Lição 11 – A Adoção — Entrando na Família de Deus
Prezado(a) professor(a), para ajudá-lo(a) na sua reflexão, e na preparação do seu plano de aula, leia o subsídio da semana. O conteúdo é de autoria do pastor Marcelo Oliveira, comentarista do trimestre.
A fim de aprofundar o seu conhecimento a respeito da doutrina da Adoção para esta lição, destacamos o texto abaixo:
II – ADOTADOS MEDIANTE O ESPÍRITO: “MEU ABA”
1. A expressão “Aba, Pai”: intimidade com Deus
Imagine uma criança pequena correndo para os braços do pai e, com uma voz confiante e cheia de carinho, chamando-o de “paizinho”. Essa é a ideia transmitida pela expressão “Aba, Pai”, usada três vezes no Novo Testamento (Mc 14.36; Rm 8.15; Gl 4.6). O Dicionário Bíblico Baker explica que Aba era um termo carinhoso para referir-se ao pai, demonstrando um relacionamento íntimo e amoroso (LONGMAN III, 2023, p. 19). Paulo, ao juntar o aramaico Abba com o grego patêr, quis reforçar que a vida cristã é marcada por uma proximidade calorosa com Deus — não fria, não mecânica, mas familiar e cheia de ternura.
Van Johnson observa que essa imagem familiar traz “o aconchego da certeza de que o Espírito nos dá garantia completa sobre nossa posição presente e futura como filhos e filhas hoje; também somos herdeiros da glória futura” (JOHNSON in ARRINGTON, STRONSTAD, 2017, p. 66). Em outras palavras, não se trata apenas de um título bonito para Deus, mas de uma realidade espiritual confirmada pelo Espírito. Ele mesmo clama em nosso coração “Aba, Pai” (Gl 4.6). Paulo explica que, assim como na lei judaica (Dt 19.15), era necessário haver duas testemunhas para confirmar uma verdade, na vida cristã também há duas: o testemunho do Espírito Santo e o testemunho de nosso espírito (Rm 8.16). É como se Deus colocasse um selo duplo em nosso coração, garantindo que realmente pertencemos à sua família.
Esse chamado também ecoa a própria experiência de Jesus. No Getsêmani, em meio à dor e à angústia, Ele orou: “Aba, Pai, tudo te é possível” (Mc 14.36). Johnson explica que Paulo fez questão de repetir essa expressão para mostrar que, assim como o Filho único tinha intimidade com o Pai, agora também temos essa confiança por meio de Cristo (JOHNSON in ARRINGTON, STRONSTAD, 2017, p. 66); ou seja, o mesmo tratamento carinhoso que Jesus usou na sua oração é colocado em nossos lábios pelo Espírito Santo.
Do ponto da experiência humana, quantas vezes carregamos marcas de rejeição, solidão e até de relações familiares frágeis? Isso fere nossa identidade e rouba nossa segurança; mas em Cristo, pelo Espírito, encontramos um Pai perfeito que nos acolhe sem reservas, que nos dá pertencimento, que cura nossas feridas emocionais e enche nosso coração de amor.
Por isso, quando oramos “Pai nosso” ou clamamos “Aba, Pai”, não fazemos uma repetição fria, mas uma confissão de fé, cheia de calor e confiança. É a certeza de que temos um Pai presente, amoroso e fiel. É viver como filhos amados, correndo de braços abertos para o Senhor, sabendo que Ele sempre nos receberá. Assim, a expressão “Aba, Pai” torna-se não apenas uma palavra, mas também um estilo de vida: viver em intimidade com Deus, seguros de nossa filiação e herança eterna.
2. O testemunho do Espírito Santo
Esse relacionamento com o Pai é confirmado de forma inconfundível pelo testemunho do Espírito Santo, que dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus (Rm 8.16). Que experiência gloriosa é receber a voz interior do Espírito, a qual não apenas nos informa, mas também nos transforma! No novo nascimento, algo profundamente significativo ocorre em nosso ser: tudo é renovado. O Espírito Santo é aquEle que nos conduz a uma nova realidade não apenas moral ou psicológica, mas também espiritual, existencial e relacional. É como se a vida recebesse uma nova gramática, uma nova ordem de sentido, em que a identidade do cristão já não mais se define pelo passado, mas pela adoção graciosa em Cristo. De fato, fomos acolhidos na família de Deus!
