Lição 9 – Coragem para testemunhar: Paulo diante da multidão
Objetivos da Lição:
I) Analisar a prisão de Paulo e compreender a fidelidade em meio à oposição;
II) Interpretar a defesa do apóstolo e reconhecer a sabedoria no testemunho público;
III) Aplicar o poder do testemunho pessoal à vivência cristã cotidiana.
ESBOÇO DA LIÇÃO
I – A PRISÃO DE PAULO EM JERUSALÉM
II – A OPORTUNIDADE PARA TESTEMUNHAR
III – O PODER DO TESTEMUNHO PESSOAL
Ao retornar a Jerusalém após a sua terceira viagem missionária, Paulo e os seus amigos foram recebidos de muita boa vontade, um testemunho da crescente reputação do apóstolo e da gratidão que sentiam pela generosa oferta que eles estavam trazendo das igrejas (At 24.17; Rm 15.25-27; 1 Co 16.1-4; 2 Co 8.13,14; 9.12,13). Paulo não tinha esquecido a recomendação da igreja de Jerusalém, expressa alguns anos antes, para que se lembrassem dos pobres (Gl 2.10). Os anciãos de Jerusalém nunca teriam imaginado que eles seriam beneficiários da obediência de Paulo à sua recomendação, muito menos que o sustento viria de igrejas predominantemente gentílicas. Como isso deve ter unido os segmentos judeu e gentio da Igreja!
Obviamente, essa era uma reunião importante, uma vez que todos os anciãos estiveram presentes. Eles ouviram o relatório minucioso de Paulo sobre o que, pelo seu ministério, Deus fizera entre os gentios (At 21.20). Muitos judeus, entretanto, estavam preocupados com rumores de que ele ensinava os judeus a abandonarem a Lei de Moisés e as tradições (At 21.20,21). Para demonstrar que ele não era contra a Lei e evitar escândalo, os líderes da igreja Tiago e os anciãos aconselham o apóstolo a participar de uma cerimônia pública de purificação no Templo, baseado no voto de nazireado. Eles pensavam que esse ato iria sufocar os falsos rumores que circulavam a respeito de Paulo de que ele estava gradativamente minando a Lei Mosaica.
Por deferência aos líderes da igreja, Paulo concordou com a proposta deles para demonstrar respeito pelas tradições judaicas (Rm 9.1-5), para evitar escândalo entre os judeus cristãos (Rm 14.19) e para testemunhar Cristo com sabedoria (1 Co 9.20; Gl 2.5).
Paulo foi agredido em Jerusalém e preso pelos judeus que o acusaram falsamente de ter profanado o Templo, introduzindo gregos e ensinando a abandonar a Lei de Moisés (At 21.27–22.29).
Durante o aprisionamento, Paulo fez um discurso de defesa aos judeus, relatando a sua conversão no caminho para Damasco e a sua experiência no Templo. A multidão impediu-o de falar, forçando o comandante romano a levá-lo para a fortaleza, onde o apóstolo deu o seu testemunho para o povo.
A conspiração dos judeus e a falsa acusação de profa nação do templo (21.27-30)
Movidos por ciúmes e ódio, a multidão inflamada pelos “[…] judeus da Ásia, vendo-o no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele” (v. 27). Paulo foi agredido por judeus da Ásia, isto é, de Éfeso (At 10.1,10) que provavelmente vieram a Jerusalém como peregrinos no Pentecostes. Esses judeus falsamente fizeram as seguintes acusações contra Paulo: (1) conduta antipatriótica; (2) blasfêmia e (3) sacrilégio (v. 28).
Quanto a terceira acusação, eles equivocadamente acusaram Paulo de ter levado Trófimo, o efésio, ao lugar do Templo cujo acesso era negado aos gentios (v. 29). Não havia feito isso, mas acusaram-no sem provas. No entanto, para eles, a realidade não importava. Só importava o que eles, com a sua fanática imaginação, concebiam como real. Era uma falsidade. Assim como Paulo, muitos cristãos ao longo da história sofreram injustiças e calúnias, mas permaneceram firmes porque sabiam em quem haviam crido.
O argumento que Paulo trouxera gentios para o Templo, profanando-o, portanto, é, no mínimo, irônico, por ter ocorrido num período em que ele estava passando pela purificação a fim de não profanar o Templo. A acusação provocou agitação entre a população da cidade onde o cristianismo provavelmente tinha uma péssima reputação desde o incidente com Estêvão (At 8.1). A turba ajudou a agarrar Paulo; foram fechadas as portas para manter a violência fora da área do Templo, e a população tentou matar Paulo (v. 30).
O castigo para qualquer israelita que profanasse o Templo era “a surra do apóstata” — o linchamento judaico. Essas portas são, provavelmente, as que separavam os pátios internos do pátio dos gentios, e não as portas exteriores do complexo do Templo.
Texto extraído da obra “A Igreja dos Gentios”, editada pela CPAD.
