Lição 8 – O Deus Espírito Santo
ESBOÇO DA LIÇÃO:
I – A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO
II – A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO
III – AS OBRAS DO ESPÍRITO SANTO
A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO
O Debate “Filioque”
Fundamentada nas Escrituras, a fé cristã ratificou a doutrina trinitária nos concílios ecumênicos. Em Niceia (325 d.C.), estabeleceu a divindade do Filho: “Cremos […] em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, o Unigênito do Pai, que é da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não feito, de uma só substância (homoousios) com o Pai”.⁹
Em Constantinopla (381 d.C.), no Credo niceno-constantinopolitano, após confirmar que o Pai, o Filho e o Espírito Santo possuem a mesma natureza, o concílio ratificou a divindade do Espírito: “Cremos […] no Espírito Santo, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai e do Filho, o que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, que falou por meio dos profetas”.¹⁰
O debate da divindade de Jesus e do Espírito ocorreu durante o século IV, em virtude do arianismo negar a igualdade e eternidade do Filho com o Pai, e de forma indireta também do Espírito. Nesse período, o grupo dos “pneumatômacos” de tendências semiarianas apesar de aceitarem que o Filho era divino, negavam que o Espírito Santo fosse Deus. Os primeiros concílios ecumênicos foram realizados para dirimir essas controvérsias.
A respeito do Espírito, em Constantinopla (381 d.C.) o credo grego declarou “to ek tou Patros ekporeuomenon” (que procede do Pai). Em Toledo (589 d.C.) a frase correspondente do credo latino acrescentou “qui ex Patre Filioque procedit” (que procede do Pai e do Filho). O termo “filioque” (e do Filho) foi inserido para salvaguardar a fé bíblica de que o Espírito procede tanto do Pai como do Filho (Jo 15.26; 16.7).
Os textos-chaves são: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador” (Jo 14.16); e “quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito da verdade, que procede do Pai” (Jo 15.26). Os verbos “rogarei” (gr. erōtáō) e “proceder” (gr. ekporeuomai) são cruciais para esse debate. O verbo erōtáō significa pedir em termos de igualdade e, por isso, é sempre usado por Cristo em relação ao seu próprio pedido para o Pai, no conhecimento de sua igual dignidade.
O verbo “proceder” sinaliza que “o Espírito Santo é dado pelo Pai, em resposta à solicitação do Filho. Ele procede tanto do Pai como do Filho. O Pai o dá; o Filho o envia”.¹² O apóstolo Paulo usa preposições gregas como ek (“de”) para expressar a relação do Espírito com o Pai e o Filho compatíveis com a doutrina de que o Espírito também procede do Filho, a saber: “[…] se alguém não tem o Espírito de Cristo” (Rm 8.9); e “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho” (Gl 4.6).
Texto extraído da obra “A Santíssima Trindade”, editada pela CPAD.
