Lição 11 – O espírito humano e as disciplinas cristãs
ESBOÇO DA LIÇÃO:
INTRODUÇÃO:
I – A PIEDADE E AS DISCIPLINAS CRISTÃS
II – O DESAFIO DAS DISCIPLINAS ESPIRITUAIS
III – AS DISCIPLINAS E A LUTA ESPIRITUAL
CONCLUSÃO:
Esta lição tem três objetivos que os professores devem buscar atingi-los:
I) Explicar o conceito bíblico de piedade, distinguindo entre sua dimensão interna e externa;
II) Despertar nos alunos à consciência da necessidade de uma prática regular e perseverante das disciplinas espirituais;
III) Conscientizar os alunos que as disciplinas espirituais são ferramentas essenciais na batalha contra as forças do mal.
Evitando as distrações:
A Revolução Industrial, iniciada no século 18, e os séculos posteriores prometeram ao ser humano uma vida econômica estável, facilidade na realização das tarefas cotidianas e tempo de sobra para o lazer, mas isso não foi alcançado. As sociedades atuais são mais agitadas e cansadas do que as do período em que a vida era praticamente toda artesanal ou voltada para a manufatura. Como bem assinala Nienkirchen, o que se tem na vida moderna são pessoas cujas vidas são estressantes e aflitivas (ibid., p. 271). Constatar isso não significa negar a importância das grandes invenções, dos eletrodomésticos e dos muitos equipamentos tecnológicos que facilitam a vida moderna. A questão está voltada para a gestão humana do tempo, e não para a demonização dos dispositivos e ferramentas que nos oferece a tecnologia. Nesse sentido, o conselho paulino continua aplicável ao cristão de qualquer época, lugar ou cultura: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus” (Ef 5.15,16).
Quanta profundidade espiritual em tão poucas palavras! Paulo refere-se à necessidade de um viver prudente, que deve ser sábio, pautado por decisões sensatas. Por outro lado, adverte-nos do perigo da necedade e da estupidez em relação a nosso estilo de vida. E aponta para uma questão fundamental, que é a administração do tempo (5.16). Como observa Willard H. Taylor (2020, p. 178), a ideia aí não é pagar um preço determinado pelo tempo, mas aproveitá-lo ao máximo. Pode ser que Paulo tivesse em mente a prática do serviço cristão, mas é mais provável que a sua referência tenha a ver com a vida cristã na sua totalidade — principalmente pelo contexto, que fala, inclusive, de práticas litúrgicas sob o enchimento do Espírito (5.18,19). Assim, é bastante evidente que disso faça parte a prática da piedade, tanto na vida privada quanto na congregacional.
Por fim, Paulo aponta para a realidade da piora do sistema de vida humano, valendo-se da expressão “dias maus”, conhecida tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (Sl 49.5; Ec 7.14; Mt 6.34). Talvez nunca tenha sido tão necessário agir com sabedoria e prudência na administração do tempo, diante da degeneração moral impregnada em todas as áreas do sistema de vida humano, que conspira contra tudo o que diz respeito à vontade de Deus (1 Jo 5.19). Parece-nos muito claro que o conselho joanino de que não amemos o mundo e o que nele há seja de grande abrangência, incluindo os engenhos humanos (inclusive tecnológicos), que lutam para roubar nosso tempo de exercício das disciplinas espirituais. Usá-los, sim, mas sermos manipulados por eles, não.
O que fazer, então? Vivemos dias difíceis. O que era para melhorar a vida humana tem sido apontado como motivo de profundos problemas, para pessoas de todas as idades. Como já observamos nesta obra, é notícia corrente o quanto o uso excessivo das redes sociais tem causado muitos prejuízos à saúde humana, principalmente mental. E isso também tem afetado os cristãos e a sua vida espiritual, tornando-se uma compulsão acessar as redes sociais: ver mensagens no WhatsApp, abrir o Instagram ou o Facebook ou assistir a um vídeo no Youtube — às vezes, até mesmo nos templos em pleno culto! É a chamada dependência digital, que cresce a cada dia. Quando menos se percebe, o celular está à mão, mesmo sem qualquer propósito útil ou necessário. Que o Senhor nos guarde de todo vício!
Texto extraído da obra Corpo, Alma e Espírito, editada pela CPAD.
