Lição 12 – A Falácia do Triunfalismo
Prezado(a) professor(a),
A paz do Senhor!
Nesta lição 12 trataremos a respeito do Triunfalismo e seus males. Para ajudá-lo(a) a cativar a atenção de sua classe para o tema desta aula e introduzir o estudo a respeito deste valioso ensino tão atual, destacamos o texto abaixo que é de autoria do pastor Eduardo Leandro, comentarista do trimestre. Nele trazemos uma breve explicação sobre os artifícios dos triunfalistas:
II – OS ARTIFÍCIOS DOS TRIUNFALISTAS: SINAIS E SINTOMAS
A prosperidade material, embora não seja algo errado em si, torna-se uma armadilha quando colocada como evidência principal da bênção de Deus. O triunfalismo comete o erro de apresentar o sucesso financeiro como sinal inequívoco da aprovação divina. Essa doutrina ignora a vasta galeria bíblica de homens e mulheres fiéis que, embora pobres, eram riquíssimos diante de Deus. Jesus, nosso maior exemplo, nasceu numa manjedoura, viveu sem lugar fixo para dormir e morreu entre ladrões. Os apóstolos enfrentaram fome, perseguição e escassez.
Ao ensinar que a riqueza é o padrão para medir a fé, o triunfalismo gera culpa e frustração nos corações sinceros que enfrentam dificuldades. Em vez de consolo e direção, recebem acusações de falta de fé ou pecado oculto. Isso distorce o caráter amoroso e paciente de Deus.
A verdadeira bênção é ser salvo, andar com Deus, desfrutar da paz interior, viver em santidade e ter esperança eterna. A riqueza pode vir ou não, mas nunca deve ser o centro de nossa fé ou o critério da espiritualidade.
A confissão positiva, na sua essência, é o ensino de que aquilo que declaramos com a boca torna-se realidade. Quando usada com equilíbrio e fundamentação bíblica, essa prática pode ser uma expressão de fé. No triunfalismo, ela é transformada numa espécie de decreto humano que tenta obrigar Deus a agir.
A confissão é, então, reduzida a uma fórmula mágica: “declare e acontecerá”, ignorando-se a soberania de Deus, o tempo divino e os processos da vida cristã. Essa abordagem transforma a oração em encantamento e afasta os crentes da submissão ao Senhor.
De forma objetiva, a teologia promovida por Kenneth Hagin passou a ensinar que viver na pobreza ou na doença era, em si, uma forma de pecado. Segundo ele, Jesus Cristo não apenas morreu para perdoar os pecados espirituais da humanidade, mas também para redimir os crentes de toda forma de sofrimento, inclusive financeiro e físico. Assim, Hagin sustentava que, se Cristo levou sobre si nossas dores e enfermidades e tornou-se pobre para que fôssemos enriquecidos, então nenhum cristão deveria aceitar a escassez ou a enfermidade como parte da sua vida.
Nesse contexto, o pastor propôs um caminho específico para acessar tais bênçãos: a chamada “confissão positiva”. Para ele, não bastava ao crente orar, jejuar, ler as Escrituras ou ser fiel nos dízimos e ofertas. Era necessário, acima de tudo, declarar com a boca aquilo que se desejava experimentar na vida. A ideia central era que as palavras têm poder criativo e que, ao confessar com fé determinada bênção (saúde, prosperidade, vitória), o crente traria à existência aquilo que proclamava.
Daí o nome “confissão positiva”: um tipo de declaração de fé que, segundo Hagin, movia o mundo espiritual em direção às promessas. Tal ênfase, no entanto, gradualmente deslocou o foco da fé cristã da soberania de Deus para o desejo humano, fazendo da “palavra falada” uma chave para manipular os resultados da vida. Essa abordagem foi uma das bases para o desenvolvimento posterior da chamada Teologia da Prosperidade.
Se a nossa maneira de pensar não estiver certa, de acordo com essas diretrizes, a nossa crença estará errada. Então, a nossa conversa será errada, e seremos confundidos e derrotados. Precisamos compreender o que a Palavra de Deus pode fazer por intermédio dos nossos lábios, porque, como temos visto, o Espírito Santo foi enviado para nos ajudar. […] Uma promessa da Palavra de Deus deve ser confessada antes mesmo que se torne uma realidade. De acordo com a Palavra, já é real. Mas, para que ela torne realidade em sua vida, você deve confessá-la como tal.1
Outra ideia amplamente difundida por Kenneth Hagin e analisada criticamente por Paulo Romeiro2 foi a controversa distinção entre os termos gregos logos e rhema, ambos presentes no texto original do Novo Testamento. Segundo Hagin, haveria uma diferença fundamental entre esses dois vocábulos: logos representaria, segundo ele, a Palavra eterna de Deus (revelada nas Escrituras Sagradas, contendo os registros históricos, doutrinas e ensinamentos objetivos). Já rhema seria entendido como a “palavra falada” ou confissão específica, proferida por um cristão inspirado por Deus, por meio da qual se declararia cura, prosperidade ou outra bênção pessoal desejada.
