LIÇÃO 4 – O ESPÍRITO QUE NOS GUIA PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS
Objetivos da Lição:
I) Interpretar a direção do Espírito Santo na expansão missionária e na Igreja; II) Contrastar o poder do Evangelho com a atuação das trevas em Filipos;
III) Mobilizar a classe a responder com fé e louvor em contextos de sofrimento.
ESBOÇO DA LIÇÃO
I – LÍDIA: QUANDO O ESPÍRITO ABRE O CORAÇÃO E FUNDA UMA IGREJA
II – A LIBERTAÇÃO DA JOVEM POSSESSA E O CONFRONTO COM OS PODERES DAS TREVAS
III – A PRISÃO DE PAULO E SILAS E A CONVERSÃO DO CARCEREIRO
Dados biográficos de Lídia
Lídia, a mulher que figura como personagem central de Atos 16.14 e seguintes, provavelmente devia o seu nome por causa da sua vinculação com a província da parte ocidental da Ásia Menor. Tiatira era uma cidade que ficava na região chamada Lídia, na parte ocidental da Ásia Menor. Por essa razão, alguns creem que Lídia não seria o nome dessa mulher, mas simplesmente uma alcunha ou apelido que os filipenses teriam atribuído a ela.
Ela residia em Filipos, uma colônia romana, principal cidade da Macedônia, possivelmente por motivos comerciais, mas seria originária de Tiatira ou, pelo menos, teria morado lá anteriormente.
Lídia era uma mulher de negócios, bem-sucedida, “vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira” (v. 14), uma pessoa de alguma importância. Tiatira, cidade na Ásia Menor, mencionada em Apocalipse 2.18, era famosa pela indústria têxtil, especialmente na tintura de tecidos de púrpura — produto de luxo reservado à nobreza e à elite romana. Era também famosa pela fabricação de tinta de púrpura e de fazenda da mesma cor e bem conhecida pela sua indústria de tingimento. É provável que Lídia tivesse aprendido ali as habilidades que vieram a tornar-se a sua profissão.
Mais tarde, já em Filipos, Lídia vendia púrpura tíria, quer o corante, quer o vestuário e tecidos tingidos com ele. Ao que tudo indica, essas roupas eram artigos de luxo ao alcance de poucos. Vê-se que Lídia devia viver bem em sentido financeiro. Ela representa a classe culta e trabalhadora que busca a Deus com sinceridade. A sua conversão é o primeiro registro de uma pes soa europeia convertida ao cristianismo, fazendo dela um marco histórico e espiritual na expansão do Reino: “[…] e o Senhor lhe abriu o coração para estivesse atenta ao que Paulo dizia” (v. 14). Deus prepara corações receptivos antes mesmo que a mensagem seja pregada. A salvação é uma obra da graça, e o Espírito Santo é quem abre o entendimento para a verdade.
A Pregação em Filipos
A cidade de Filipos, que ficava na região da Macedônia, ocupou um lugar destaque na missão de Paulo. Como colônia militar — embora não tenha sido a capital daquele distrito da Macedônia — era uma colônia romana, e os seus ocupantes desfrutavam dos mesmos privilégios que os próprios cidadãos romanos.
Ao entrar numa cidade, era habitual Paulo começar a sua missão pregando numa sinagoga judaica, mas não havia sinagoga em Fi lipos, pois uma verdadeira congregação não podia ser estabelecida sem o número mínimo de dez homens. A vida em Filipos não devia ser fácil para os judeus e para os prosélitos do judaísmo, visto que o imperador Cláudio havia banido os judeus de Roma pouco antes da visita de Paulo. Pelo fato de não haver sinagoga entre os exila dos, as orações eram feitas, como de costume, à beira de rios (cf. Sl 137.1). Há quem afirme, porém, que a lei romana proibia aos judeus a prática da sua religião nos “limites sagrados” de Filipos.
Depois de passar “alguns dias” em Filipos, os missionários saíram fora das portas da cidade para a beira do rio Gangites, onde julgaram haver um lugar de oração. Ao chegarem ao local, encontraram algumas mulheres devotas que se reuniam para a oração (v. 13). O início do trabalho missionário na Macedônia não poderia ter sido mais simples e humilde, mas, quando os missionários contaram a sua história às mu lheres, a primeira a aceitar a mensagem foi Lídia. A presença dela no lugar de oração indica a sua devoção e abertura para questões espirituais.
Texto extraído da obra “A Igreja dos Gentios”, editada pela CPAD.
