Lição 12 – O Ministério de Jeremias depois da Queda de Jerusalém
Prezado(a) irmão(ã) professor(a), a paz do Senhor!
A lição 12 traz a continuação do ministério de Jeremias depois da queda de Jerusalém. O profeta permaneceu atuante em sua tarefa de anunciar a mensagem de arrependimento.
A fim de auxiliá-los na compreensão deste ensinamento, trazemos um trecho extraído do livro do trimestre cujo conteúdo também é de autoria do pastor Elias Torralbo.
A vida cristã é um chamado à ação, como bem explica Tiago 4.17. Entretanto, essa mesma vida cristã é testada nas suas reações diante das mais variadas e intensas adversidades (ver Lc 6.29,30). Ainda nessa mesma direção, o apóstolo Paulo adverte o crente ao seguinte comportamento em relação ao que ele chama de inimigo (ver Rm 12.20).
Essa mesma exigência de uma reação adequada diante das dificuldades e das provações inerentes à vida é imposta aos que são chamados ao ministério. Um vivo exemplo disso é o próprio apóstolo Paulo, que, diante da oposição dos falsos mestres que se infiltraram na Igreja em Corinto, teve de dar resposta e servir de exemplo aos fiéis daquela comunidade cristã.
Esses falsos mestres questionavam a autenticidade do ministério de Paulo sob os argumentos da fragilidade física e retórica do apóstolo (ver 1 Co 2.3-5). Ele também deixou o exemplo de como reagir diante das afrontas e adversidades inerentes ao ministério (2 Co 4.1,2).
Com base no texto acima, o que se percebe é um homem diante das mais terríveis pressões, porém decidido a reagir, em primeiro lugar, reconhecendo que o ministério que exerce é fruto da misericórdia divina e que, por causa disso, não desfaleceria, que significa não se abandonar a si mesmo, pois deixar o ministério seria o mesmo que deixar a si mesmo, já que ele nasceu para essa missão. Em segundo lugar, ele está decidido, mesmo diante da oposição, a rejeitar o que desonra a Deus, não buscando os interesses pessoais (sentido da expressão “astúcia”) e nem falsificando a mensagem, isto é, não misturando o evangelho; antes, mantendo-se fiel à verdade de Deus e da sua palavra.
Assim também foi a vida e o ministério de Jeremias, que, à semelhança de Paulo, decidiu reagir às pressões, perseguições e rejeições de maneira a honrar a Deus e ao seu chamado. Sendo assim, este capítulo ocupa-se em mostrar, com alguns detalhes, a postura de Jeremias em relação ao ministério que recebeu do Senhor diante das adversidades que
teve de enfrentar, começando por uma apresentação da sua libertação, mostrando também algumas lições em torno do remanescente judeu no Egito e, por fim, a continuidade do ministério de Jeremias mesmo depois da queda de Jerusalém.
[…]
III – O MINISTÉRIO CONTINUA
Os textos sagrados de Salmos 18.30 e 145.13 estão em total acordo com o texto de Jeremias 29.11. Dentre as amplas e ricas lições que os textos supracitados têm a ensinar, destacam-se a natureza bondosa de Deus e o seu plano eterno. Mesmo diante das circunstâncias mais adversas, o Senhor permanece avançando e cumprindo a sua vontade no mundo. A história de Jeremias serve como exemplo histórico disso, pois, mesmo diante do pecado recorrente do povo dos seus dias, ele continuou a exercer o seu ministério profetizando, ainda que o povo continuasse a rejeitá-lo juntamente com a sua mensagem, que, por sua vez, continuava sendo, em linhas gerais, a mesma.
Esse ponto que conclui este capítulo ocupa-se em refletir sobre o poder de Deus em conduzir a sua própria história em curso mesmo quando a humanidade opõe-se a ela, demonstrando, inclusive, o poder impressionante da sua graça em usar pessoas limitadas. Começando com a ênfase na história, que continua mesmo diante do pecado de Judá, passando pelo ministério de Jeremias, que também continua mesmo depois de todos os tristes acontecimentos mencionados anteriormente, e finalizando com a ênfase na mensagem, que também continua sendo a mesma, reafirma-se, assim, o compromisso de Deus consigo mesmo, com a sua palavra e com os que o amam.
1. A história continua
Jeremias 43.2 remete a um período após a destruição de Jerusalém, enquanto Jeremias 11.8 remete a um período anterior. O que se conclui é que, definitivamente, nem sempre a história é suficientemente capaz para ensinar lições, principalmente a uma geração dura de coração como a dos dias de Jeremias.
Mesmo depois de toda a tragédia vivida em Jerusalém e a deportação definitiva de muitos judeus para a Babilônia, o remanescente que ficou em Judá, continuou a trilhar pelo caminho da desobediência e, ao invés de ficar em Jerusalém, optou pelo Egito (42.19-22). Mesmo diante do que viram em Jerusalém, os judeus decidiram migrar para terras egípcias e ali continuaram a praticar os mesmos erros de antes. Ainda nesse mesmo contexto, é possível notar Deus ainda falando a eles (44.1-10).
A obstinação do povo, a dureza do seu coração e a lamentável decisão de continuar em práticas idólatras e pagãs não invalidaram o plano de Deus e nem mesmo o impediram de continuar a atuar na história. Nessa ocasião, Jeremias continuou a profetizar a mensagem ao povo. Sendo assim, o aspecto prático disso é que a Igreja da atualidade deve aprender a reconhecer os próprios erros, humilhar-se e clamar a misericórdia divina, evitando, assim, incorrer no mesmo erro dos judeus dos dias de Jeremias.