Hagin defendia que o rhema teria um poder performativo distinto e que, quando pronunciado com fé, movia o mundo espiritual em favor do crente. Assim, a confissão tornava-se não apenas uma expressão da fé, como também um instrumento pelo qual se ativariam as promessas divinas na experiência individual. Essa distinção entre logos e rhema, contudo, é amplamente rejeitada por estudiosos sérios das línguas bíblicas. Como afirma Paulo Romeiro, nenhum especialista respeitado em exegese grega endossa essa diferenciação da maneira como foi proposta por Hagin.
A proposta, portanto, não encontra respaldo acadêmico nem respaldo bíblico sólido, mas passou a ser adotada em muitas pregações vinculadas à Teologia da Confissão Positiva e à Teologia da Prosperidade. Trata-se de mais uma tentativa de fundamentar doutrinariamente práticas que, na realidade, estão mais alinhadas a um pensamento mágico do que à fé bíblica. O risco, nesse caso, é transformar a Palavra de Deus (revelada de forma plena nas Escrituras) numa ferramenta manipulável conforme os desejos humanos, distanciando-se da centralidade da cruz, da soberania divina e da verdadeira espiritualidade cristã.
Um exemplo dessa forma de manipular o texto segue na seguinte citação:
Que belo dia foi aquele em que caiu em minhas mãos o livro O Nome de Jesus, de Kenneth E. Hagin — recomendo a leitura deste livro a todos os irmãos. Era tudo o que eu precisava ler. Cada página, cada parágrafo, era lido com uma sede tremenda. Eu queria saber o que o irmão Hagin iria falar a seguir. Tudo aquilo que ele relatava era novo para mim, mas era como se eu já conhecesse há muito tempo e tivesse esquecido. Aquela mensagem foi um divisor de águas em minha vida. Que o Senhor recompense muito o irmão Hagin por esse belo trabalho. Em João 14.13 está a revelação que revolucionou minha vida. Jamais esquecerei da manhã do dia 2 de dezembro de 1984, em Nova York, Estados Unidos. Naqueles dias, estava evangelizando os imigrantes brasileiros e portugueses que vivem naquela cidade. Era um dia frio. Estava hospedado na casa de uma maravilhosa família. Eles haviam saído para trabalhar e eu, sozinho em casa, estava lendo o livro O Nome de Jesus, de Kenneth E. Hagin, quando, de repente, meus olhos foram abertos. Hagin declara que a palavra pedirdes em João 14.13, pode também ser traduzida por exigirdes. Eu nunca havia ouvido alguém falar algo assim. Seria possível? Fiquei a meditar.3
Além disso, essa doutrina ensina que qualquer expressão de fraqueza, dor ou luta é um “mau testemunho” ou uma declaração de derrota. Isso leva muitos cristãos a esconderem as suas angústias e a viverem uma fé superficial, onde não há espaço para o lamento, o choro ou o pedido sincero de socorro.
O apóstolo Paulo declarou que, mesmo em fraqueza, a graça de Deus sustentava-o (2 Co 12.9,10). A verdadeira fé confessa a Palavra, sim, mas também se submete à vontade de Deus e reconhece que Ele é Senhor mesmo quando o resultado não é o esperado.
O triunfalismo prega um evangelho sem cruz, sem espinhos, sem lágrimas. Ele promete uma vida de vitórias constantes, ignorando que o próprio Cristo advertiu: “No mundo tereis aflições” (Jo 16.33). A perseguição, o sofrimento e a dor fazem parte da caminhada cristã. Ao negar essa realidade, o triunfalismo gera crentes despreparados para as crises. Quando a doença chega, quando a porta não se abre, quando a resposta demora, muitos ficam frustrados, duvidam da fé e até abandonam a comunhão, pois foram ensinados a esperar apenas conquistas e triunfos.
Essa doutrina também esvazia o valor redentor do sofrimento. Não que o sofrimento em si seja bom, mas a Bíblia ensina que Deus usa o sofrimento para forjar nosso caráter, desenvolver a paciência e conformar-nos à imagem de Cristo. A cruz não é um acidente no caminho; é parte dele.
Negar a cruz é negar o evangelho. Jesus claramente nos chama a tomarmos nossa cruz diariamente e segui-lo (Lc 9.23). Uma teologia que ignora o sofrimento é uma teologia incompleta e antibíblica.
ALVES, Eduardo Leandro. Entre a Verdade e o Engano: Combatendo Ideologias e Ensinos que se Opõem à Palavra de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2026, pp. 140-144.
Que Deus abençoe a sua aula e os seus alunos!
