Lição 10 – Sansão: entre Vitórias e Derrotas
Prezado(a) professor(a),
A paz do Senhor!
Continuando os estudos sobre os juízes de Israel, hoje veremos maus uma parte da vida de Sansão. Ele foi um homem de muitas vitórias, mas também de muitos fracassos. Nesta lição, seguiremos acompanhando a etapa final da sua biografia, que foi marcada pela concupiscência carnal. Dentre os seus relacionamentos amorosos, destaca-se o que ele teve com Dalila, que lembra um filme com enredo de poder, sexo e dinheiro.
A fim de ajudá-lo(a) a cativar a atenção de sua classe para o tema desta aula destacamos o texto abaixo que é de autoria do pastor Valmir Nascimento, comentarista do trimestre.
II – SANSÃO E SEUS RELACIONAMENTOS DESTRUTIVOS
1. O desejo carnal
Sansão era fisicamente forte, mas moralmente fraco, fragilizado pelo desejo carnal. O seu impulso pela sexualidade irresponsável sempre o colocava em risco. Vemos os relatos das “mulheres fatais” no fim da sua vida.
Ele tem relações com uma prostituta na cidade de Gaza (Jz 16.1). Como bem lembrou Chisholm Jr., “sabemos da literatura sapiencial que as prostitutas residem no portão para a morte (Pv 6.26; 7.24; 23.27)”.1 Embora os gazistas tenham feito vigília para pegá-lo, Sansão consegue escapar dos seus inimigos durante a noite com mais uma façanha de força incomum (Jz 16.1-3).
2. Dalila: suborno e mentiras
Sansão posteriormente se apaixona por uma mulher chamada Dalila, residente no vale de Soreque. O texto bíblico não esclarece se ela era israelita ou filisteia. De acordo com o Comentário Beacon, o nome Dalila é de origem semita e pode significar “débil”, “abatida” ou “sujeita a desejos”, uma designação que espelha ironicamente a fragilidade moral e a dinâmica desequilibrada que caracterizariam a relação. Que combinação trágica anuncia-se desde o início.
Como o desenrolar da história demonstra, trata-se de um vínculo essencialmente destrutivo, sustentado por interesses mútuos, e não por compromisso ou fidelidade. Subornada pelos chefes filisteus, Dalila dispõe-se a usar a sua intimidade com Sansão como instrumento de traição. A sua persistência não é romântica, mas estratégica; a sua afeição, calculada. Ela empenha-se repetidamente em arrancar dele o segredo da sua força, sendo movida por recompensa e lealdade política aos inimigos de Israel.
Sansão, por sua vez, brinca perigosamente com o pecado e com o risco. É chocante ver esse nazireu, disse Warren Wirsbe, “dormir sobre os joelhos de uma mulher perversa, mas é isso que acontece quando as pessoas escolhem desprezar os conselhos dos entes queridos e do Senhor”.2
Confiante na sua força e subestimando as consequências, Sansão envolve-se numa sequência de mentiras, tratando como jogo o que deveria ser guardado com reverência. O texto revela um homem que confunde intimidade com imprudência e coragem com presunção. Ambos se enganam mutuamente, até que, exaurido pela pressão constante e pela importunação contínua, Sansão finalmente cede.
Nesse momento decisivo, ele abre o coração e revela que o segredo da sua força não residia em si mesmo, mas no cumprimento do seu voto de nazireu. Os seus cabelos eram o sinal externo de uma consagração interior; caso fossem cortados, ele certamente se tornaria como qualquer outro homem. O que Sansão entrega não é apenas uma informação, mas também o símbolo da sua identidade espiritual.
Há aqui uma advertência pastoral urgente: é preciso extremo cuidado com quem compartilhamos os segredos mais íntimos da alma. A Escritura exorta: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração” (Pv 4.23) e adverte que “um tolo expande toda a sua ria, mas o sábio a encobre e reprime” (Pv 29.11). Intimidade sem discernimento pode tornar-se a porta pela qual a vocação é arruinada e a consagração, traída.
3. A traição e a escravidão
Dalila consuma a sua traição e, em seguida, informa aos chefes dos filisteus que o segredo fora finalmente revelado, e estes lhe pagam o suborno prometido. Ao adormecer Sansão, vulnerável e desprevenido, Dalila chama um homem para raspar-lhe o cabelo, que era o sinal visível da sua consagração quebrada. O ato é silencioso, mas as suas consequências são devastadoras.
Despertado aos gritos, Sansão reage com uma confiança ilusória: “[…] Sairei ainda esta vez como dantes e me livrarei” (Jz 16.20). Trata-se de uma das passagens mais tristes e solenes de toda a narrativa. O homem supõe que a força ainda lhe pertence, porém ignora a realidade mais grave. O Senhor já o havia deixado. A tragédia não está apenas na perda da força física, mas também e principalmente na ausência da presença divina.
Convém enfatizar que a força de Sansão nunca esteve nos seus cabelos, mas, sim, no poder de Deus que operava por meio da sua consagração. Os cabelos eram apenas o sinal externo de uma relação espiritual. Quando a graça e o poder do Senhor são retirados da vida de alguém, o que resta é apenas o ser humano na sua condição decaída, espiritualmente morto em delitos e pecados. O resultado é inevitavelmente trágico.
Os filisteus imediatamente o prendem, furam-lhe os olhos e conduzem-no a Gaza, onde Sansão é lançado na prisão para girar um moinho, que é um trabalho exaustivo e humilhante reservado aos escravos mais desprezados (Jz 16.21). O libertador de Israel torna-se prisioneiro; o forte torna-se fraco; o vidente torna-se cego.
A condição do pecador afastado de Deus e privado da presença do seu Espírito é esta: pode até viver, mas sem luz; pode até respirar, mas sem liberdade; pode até trabalhar, porém em servidão. Por isso, a oração do salmista permanece atual e urgente: “Não me lances fora da tua presença e não retires de mim o teu Espírito Santo” (Sl 51.11). Trata-se de um clamor que deveria ecoar continuamente no coração de todo aquele que teme ao Senhor e compreende que nada pode fazer sem Ele.
Que Deus abençoe a sua aula e os seus alunos!
