Lição 3 – A fidelidade de Deus diante da infidelidade de Israel
Objetivos da Lição:
I) Destacar a fidelidade divina e o chamado à obediência;
II) Alertar sobre os perigos da idolatria e da infidelidade;
III) Levar a classe a reconhecer a misericórdia de Deus na restauração do povo.
ESBOÇO DA LIÇÃO
I – A ALIANÇA DE DEUS E SUA FIDELIDADE
II – A INFIDELIDADE DE ISRAEL AO LONGO DA HISTÓRIA
III – DEUS NÃO SE ESQUECE DO SEU CONCERTO
A FIDELIDADE DE DEUS E O APELO À OBEDIÊNCIA
Deus é descrito na sua Palavra como santo, justo, verdadeiro e imutável (Ml 3.6); logo, então, consta na sua Aliança a sua soberana vontade, de modo que ela expressa o seu caráter e, sendo assim, jamais pode rá ser infiel a ela. A base da aliança divina está firmada no amor de Deus, não em méritos humanos (Dt 7.7-9), a considerar que, diante dos pecados, erros e falhas dos israelitas, o Senhor continuava fiel ao que prometeu aos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó.
A fidelidade dessa aliança é vista na maneira como Deus aplica a disciplina ao seu povo, quando este não procurava andar conforme os termos dessa aliança. Nesse processo da aplicação da disciplina, Ele buscava preservar e restaurar o relacionamento. Prova disso é que se manifestou de modo claro ao seu povo, não por meio de imagens, e, desse modo, compreende-se que o Senhor é fiel na sua revelação verbal. Isso foi esplêndido para que se entendesse que a aliança divina é assegurada e sustentada pela Palavra de Deus e jamais por símbolos humanos (Dt 4.12).
Logo no primeiro versículo, temos um sermão vivo da parte de Moisés para o povo, na intenção de persuadi-lo a que todos os israe litas estivessem mais próximos de Deus e envolvessem-se no serviço a Ele sem jamais o abandonar. Moisés procura introduzir as suas exortações com consistente retórica divina em orientação e apoiado em argumentos motivacionais.
Com o seu método, o grande líder busca pela aplicação das verdades divinas dando ordens e direcionamento, bem como declarando ao povo a importância de servir-se ao Senhor e o que Ele exige de cada um. No versículo primeiro, quer que o povo esteja atento à Palavra de Deus, aos seus estatutos e aos juízos que eram ensinados. Pela introdução “agora pois”, que denota uma expressão de urgência e transição, o legislador Moisés está aplicando tudo o que foi falado até o momento. Por meio do verbo ouvir, que é o Shema, não se trata simplesmente de uma percepção auditiva, mas, sim, de um ato de obedecer, uma resposta prática. O ouvir não seria apenas naquele momento, mas teria que ser constante. Todas as vezes que o livro da Lei fosse lido ou quando eles mesmos fizessem a leitura, deveriam prestar atenção.
Os estatutos são os mandamentos estabelecidos pela autoridade divina e representam teologicamente a soberania de Deus. Deve-se manifestar obediência e fidelidade a eles, ainda que deles não se te nha total compreensão (Lv 18.4-5). Era por demais relevante para os israelitas ouvirem os estatutos, visto que continham os mandamentos de Deus, os grandes interesses da sua vontade; daí a importância de ser dada a eles a máxima atenção. Assim, por ser Deus falando pela sua Palavra, ouvir uma ou duas vezes — ou frequentemente — fazia total e necessário sentido.
Os juízos do Senhor estão relacionados a decisões legais, normas de justiça social ou leis morais baseadas na equidade e retidão de Deus. Há destaque especial nos juízos para a revelação da justiça ética de Deus e o tratamento para com as relações humanas, o que envolve temas como propriedade, estrangeiros e justiça nos tribunais.
Cada israelita estaria evidenciando obediência e sujeição à autori dade de Deus quando cumprisse os estatutos, ao passo que, em relação aos juízos, desenvolveriam a justiça social e revelariam a santidade do caráter de Deus. Na verdade, a junção dos dois termos expressam a vontade de Deus presente na Torá e mostram que o que Ele queria do seu povo era o cumprimento, ou seja, a obediência à Palavra, o que lhe daria vida e bênçãos, pois as promessas divinas seriam concretizadas em cada um.
Está claro no versículo 2 que há suficiência e integridade na Lei de Deus, pois se trata da revelação divina, sem qualquer necessidade de acrescentar ou diminuir o que quer que fosse; logo, a Palavra de Deus deveria ser mantida intacta no meio do seu povo. Era preciso conservá-la pura e não colocar nela qualquer adendo ou acréscimo, pois ela é pura na sua essência (Js 1.7; Pv 30.5-6; Ec 12.13).
Israel deveria seguir na íntegra o que estava na Palavra de Deus sem inventar nada. O povo de Deus não seria como as outras nações, que davam as suas opiniões e inventavam os seus próprios cultos. Is rael não deveria deixar de lado nada do que a Palavra recomendava, muito menos vê-la como supérflua ou desnecessária. Como era a Lei de Deus que estava exigindo — sendo ela suficiente, perfeita, não carecendo de opiniões particulares, nem de reforma, pois é santa e verdadeira —, nada dela pode ser alterado, pois querer fazê-lo seria comprometer a sua fidelidade, a sua verdade.
Todo salvo em Cristo deve estar plenamente consciente de que a Palavra de Deus expressa a sua vontade soberana, de modo que ela não precisa ser melhorada. Essa proibição está presente nesse texto, bem como em Eclesiastes 3.14, e reforçado em Apocalipse 22.18-19. Precisamos ter reverência, obediência e compromisso para com essa Palavra, pois ela é fiel e sempre será (Sl 119.89; Jo 14.23; Tg 1.22).
Texto extraído da obra “O DEUS DA ALIANÇA”, editada pela CPAD.