Donald Stamps, comentando esse texto, destaca que o Espírito Santo não apenas confirma nossa filiação, mas também nos dá a confiança de que somos amados e sustentados por Cristo, nosso Mediador eterno (Hb 7.25) (STAMPS, 2022, p. 2039). Ele também nos torna conscientes de que o amor de Deus por nós não é menor do que o amor que o Pai tem pelo seu Filho Unigênito (Jo 14.21,23; 17.23). Essa é uma revelação que ultrapassa nossa razão e alcança o coração, pois, ao mesmo tempo que conhecemos a verdade pela fé, também a experimentamos afetivamente. O Espírito Santo não nos faz esquecer de que não somos meros servos numa relação funcional, mas filhos amados numa relação de intimidade. Por isso, somos ensinados por Ele a clamar: “Aba, Pai” (Rm 8.15). Esse clamor é carregado de confiança, ternura e vivência pessoal e transformadora.
Do ponto de vista psicológico, podemos dizer que esse testemunho do Espírito reorganiza a identidade. Enquanto muitos vivem marcados por sentimentos de rejeição, insegurança ou abandono, o Espírito planta no coração do crente uma certeza afetiva e espiritual: a de que não está só e de que é amado incondicionalmente. A pedagogia divina aqui é maravilhosa: o Espírito não apenas instrui a mente, como também educa o coração, cura feridas emocionais e desperta a coragem de viver como filho diante de um Pai que acolhe. É como se a fé escrevesse novamente nosso interior, dando-nos uma nova narrativa de vida, na qual a adoção divina torna-se o ponto central.
O testemunho do Espírito, portanto, não é um detalhe místico, mas a resposta de Deus às mais profundas angústias humanas. É Ele quem nos dá a confiança de que o Pai não apenas nos tolera, mas também nos ama com amor eterno. Assim, a adoção em Cristo não é mera metáfora legal; é uma realidade espiritual, psicológica e pastoral. Somos chamados a viver diariamente essa certeza, lembrando que a voz do Espírito é mais forte do que as acusações do Inimigo, mais firme do que as dúvidas da mente e mais doce do que qualquer palavra humana. Somos ensinados pelo Espírito a olhar para o Céu não com medo, mas com confiança filial, proclamando: “Aba, Pai!”, sendo nesse clamor que encontramos segurança, paz e propósito.
3. Uma nova identidade
A doutrina da adoção revela sublimemente nossa nova identidade como filhos de Deus. É uma identidade que não nasce da carne nem do sangue, mas da graça do Pai, mediante o Espírito, que nos recebeu em Cristo. Essa identidade é confirmada pela presença constante do Espírito Santo em nós, que não apenas habita, mas também atua como guia, consolo e testemunha interior de que pertencemos à família celestial (Rm 8.14,15). O Espírito, na sua pedagogia divina, conduz-nos ao amadurecimento da fé, consola-nos nas batalhas diárias e lembra-nos, em meio às angústias, de que já não somos mais órfãos espirituais, mas herdeiros da promessa.
Essa transformação interior rompe com o antigo “espírito de escravidão”, que aprisionava nossa mente e coração em medo e culpa. Agora, em Cristo, vivemos como filhos amados, chamados à liberdade e à confiança. A identidade cristã não é construída sobre conquistas humanas, mas sobre a graça da adoção. Psicologicamente, é como receber um novo eixo de referência para a vida: já não precisamos buscar aprovação em aplausos externos ou em padrões de sucesso efêmeros, porque nossa essência encontra-se enraizada no amor do Pai. Ora, o ser humano tem uma necessidade de uma base segura para a constituição da identidade; para além de nossas vivências familiares, e até mesmo externas, o Espírito Santo é essa base, pois é Ele quem nos garante que somos aceitos e amados incondicionalmente.
A doutrina da adoção pedagogicamente nos ensina que a fé não é apenas um assentimento intelectual, mas também uma experiência formativa. O Espírito Santo constantemente nos educa em cada etapa da jornada, moldando nosso caráter à semelhança de Cristo, corrigindo-nos com amor e fortalecendo-nos na esperança. A nova identidade não se restringe a um título espiritual, mas envolve prática de vida: vivemos como quem pertence à família de Deus, refletindo o caráter do Pai em nossas escolhas diárias. Dessa forma, nossa identidade já não está mais no mundo, mas firmada em Cristo. Adoção espiritual carrega consigo o sentido de viver com a dignidade de filho, com a segurança de herdeiro e com a missão de refletir o amor do Pai nesta terra. É uma identidade que traz paz à mente, cura ao coração e propósito à existência. É por isso que podemos clamar com confiança e ternura: “Aba, Pai!”.
Que Deus abençoe a sua aula e os seus alunos!
Verônica Araujo
Editora da Revista Lições Bíblicas Jovens
Para conhecer mais a respeito dos temas das lições, adquira o livro do trimestre: OLIVEIRA, Marcelo. Plano Perfeito: A Salvação da Humanidade, a Mensagem Central das Escrituras. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.
