Lição 11 – O Pai e o Espírito Santo
ESBOÇO DA LIÇÃO
I – O ESPÍRITO E AS DÁDIVAS DO PAI
II – O ESPÍRITO NOS GUIA NA VONTADE DO PAI
III – A TRINDADE NOS CONDUZ À HERANÇA ETERNA
O PAI E O ESPÍRITO SANTO
A ação do Espírito Santo na vida do crente é um dom do Pai e do Filho, refletindo a obra trinitária na redenção. O Espírito Santo não apenas liberta o ser humano do pecado, mas também testifica a filiação dos eleitos e assegura o acesso à herança eterna. Trata-se de uma transformação integral, pela qual o crente é conduzido do “espírito de escravidão” para o “espírito de adoção”, da condição de condenação para a comunhão com Deus e da concupiscência da carne para a participação na glória eterna.
No presente capítulo, apresentam-se elementos doutrinários fundamentais para compreender a transição do homem da antiga vida sob o pecado e sob a lei para a nova vida na condição de filho adotivo em Cristo. Serão abordadas, em particular, as formas pelas quais o Pai e o Espírito Santo atuam em conjunto para garantir a adoção dos pecadores como filhos e coerdeiros da promessa divina, evidenciando a profundidade e a coerência da obra redentora trinitária.
[…] O plano de redenção é uma obra essencialmente trinitária: “vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho […] para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. […] Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho” (Gl 4.4-6). A frase “plenitude dos tempos” (gr. plērōma tou chronou) marca o fim do período de tutela da lei. Stronstad ensina que “o plano pré-ordenado de Deus era que a lei ditasse o fundamento da moralidade até a vinda de Cristo, Jesus é o ponto focal da história mundial; Ele é o sustentáculo do qual depende a virada dos tempos”.¹¹
O texto é teologicamente rico, pois evidencia que cada Pessoa da Trindade tem uma função específica e harmoniosa no plano eterno de Deus. O Pai enviou o Filho: a encarnação de Cristo ocorreu no tempo previamente estabelecido pelo Pai, dentro de sua soberania e sabedoria eterna (At 17.26). O Pai não apenas idealizou, mas também determinou o momento e as circunstâncias para que o plano redentivo se realizasse. Ele é o autor da salvação, pois, como declara o apóstolo João, “nós temos visto e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo” (1 Jo 4.14, ARA).
O Filho executou a redenção: Cristo foi enviado “para remir” os pecadores (Gl 4.5). O verbo grego exagorázō (remir, resgatar) significa comprar de volta mediante pagamento. Segundo Wycliffe, “na antiga nação de Israel, a remissão era um instrumento para controlar a escravidão e a dívida pessoal (Dt 15.1-3,9; 31.10)”.¹² O termo aponta para a redenção realizada pelo sacrifício de Cristo (Hb 9.12). Enfatiza que o preço foi oferecido a Deus, como satisfação de sua justiça (Ef 5.2). O Filho, portanto, é o executor do plano divino. Ele veio ao mundo “buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10). O Espírito aplicou a
adoção: após a obra redentora do Filho, o Espírito Santo é enviado pelo Pai e pelo Filho para tornar eficaz a salvação no coração do crente (Rm 8.16). O Espírito não apenas confirma a adoção, mas introduz o salvo à comunhão filial com o Pai (Gl 4.6; Rm 8.15). Essa verdade revela que o Espírito não atua de forma autônoma ou independente, mas em perfeita harmonia com o plano do Pai e a obra do Filho (Jo 16.7-8). Em vista disso, reitera-se que o plano da redenção é obra do Pai que planeja, do Filho que executa e do Espírito que aplica. Essa verdade revela que a salvação é uma ação soberana do Deus Triúno.
Texto extraído da obra “A Santíssima Trindade”, editada pela CPAD.
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