Lição 4 – O primeiro discurso: O chamado à obediência
Objetivos da Lição:
I) Apresentar o concerto em Horebe e o chamado à obediência;
II) Justificar os mandamentos como expressão da vontade divina;
III) Conscientizar sobre as bênçãos de ouvir e obedecer à voz de Deus.
ESBOÇO DA LIÇÃO
I – O CONCERTO REITERADO EM HOREBE
II – A EXPRESSÃO DA VONTADE DE DEUS NOS MANDAMENTOS
III – OBEDECENDO À VOZ DE DEUS
A EXPRESSÃO DA VONTADE DE DEUS NOS MANDAMENTOS
A partir de Deuteronômio 5.6-11, tem-se o bloco que faz a introdução inaugural do Decálogo, que não se resume a mandamentos, mas atém-se à construção da base que gera relacionamento de Deus com o homem, isto é, algo que vem de cima. Ademais, o Senhor é apresentado como o grande redentor, que deseja do homem uma resposta de obediência (Dt 5.6).
Lendo-se os Dez Mandamentos, é possível entender que o Senhor não começa dando ordens ao homem, mas o seu relacionamento começa com a ação de libertar os israelitas. Isso é interessante, porque nenhum deles iria obedecer a Deus para ser salvo, mas a resposta de obediência e santidade era devido aos grandiosos favores e bênçãos que Deus havia-lhes concedido, inclusive a libertação do Egito; logo, nesse sentido, compreende-se nessa ação divina a teologia da graça, que se faz presente nas Sagradas Escrituras de capa a capa.
O que abordaremos nesses versículos, portanto, é que a centralidade para o relacionamento com Deus é exposta por Moisés de modo singular. Em primeiro lugar, exclusividade na adoração (v.7), pureza no culto (vv.8-9), zelo divino (v.9), reverência para com Deus (v.11). Todo israelita, pelo ensino, deveria estar consciente de que o Senhor era o único Deus e que qualquer tipo de idolatria teria que ser rejeitada. No demais, todos eram chamados para uma adoração verdadeira, que deveria ser marcada pela espiritualidade, verdade e reverência.
O fundamento para esses mandamentos seria o amor a Deus com todo o coração (Dt 6.5). Quando algum israelita manifestasse obediência aos mandamentos divinos com zelo, santidade e adoração, estaria revelando um amor sincero, e não apenas meras palavras ou sentimentos vazios. Nosso Senhor Jesus Cristo reforçou essa mesma estrutura de Deuteronômio quanto à essência dos mandamentos (Mt 22.37-38).
A leitura dos Dez Mandamentos é feita à luz do contexto da aliança, isso porque os mandamentos não são leis universais, mas, sim, juramentos que o povo de Israel fazia para com o Senhor, que requer fidelidade de cada um do seu povo. Historicamente e voltando ao contexto dos tempos antigos, os elementos de um contrato no oriente englobam um tratado de soberania e nele o rei impunha a sua lei aos vassalos. Nos Dez Mandamentos, porém, tem-se a presença do Deus que os libertou e salvou e que se relaciona e deseja que cada um volte-se para Ele com amor verdadeiro.
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Qual a utilidade da Lei para os cristãos hoje?
Esta tem sido a pergunta de muitos cristãos: “Qual a utilidade da Lei para os que vivem em Cristo?”. As leis cerimonial e civil foram cumpridas em Cristo Jesus (Mt 5.17), mas a lei moral permanece viva e expressa o caráter de Deus. Pode-se dizer, assim, que a graça não anula a obediência, mas fundamenta-a. Paulo falou que a Lei serviu de aio para conduzir-nos a Cristo (Gl 3.24), mas Cristo Jesus devolve-nos a Lei como uma norma de gratidão e santidade.
Em se tratando da utilidade da Lei para o cristão, é preciso analisar os seus três usos tradicionais: o primeiro pode ser visto na sua função moral. Nesse sentido, ela está sendo usada como um freio para o pecado, instruindo a consciência do homem (1 Tm 1.9,10). Segundo, ela tem o seu uso na função normativa para uma vida santa. No momento em que acontece o novo nascimento, a lei moral passa a ser um guia de vida que expressa a vontade de Deus (Sl 1.2; Rm 7.12). Terceiro, a Lei é usada na sua função pedagógica, pois revela o pecado e a incapacidade de o homem libertar-se dele pela sua vontade. Ela, porém, certamente o conduz a Cristo, que é a verdade que liberta (Jo 8.32; Gl 3.24).
Tudo se volta para o Antigo Testamento quando falamos das leis civil, moral e cerimonial, e os eventos têm ligação direta com a obra que Cristo consumou. Essa divisão, que foi muito usada pelos reformadores, serviu para explicar como esses aspectos aplicam a Lei Mosaica aos cristãos. Os cultos, os sacrifícios, as festas religiosas, a pureza ritual, o sacerdócio levítico e o Tabernáculo estavam presentes na lei cerimonial e apontavam para Cristo Jesus, sendo, portanto, sobras das coisas futuras (Cl 2.16-17; Hb 10.1). Jesus, como Cordeiro, Templo perfeito e Sumo Sacerdote, cumpriu essa lei totalmente (Jo 1.29; 5.17; Hb 7–10). Essa lei não é mais exigida para o culto cristão de hoje.
Temos na lei civil o conjunto de leis que regiam a nação de Israel, que era teocrática, e isso envolvia penalizações, restituições, administração da justiça, herança, propriedade e guerra (Êx 21–23; Lv 25; Dt 19.15-21). Nesse particular, Jesus cumpriu toda a justiça da Lei e ensinou a todos princípios que vão além do contexto vivido por Israel, os quais foram direcionados a todas as nações (Mt 22.21; Jo 18.36). Não há mais necessidade dessa lei civil para o cristão; o povo de Deus agora se espalha por toda a terra (1 Pe 2.9). Mesmo não sendo mais uma teocracia, os princípios de justiça, equidade e dignidade humana sempre são válidos.
Os mandamentos são universais e eternos na lei moral. Eles refletem o caráter santo e justo de Deus. Essa cláusula não foi abolida, mas, sim, cumprida em Cristo e reafirmada por Ele (Êx 20; Dt 5; Mt 22.37-40; Rm 13.8-10). Jesus cumpriu essa lei porque viveu neste mundo sem pecar (Hb 4.15) e ensinou os seus discípulos a obedecerem-na em espírito e verdade (Mt 5.17-20; Rm 8.3-4). Essa lei permanece válida para os cristãos, porém jamais como meio de salvação, mas como norma para uma vida pura e santa, dirigida e avivada pelo Espírito Santo de Deus (Gl 5.16,22-23).
O cristão, portanto, não vive debaixo da Lei como uma forma de receber a regeneração, a justificação (Gl 2.16), mas submete-se à sua autoridade moral, pois os mandamentos guiam e orientam para uma vida de santificação e obediência, bem como discernimento ético frente a um mundo com os seus postulados relativistas (Rm 3.21).
Assim, a Lei para o cristão apresenta três aspectos: espelho, ao revelar a necessidade de Cristo; bússola, ao orientar a caminhada; e testemunho, ao apresentar exemplo vivo de uma vida transformada pela graça de Deus (1 Jo 5.3).
Texto extraído da obra “O DEUS DA ALIANÇA”, editada pela CPAD.
