Lição 7 – Quando o Espírito sopra em Éfeso
Objetivos da Lição:
I) Explicar a ação do Espírito no ministério de Paulo;
II) Analisar o impacto do Evangelho na transformação da cidade;
III) Aplicar o ensino da missão da Igreja à realidade contemporânea.
ESBOÇO DA LIÇÃO
I – O ESPÍRITO SANTO SOBRE O MINISTÉRIO DE PAULO (At 19.1-10)
II – O DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO SANTO E O IMPACTO DO EVANGELHO NA CIDADE (At 19.11-20)
III – A MANIFESTAÇÃO DO PODER DE DEUS ENTRE OS GENTIOS
Manifestações extraordinárias do poder do Espírito.
Além da pregação ungida, Paulo também faz milagres, descritos como “maravilhas extraordinárias”, isto é, manifestações carismáticas especiais do Espírito Santo. Pelo Espírito Santo, Paulo ministra às necessidades humanas mediante milagres incríveis, curas e libertações (Rm 15.18,19; 2 Co 12.12).
Deus faz esses milagres incomuns diretamente pela imposição das mãos de Paulo sobre os doentes, mas também por lenços e aventais que tocavam o seu corpo que eram levadas às pessoas impossibilitadas de ir ao apóstolo e eram curadas por contato indireto com ele, bem como libertas de espíritos malignos, o que comprova que o Espírito Santo estava atuando de maneira inco mum naquele tempo (At 19.11).
É importante notar que o texto atribui claramente a iniciativa a Deus, e não ao apóstolo ou aos objetos utilizados. Os sinais não substituíam a Palavra, mas confirmavam-na (Mc 16.20; Hb 2.3,4). O avivamento em Éfeso foi marcado por uma ação soberana do Espírito Santo que autenticava a mensagem do evangelho num contexto profundamente idólatra e espiritualizado pelo ocultismo.
Tais curas são um paralelo claro do ministério de Jesus: a) a cura de uma mulher que tinha um fluxo de sangue, a qual foi curada tocando as vestes que Jesus estava usando quando, no mesmo instante, Ele percebeu que virtude saiu de si (Mc 5.25-34; Lc 8.43 48); b) do apóstolo Pedro: nas cidades, as pessoas transportavam os enfermos para as ruas e punham-nos em leitos e em camilhas — porque estavam fracos demais para andar ou ficar em pé — para que, ao menos, a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles (At 5.12-16). A colocação dos doentes de modo que a sombra de Pedro caísse sobre eles não deve ser impingida como superstição popular, sobretudo levando-se em conta o fato de que “todos eram curados” (At 5.16).
Em Lucas 1.35 e 9.34, a “sombra” refere-se à presença e poder de Deus. As curas feitas pela sombra de Pedro são semelhantes ao poder de cura das roupas de Jesus (Mc 6.56) e dos lenços e aventais tocados na pele de Paulo (At 19.12). Essas peças de tecido, que Paulo usava no trabalho, não produziam nenhuma cura.
Deus, porém, ajustou-se à demanda humana por alguma coisa tangível, e até o Senhor Jesus usou terra e saliva (Jo 9.6). O poder de Deus salva os que creem no evangelho, cura os doentes e liberta os endemoninhados! Sinais acompanham a Palavra, mas nunca a substituem (Mc 16.20).
Confronto espiritual e ruptura com o ocultismo
Um dos aspectos mais marcantes do avivamento em Éfeso foi a ruptura radical com práticas pecaminosas e ocultistas. O confronto com o pecado é outro marco. Os sete filhos de Ceva, que eram exorcistas judeus, tentam imitar a autoridade de Paulo e são envergonhados. Os demônios são expulsos, tendo que reconhecer quem é Jesus e quem é Paulo (At 19.13-19). O episódio dos filhos de Ceva revela que autoridade espiritual não se imita. O temor do Senhor espalhou-se pela cidade, levando muitos à confissão pública dos seus pecados e abandono do ocultismo. Livros de magia são queimados publicamente, totalizando grande valor financeiro. A soma de todos eles foi avaliada em 50 mil peças de prata, correspondendo a 50 mil dias de trabalho — mais do que cinco homens podiam ganhar trabalhando trinta anos.
A expressão “artes mágicas” refere-se à prática da feitiçaria. A quei ma pública dos livros de magia demonstra que aqueles novos crentes em Cristo eram imediatamente ensinados a largarem as práticas do ocultismo. A bruxaria, a magia negra, a feitiçaria, o espiritismo e outras práticas de ocultismo são atividades satânicas totalmente incompatíveis com o evangelho de Cristo. Deus proíbe e condena todas essas práticas por serem abominações (Dt 18.9-13). Mexer com ocultismo é expor-se à poderosa influência satânica e à possessão demoníaca.
Esse gesto de trazerem os livros de magia para serem queimados demonstra que o verdadeiro avivamento não se limita a palavras, mas produz mudanças práticas, renúncia ao pecado e testemunho público (2 Co 7.10; 1 Ts 1.9). Da mesma forma ocorre hoje: muitos ignoram ouvir a Palavra de Deus, que está à disposição de todos os que desejam, para pagar por atendimentos com pessoas usadas por espíritos enganadores a fim de terem o seu futuro “revelado” ou receberem algum benefício. Essa prática ilusória é, portanto, prejudicial à fé e à salvação da alma.
Lucas conclui esse relato com uma declaração poderosa (v. 20), mostrando que o verdadeiro avivamento leva a pessoa a um profun do arrependimento prático, à renúncia do pecado, à ruptura com práticas pecaminosas, bem como à transformação visível (2 Co 5.17; 1 Ts 1.9). O crescimento do evangelho foi resultado direto da ação do Espírito Santo aliada à fidelidade na proclamação da Palavra.
Texto extraído da obra “A Igreja dos Gentios”, editada pela CPAD.
