Lição 01 – O que é uma Ideologia
Prezado(a) professor(a),
A paz do Senhor!
Iniciamos mais um trimestre pela graça do nosso Senhor. Como é bom saber que até aqui o Senhor o tem abençoado e proporcionado valiosos momentos de aprendizado com seus alunos. O assunto deste trimestre é muito relevante para os nossos jovens, mas é fundamental reconhecer que o papel primordial da igreja ainda é ensinar a fé cristã aos nossos jovens, mas não podemos deixar que eles sejam induzidos por conhecimentos contrários à fé cristã. Eles precisam ser orientados de acordo com a Palavra de Deus.
Para ajudá-lo(a) a cativar a atenção de sua classe para o tema desta aula, leia o relato abaixo para seus alunos a fim de alertá-los para os perigos das ideologias, em especial quando os jovens passam a ter acesso às universidades sem o devido conhecimento das Sagradas Escrituras e o devido fortalecimento de suas convicções cristãs.
***
Em minha adolescência, fui procurar livros sobre cristianismo na biblioteca da universidade, vagando pelos corredores como uma criança na floresta. Havia acabado de concluir o Ensino Fundamental, quando tivera uma aula de história intelectual ensinada por um professor que era ateu militante. Para mim, isso não tinha importância, visto que eu já rejeitara a fé cristã em que fora criada e estava à procura de minha própria verdade. Até tinha feito um trabalho acadêmico para a classe sobre as razões de eu não considerar o cristianismo digno de crédito. Mas, para minha grande surpresa, quando ele leu o trabalho, o próprio professor ateísta me exortou a ir mais devagar: “Certifique-se de que você sabe o que está rejeitando antes de tentar algo novo”, disse-me ele. “Por que você não pesquisa alguns livros sobre filosofia cristã antes de rejeitar o cristianismo?”
Ele me garantiu que era perfeitamente possível ser “cristão de inclinação liberal” (ou, de forma inversa, “ateu de mente fechada”), assim eu não precisava criticar com tanta severidade minha formação familiar para fazer uma investigação honesta e imparcial da verdade.
Sem nunca ter ouvido falar que havia filosofia (em vez de teologia) cristã, dirigi-me à biblioteca da universidade e procurei no fichário o título “Filosofia — Cristã”. Indo em direção às estantes, tirei um livro intitulado Behold the Spirit (Eis o Espírito), de Alan Watts. Quem está
familiarizado com a contracultura dos anos sessenta, reconhecerá de imediato que eu caíra numa armadilha: Watts foi figura fundamental na apresentação das religiões orientais para o ocidente, e apesar de o título soar cristão, o tema do livro era que se investigarmos além dos detalhes superficiais, o cristianismo de fato ensina as mesmas coisas que o misticismo oriental. Na realidade, Watts ensinava que todas as religiões são mera janela cultural que se ajusta a um centro comum de crenças — uma “filosofia perene” —, que considera que tudo é emanação do ser divino.
Eu frequentara a igreja por toda a minha vida (meus pais cuidaram disso) e também a escola primária luterana. Ao longo dos anos, memorizara hinos, versículos bíblicos, os credos e o catecismo luterano, e sou imensamente grata por essa formação. Nunca aprendera nada sobre apologética, ou recebera ferramentas para analisar ideias, ou fora ensinada a defender o cristianismo contra os outros “ismos”. Quando li o livro de Watts, fiquei encantada. Por repetidas idas à livraria, levei para casa mais de seus livros, e as obras de Aldous Huxley (que promovia a mesma “filosofia perene”) e de Teilhard de Chardin (que oferecia um evolucionismo espiritual místico).
A única pessoa que olhava por cima do meu ombro para ver o que eu lia e oferecia uma perspectiva crítica era meu problemático irmão mais velho Karl. Ele era irritante o bastante para dizer que o conteúdo desses livros divergia tremendamente do cristianismo ortodoxo. Mas claro que era por isso mesmo que eram fascinantes. Se eu pudesse explorar as ideias religiosas exóticas e, ao mesmo tempo, agarrar-me ao genuíno cerne místico do cristianismo, como prometiam esses livros, tanto melhor seria.
O episódio ilustra uma das razões mais importantes para desenvolver uma cosmovisão cristã: proteger-se da assimilação inadvertida de filosofias estranhas. Como tantos jovens, eu conhecia o teor da Bíblia, mas não fazia ideia de como relacionar a doutrina bíblica ao reino das ideias e ideologias.
Quando entrei no mundo intelectual fora do círculo da família e da igreja, eu era um alvo fácil. Não dispunha de nenhuma ferramenta conceitual para repelir os desafios à fé.
“Estai sempre preparados para responder [fazer uma defesa] com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”, diz Pedro (1 Pe 3.15). A palavra grega apologia (o radical da palavra apologética) quer dizer “defesa” e era em sua origem um termo legal; significava a resposta do acusado ao promotor público em sala de tribunal.
Mais tarde, o mesmo termo foi usado para referir-se aos primeiros apologistas cristãos — teólogos treinados para defender a nova fé contra o paganismo excessivo do Império Romano.
Entretanto, defender a fé não era tarefa exclusiva dos apologistas profissionalmente treinados. Da mesma maneira que todos os cristãos são chamados para evangelizar, assim todos têm a responsabilidade de aprender a dar as razões (ou explicar, ou responder, ou fazer uma defesa) que apoiem a credibilidade da mensagem do evangelho. Ao “traduzir” a teologia cristã numa linguagem contemporânea, podemos pô-la lado a lado com outros sistemas de pensamento e mostrar que oferece um relato da realidade mais consistente e abrangente.
Há poucos meses vi um anúncio inteligente que apresentava um professor caracteristicamente universitário encarando o leitor com raiva, em cuja legenda se lia: “Conheça o primeiro professor universitário de seu filho. Ele é professor de inglês, ateísta e marxista, que arrasa os crentes calouros”.3 Esta é de fato a imagem que deveria vir à mente dos pais cristãos quando enviam seus filhos a universidades seculares. Hoje, a apologética básica tornou-se habilidade crucial para a simples sobrevivência.
Sem as ferramentas da apologética, os jovens podem ter firmes bases de estudo e doutrina bíblica; porém, mesmo assim, tropeçam indefesos quando encaram o mundo secular sozinhos. A tragédia é representada inúmeras vezes quando os adolescentes cristãos arrumam as malas, despedem-se dos pais e vão para universidades seculares, apenas para perder a fé antes de se formarem, tornando-se presas das mais recentes novidades intelectuais.
Que Deus abençoe a sua aula e os seus alunos!
