Lição 10: Espírito Santo – O capacitador
ESBOÇO DA LIÇÃO:
I – A PROMESSA DO DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO
II – O CUMPRIMENTO: PODER PARA TESTEMUNHAR
III – A CONTINUIDADE DO DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO
Uma Promessa de Abrangência Universal
Na Antiga Aliança, o Espírito atuava de modo pontual sobre pessoas específicas e para tarefas determinadas (1 Sm 19.20; 2 Cr 15.1; Ez 37.1). Porém, cerca de 800 anos antes de Cristo, Joel profetizou uma nova dispensação. O livro de Joel, escrito durante seu ministério profético em Judá (c. 835-825 a.C.), situa-se num cenário de crise nacional, simbolizada pelo juízo divino por meio da invasão de gafanhotos e de uma seca terrível que devastaram a nação (Jl 1.1-20). Essas calamidades levaram os judeus ao arrependimento profundo e ao clamor incessante por misericórdia divina (Jl 2.12-17).
Nesse contexto de conversão nacional, Deus faz o povo experimentar, além da recuperação das pragas, mostrando que viriam bênçãos ainda maiores.¹ Surge então uma maravilhosa promessa: “E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” (Jl 2.28a). O termo hebraico bāśār, traduzido por “toda carne”, significa “todos os seres humanos”²; isto é, extensivo à totalidade da humanidade, sem nenhuma distinção de idade, sexo ou status social. Reitera-se, portanto, que a promessa aponta para a abrangência universal do Espírito. Não é ação de modo indiscriminado, mas a todo que invocar o nome do Senhor (Jl 2.32).
A profecia de Joel expressa o coração de Deus em derramar seu Espírito sobre todos os que creem — um novo tempo em que a graça e o poder divinos são acessíveis a homens e mulheres de todas as idades e condições. Sinaliza que a promessa democratiza a ação do Espírito, quebrando as exclusividades da Antiga Aliança. A promessa do Espírito é vigente para todos, e a Igreja hodierna é chamada a buscá-la e manifestá-la em dons e santidade. E, conforme o pastor Antonio Gilberto, “a plenitude da promessa pentecostal […] aguarda um pleno cumprimento futuro […]. E esse avivamento atingirá a igreja, em geral, e as suas instituições”³.
Uma Promessa com Ação Sobrenatural
Joel profetizou que o derramamento do Espírito viria acompanhado de manifestações visíveis e sobrenaturais: “vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas, naqueles dias, derramarei o meu Espírito” (Jl 2.28b,29). Nessa ação do Espírito ocorre uma mudança de paradigma. Como já assinalado, a promessa de derramamento não exclui e nem discrimina grupos de pessoas, expressando a extensão plena da graça sobre todas as gerações e todas as classes de indivíduos. Nas dispensações anteriores, o Espírito de Deus esteve restrito a indivíduos específicos, escolhidos soberanamente para desempenharem funções determinadas no plano divino. Assim, líderes tais como Gideão (Jz 6.34), os primeiros reis, Saul e Davi (1 Sm 10.6; 16.13), e o profeta Miqueias (Mq 3.8) receberam o Espírito de modo particular e temporário.⁴ Entretanto, com a promessa escatológica do derramamento, a capacitação do Espírito foi estendida a todo o povo de Deus, de modo que “cada um se tornaria profeta”, participante direto da ação e da revelação divina.
Dessa forma, as profecias (1 Co 14.3), sonhos (Mt 1.20) e visões (At 16.9) revelam a atuação do Deus vivo entre o seu povo. São experiências extraordinárias que servem de edificação espiritual (1 Co 14.26). Elas indicam que a vida cheia do Espírito é ativa, dinâmica e sensível à voz de Deus (Rm 8.14). Onde o Espírito Santo é bem-vindo, o agir de Deus se manifesta com propósito e poder (2 Co 3.17). Todo crente deve cultivar uma vida de comunhão e santidade, a fim de ser um canal sensível para as manifestações dos dons do Espírito (1 Co 12.4-7).
Texto extraído da obra “A Santíssima Trindade”, editada pela CPAD.
