Lição 13 – A Trindade santa e a igreja de Cristo
ESBOÇO DA LIÇÃO:
I – A TRINDADE E O PLANO REDENTOR
II – A IGREJA E A COMUNHÃO COM A TRINDADE
III – A IGREJA É ENVIADA PELA TRINDADE
Redimidos pelo Sangue de Cristo
A Igreja é o resultado da obra redentora do Filho. Os crentes são “eleitos segundo a presciência de Deus Pai […] e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (1 Pe 1.2). Nesse enunciado, temos a atuação do Pai que elege, e do Filho que redime com seu sangue. A frase “aspersão de sangue” (gr. rhantismon haimatos) remete ao ritual do Antigo Testamento em que o sangue do sacrifício estabelecia uma aliança e a aspersão concedia benefícios aos adoradores (Êx 24.8). Dessa forma, o perdão divino está associado ao derramamento de sangue, não como mera formalidade ritual, mas como expressão da justiça e da santidade de Deus (Lv 17.11).
Essa tipologia alcança sua plenitude em Cristo, que, como Cordeiro de Deus, derramou o seu sangue para remissão dos pecados e inaugurou uma nova aliança (Jo 1.29). Esse sacrifício é único, definitivo e eficaz. Diferente dos sacrifícios repetitivos da antiga aliança, o sangue de Cristo foi derramado uma única vez e para sempre (Hb 10.10,14). Por isso, não há necessidade de outro mediador, pois sua obra é suficiente para a expiação do pecado. Expiar é pagar, quitar, perdoar mediante um sacrifício reparador, por meio da morte de alguém como substituto do culpado. Cristo pagou a dívida com a Lei e com o legislador na cruz (Cl 2.14).
A Igreja, portanto, não nasce de méritos humanos, mas da ação divina que redime e sela um novo povo para Deus, mediante o sangue de Cristo (Hb 9.13-15). Ele amou a Igreja e voluntariamente morreu por ela e no lugar dela (Ef 5.25). A eficácia da obra redentora de Cristo se manifesta de duas formas principais: (i) Reconciliação com Deus. O sangue de Cristo remove a barreira do pecado, restaurando a comunhão entre o Criador e a criatura (2 Co 5.18-19); (ii) Purificação do pecador. O sangue de Cristo não apenas perdoa pecados, mas mantém o crente em estado de purificação, sustentando sua vida de santidade (1 Jo 1.7).
A doutrina da redenção pelo sangue de Cristo tem implicações essenciais: (i) Cristocentrismo da fé cristã. A Igreja existe porque Cristo derramou seu sangue (1 Co 2.2); (ii) Exclusividade da salvação em Cristo. Nenhum outro sangue, sacrifício ou mediador pode oferecer perdão e reconciliação com Deus (At 4.12); (iii) Santidade da Igreja. O povo eleito é chamado a viver em pureza e separação do pecado, em resposta ao sacrifício de Cristo (1 Pe 1.18-19); e (iv) Esperança escatológica. O sangue de Cristo garante não apenas redenção presente, mas também herança futura, pois constituiu um povo de sacerdotes para reinar com Ele (Ap 5.9,10).
Texto extraído da obra “A Santíssima Trindade”, editada pela CPAD.