2. O ministério continua
Lembre-se de que o ministério de Jeremias não começou com ele, mas com o próprio Deus (ver Jr 1.4,5). Tanto a vida como o ministério de Jeremias tiveram a sua origem em Deus, o que implica em afirmar que só Deus poderia determinar o momento da sua conclusão.
Aqui repousa o segredo do sustento do nome de Jeremias pelas gerações futuras, ao ponto de ele ser citado mesmo depois de muito tempo da sua morte em textos do Novo Testamento, tais como: i) cumprimento de uma profecia de Jeremias (Mt 2.17); ii) o anúncio da Nova Aliança cumprido no Novo Testamento (Hb 8.8-12; 10.16,17); iii) a previsão de Jeremias aplicada ao contexto da traição de Judas (Mt 27.9,10); iv) Jeremias é citado como se Jesus fosse a sua nova aparição (Mt 16.14). Mesmo depois de morto, o nome e o ministério de Jeremias continuaram a ser lembrados, principalmente no que se refere às mensagens que profetizou.
Uma árvore frondosa como Jeremias só pôde ter frutos duradouros por causa das suas profundas raízes, que foram firmemente lançadas ao longo da sua trajetória ministerial, que foi marcada principalmente por intensas provas, rejeição e oposição. Diante das mais terríveis provações, ele permaneceu fiel a Deus e ao seu chamado mesmo quando cogitou abandoná-lo (Jr 20.9).
Nos versículos que antecedem a passagem de Jeremias 20, o profeta fez uma dura afirmação de que o Senhor havia-o iludido, o que não retrata a verdade, já que o Senhor preparou-o acerca de todas as oposições que teria de enfrentar no seu ministério como profeta (Jr 1.17-19). Aliás, ele foi informado de que as suas lutas seriam constantes e crescentes e que, inclusive, seria rejeitado pelos da sua casa, conforme se lê (12.5,6).
À semelhança dos dois discípulos no caminho de Emaús, que sentiram o coração arder enquanto o Senhor falava-lhes a palavra em meio à dor e à decepção a que estavam submetidos (Lc 24.32), Jeremias também sentiu a palavra de Deus como fogo no seu coração e não pôde deixar de anunciá-la, não tendo alternativa a não ser esta, como bem viria a falar mais tarde o apóstolo Paulo, a saber, de que anunciar o evangelho foi-lhe uma obrigação (1 Co 9.16).
A última mensagem de Jeremias foi em 585 a.C., sublinhando a sua perseverança e o seu compromisso ministerial mesmo diante da rejeição dos seus ouvintes e da terra estranha em que estava (43.2; 44.1). O conteúdo dessa mensagem confirma a fidelidade ministerial de Jeremias, contrastando a longanimidade divina com a dureza de coração do povo e alertando sobre as consequências da idolatria (44.2,6).
3. A mensagem continua
Durante aproximadamente quarenta anos, Jeremias profetizou ao povo de Judá e, como fruto de uma convicção que foi sendo solidificada no seu coração, ele perseverou até o fim, cumprindo a sua nobre missão (44.1-30). Se o ministério de um profeta consiste basicamente em receber a mensagem de Deus e entregá-la ao povo, como verificar o que mudou — se é que mudou — em Jeremias depois de tantos anos profetizando ao mesmo povo que tanto lhe rejeitou e opôs-se a ele?
Não há outra forma de verificar isso e responder a essa pergunta a não ser refletindo sobre a última mensagem que transmitiu ao povo. Essa mensagem está registrada no capítulo 44 e provavelmente foi anunciada em 580 a.C., o que significa que ele já estava há 46 anos no ministério, ressaltando, assim, a sua fidelidade, firmeza e amor para com Deus e o seu povo.
No que se refere ao conteúdo da mensagem, o profeta começa lembrando os ouvintes acerca das obras de Deus e dos erros dos seus pais (v. 2), pelos quais todos os males que estavam vendo eram fruto desses erros, principalmente pela idolatria (v. 3). Além disso, ele não deixou de dizer-lhes que os seus pais rejeitaram não só as mensagens que lhe haviam sido enviadas, como também os profetas pelos quais elas foram entregues (vv. 4,5), como uma forma veemente de adverti-los a não incorrerem no mesmo erro.
Fica claro, entretanto, que aqueles que ouviam o profeta Jeremias também não estavam tão dispostos a dar-lhe atenção nem tampouco se render à vontade divina, já que preferiram seguir pelos mesmos caminhos dos seus pais, quebrando princípios, motivos pelos quais o juízo de Deus seria manifestado (vv. 6-14,20-30).
Leia o texto de Jeremias 44.27. Perceba que o termo “velar” é o mesmo que o Senhor usou no início do ministério do profeta (1.12), confirmando, assim, a sua fidelidade do início ao fim do seu ministério, mesmo em circunstâncias desfavoráveis e diante da rejeição do povo, como fruto da firmeza do profeta em não ter negociado a mensagem recebida, sempre confiando na fidelidade de Deus em cumprir a sua palavra.
O ministério de Jeremias, portanto, não se limitou apenas em anunciar as tragédias que estavam por ocorrer pela indiferença do povo com o Senhor Deus, mas também consistiu na convocação ao arrependimento e à obediência com vistas a restauração.
Que Deus abençoe a sua aula e os seus alunos!
Verônica Araujo
Editora da Revista Lições Bíblicas Jovens
Para conhecer mais a respeito dos temas das lições, adquira o livro do trimestre: TORRALBO, Elias. Exortação, arrependimento e esperança: o ministério profético de Jeremias. Rio de Janeiro: CPAD, 2025
