Lição 2 – Recapitulando a jornada no deserto
Objetivos da Lição:
I) Enfatizar o valor da liderança compartilhada na obra de Deus;
II) Elencar os perigos espirituais da incredulidade;
III) Refletir sobre as consequências da desobediência a Deus.
ESBOÇO DA LIÇÃO
I – O VALOR DA LIDERANÇA COMPARTILHADA
II – A RECUSA DE ENTRAR NA TERRA PROMETIDA
III – A SENTENÇA DIVINA PELA DESOBEDIÊNCIA
A NECESSIDADE DE LIDERANÇA
Moisés já estava consciente de que o momento da sua morte aproximava-se, o que fez com que se preocupasse em ratificar a autoridade daquele que daria prosseguimento à condução do povo de Deus. Então, o que vem logo como questão primordial era a sua sucessão. Josué ocupara o posto, conforme Deuteronômio 1.38; 3.1,28.
Pela leitura do versículo 9, vemos que Moisés é ciente da sua fragilidade humana; ele sabe que é pó e que ao pó voltará (Gn 3.19). Por outro lado, ao contemplar o crescimento do povo, ele admite que não o poderia conduzir sozinho (Dt 1.9). Moisés sentiu o peso do ministério, que envolve tanto o lado emocional quanto o administrativo. Num primeiro momento, o seu sogro, Jetro, deixou bem claro que o desgaste de fazê-lo só será tremendo (Êx 18.17-18; ver Ec 4.9).
O pastor à frente da obra jamais deve trabalhar sozinho. A sua missão primaz é treinar e dar oportunidade a outros para que se tenha pessoas capazes para levar avante o projeto divino (2 Tm 2.2). É claro que, por vezes, alguns temem pelo fato de já haver dado oportunidade a alguém e vir a sofrer traição ou ingratidão; todavia, a obra é de Deus e os que procedem assim não prosperarão em nada, pois o destino do traidor, quando não há arrependimento, é triste (Sl 41.9; Pv 17.13).
Moisés lembra à nova geração que a liderança também foi partilhada com oficiais judiciários, que possuíam autoridade para o desempenho das suas funções (Êx 18.13). O grande legislador mostra que, por causa da promessa e da fidelidade do Senhor manifesta para com os patriarcas, o povo de Deus cresceu (Gn 12.2; 15.5), e será devido a esse crescimento da população, tal como as estrelas, que haverá a necessidade de a liderança ser compartilhada. No Novo Testamento, quando houve crescimento na Igreja Primitiva, para não haver detrimento da fé e a obra não ser apenas uma agência humana — sem Palavra e oração, que era e é o essencial —, os apóstolos sentiram a necessidade de compartilhar a liderança — e assim o fizeram (At 6.1-5), e Paulo ordenou o mesmo a Tito (Tt 1.5).
É importante ressaltar que Moisés não vê o crescimento como problema, mas como bênção do Senhor, mas era preciso administrar toda aquela situação. Jesus estava sempre cercado de uma grande multidão e, em momento algum, procurou desfazer-se dela, pois a via sem rumo, sem direção, precisando de um pastor, sendo essa a razão por que Ele manifestava compaixão para com ela (Mt 14.14). Todo líder cheio de Deus quer sempre ver a Igreja do Senhor crescendo como rebanho, família, corpo, lavoura, e jamais se contenta com a casa vazia. Aliás, o desejo de nosso Senhor Jesus é que a sua casa esteja sempre cheia, como sinal de pessoas alcançadas pelo evangelho.
Os versículos 9-12 destacam pontos valiosíssimos para a liderança atual: o primeiro é que fica claro que ninguém sozinho poderá fazer um trabalho bem-feito; logo, é preciso compartilhar a sua execução.
O segundo é quanto à limitação humana, ou seja, todos devemos reconhecer nosso limite para não tentarmos fazer as coisas além de nossas forças e sofrermos consequências (Ec 9.10). E a terceira é que trabalhar para Jesus é bênção, muito embora também apresente certo peso.
No versículo 12, Moisés faz uso de três palavras que sempre estarão presentes na vida do pastor: peso, carga e contenda. Elas expressam que o líder sempre se deparará com as demandas físicas, emocionais e judiciais. Todo líder escolhido por Deus deve ser consciente de que o seu ministério é um dom, mas também um fardo; por isso, deve-se sempre contar com outros para o cumprimento dessa missão, e, para obter sucesso, a sua grande tarefa é treinar obreiros para o ministério (Ef 4.11.12).
Texto extraído da obra “O DEUS DA ALIANÇA”, editada pela CPAD.
