitido pelo Senhor, é possível reconhecer a sua presença na condução da história do seu povo.
A invasão de Jerusalém esteve intimamente ligada ao ministério de Jeremias (38.28; 39.14; 40.1-6). Sendo assim, considerando que esse profeta foi levantado, enviado e sustentado pelo Senhor, o cativeiro dos judeus na Babilônia faz parte do seu plano perfeito em favor da humanidade, que, nesse caso, se deu no sentido de corrigir e disciplinar o seu povo como clara demonstração de amor e misericórdia, mas também de juízo, haja vista que nem a cidade e nem o Templo foram poupados, mas foram destruídos pelo exército babilônico.
- Jerusalém é destruída
O cerco e a destruição de Jerusalém são partes de um mesmo acontecimento, mas precisam ser analisados separadamente, visando uma compreensão mais detalhada e aprofundada dos acontecimentos e dos seus desdobramentos. O famoso historiador Flávio Josefo informa como se deu a tomada da cidade de Jerusalém, conforme resumidamente exposto a seguir:
Nabucodonosor apertava cada vez mais o cerco. Mandou construir altas torres, com as quais sobrepassava as muralhas da cidade, e também grande quantidade de plataformas tão altas quanto os muros […]. Assim, não era somente à força aberta, mas também com muita arte que a guerra transcorria entre essas duas valentes nações […] (JOSEFO, 2004, p. 462,463).
Além de mostrar que a palavra de Deus cumpriu-se cabalmente no que se refere à invasão de Jerusalém com os seus detalhes, as informações que Josefo apresenta confirmam o quão forte e estratégico era o exército de Nabucodonosor; logo, as suas ações têm de ser consideradas atentamente nos seus mais variados detalhes, como na ação descrita nas Escrituras de que eles queimaram “a casa do rei e as casas do povo e derribaram os muros de Jerusalém” (39.8). Flávio Josefo também menciona a estratégia dos caldeus de esperarem o enfraquecimento dos judeus por causa da fome para que, então, estes avançassem ainda mais, e isso é confirmado biblicamente em Jeremias 52.6.
O motivo de aproveitarem-se da fome do povo para avançar ainda mais nos seus ataques é óbvio, pois essa condição certamente enfraqueceu ainda mais os judeus. Já a destruição das casas requer uma explicação mais detalhada, pois, além de ser um fator importante nesse acontecimento, traz consigo lições importantes. A figura de uma “casa” pode assumir vários sentidos como um lugar de abrigo, de descanso e de referência familiar, o que implica na afirmativa de que, ao destruir a “casa do rei e casas do povo”, havia um objetivo para além de destruição estrutural, pois ele estava desconstruindo bases familiares e a referência da liderança de Judá, bem como removendo quaisquer possibilidades de um retorno rápido do povo, na retirada da sua segurança e no enfraquecimento da sua identidade familiar e da sua história.
Os “muros de Jerusalém” junto das suas portas eram mais do que partes da estrutura física da cidade; tratava-se, na verdade, de meio de defesa aos que habitavam nela. Além disso, essa condição refletia a derrota de um povo, que agora está subjugado e indefeso, principalmente no contexto de uma cidade considerada como “santa” e do “Grande Rei”, pelos judeus.
A sensação era a de que havia um reino, uma organização e o mínimo de segurança possível com a existência de muros, portas e um rei no trono; no entanto, a queda dos muros, a queima das portas e a prisão do rei certamente pôs fim a quaisquer níveis de segurança ao povo de Judá. Há ainda o aspecto comunitário. A Bíblia, aliás, informa que uma das consequências desse triste quadro foi que os anciãos já não se assentavam mais às portas (Lm 5.14), deixando de existir a figura dos mais velhos como referências aos mais jovens. Olhar para os muros e para as portas da cidade de Jerusalém e vê-las totalmente destruídas causava extrema tristeza a um judeu, como se vê na reação de Neemias, quando lhe deram essa informação (Ne 1.1-4), pois era o reflexo de uma condição permanente de luto e desespero, como fruto do juízo de Deus avisado antecipadamente por Jeremias e que se consolidou principalmente porque o povo de Judá não entrou pelo caminho do arrependimento.
Além das casas do rei e do povo, também foi incendiada a “Casa do Senhor” (2 Rs 25.9). Trata-se, de fato, de um cenário de total e lamentável destruição. Todas as casas foram indistintamente destruídas, inclusive a do Senhor, cenário este que assume um patamar elevadíssimo de tragédia, pois, decerto, esse seria o último limite para os judeus, por tratar-se do ponto de contato com a religião e a espiritualidade, meios pelos quais ainda poderiam ter uma forma de livrar-se de tal situação, caso Deus assim o quisesse.
O profeta Isaías profetizou que o Senhor restauraria a glória de Jerusalém. Junto dessa promessa está o propósito de existência de Israel (Is 60.1-3). A razão da existência de Israel era a de refletir a glória de Deus entre os povos, e o Templo e os seus utensílios cumpriam um papel importante nesse processo — daí porque, ao destruí-los, os babilônios estavam tocando diretamente na estrutura de fé, de culto e religião de Judá, enfraquecendo significativamente aquela nação, religiosa, espiritual e essencialmente (Jr 52.17-23). Por fim, levaram a Nabucodonosor algumas pessoas importantes de Judá, que foram mortas por ele (Jr 52.25-27), como parte do juízo de Deus sobre o seu povo.
Que Deus abençoe a sua aula e os seus alunos!
Para conhecer mais a respeito dos temas das lições, adquira o livro do trimestre: TORRALBO, Elias. Exortação, arrependimento e esperança: o ministério profético de Jeremias. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.
