Lição 13 – Uma palavra profética às nações
Prezado(a) irmão(ã) professor(a), a paz do Senhor!
Chegamos ao final de mais um trimestre e também mais um ano que se finda. Não deixe de fazer uma retrospectiva deste trimestre e deste ano, avaliando seu trabalho pedagógico. Esta última lição traz um alerta para nós: temos a missão de anunciar a Palavra de Deus até os confins da Terra.
A fim de auxiliá-los na compreensão deste ensinamento, trazemos um trecho extraído do livro do trimestre cujo conteúdo também é de autoria do pastor Elias Torralbo.
Por ocasião da comunicação sobre o seu chamado, Jeremias foi informado com clareza pelo Senhor de que, embora ele fosse judeu e que, em certa medida profetizaria, originalmente, ao seu povo, o seu ministério alcançaria as nações (Jr 1.5). Certamente, o jovem profeta recém-chamado não tinha ideia de como isso aconteceria, nem mesmo do que enfrentaria ao longo da sua trajetória até que outros povos fossem alcançados pela mensagem que o Senhor confiaria a ele, mas poderia estar certo de que se cumpriria, pois quem estava falando com ele é o Deus que “vela pela sua palavra para a cumprir” (v. 12).
Essas palavras direcionadas a Jeremias reafirmam o compromisso de Deus, não só com a nação de Israel, mas com todos os povos da terra. A fé, conforme as Escrituras, aponta para o alcance global do plano de Deus, como se percebe com impressionante clareza em parte da promessa feita a Abraão de que nele seriam “benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3) e, em todo o texto bíblico, confirma-se o aspecto universal do interesse e da ação de Deus em resgatar pessoas de todos os povos e nações.
Um dos exemplos escriturísticos mais vívidos é o ministério do profeta Jeremias, já que ele é visto falando sobre e às nações, o que pode ser visto sob três aspectos: i) como cumprimento da palavra de Deus a respeito da dimensão global do seu ministério; ii) como sinal ao povo de Judá, isto é, servindo de alerta de que o Senhor não o tinha como exclusivo, mas apenas como meio para alcançar os outros povos; iii) como exemplo à Igreja da atualidade no sentido de conscientizá-la, alertá-la e encorajá-la ao compromisso com a evangelização das nações. Com base nisso e na consciência da importância do tema em questão, este capítulo — que encerra toda a reflexão desta obra — discorre sobre o olhar universal, e não regional de Deus, tomando como base o seu amor, que ultrapassa os limites geográficos, culturais e étnicos, desaguando, assim, no propósito pelo qual o seu povo foi levantado, que é o de representá-lo diante das outras nações.
Tomando a relação de Jeremias com as nações da sua época como ponto de partida, a presente abordagem inicia dando ênfase ao envolvimento de Deus com as nações. Em seguida, apresenta esse profeta como sendo uma dádiva divina às nações e conclui com a elucidação de um povo para as nações, começando por Israel e culminando com a Igreja de Cristo.
III – UM POVO PARA AS NAÇÕES
O Deus das nações é o mesmo que enviou os profetas — em especial a Jeremias — às nações. Mas, além disso, ele também levantou um povo e enviou-o às nações.
O que o Novo Testamento expõe e explica a respeito da Igreja de Cristo é o ponto alto do que o Antigo Testamento apresenta de forma embrionária e progressiva a respeito do plano de Deus na constituição de um povo que o representa na terra. Nesse sentido, Israel serve como ponto de partida, razão por que deve receber uma atenção especial por parte dos que não só desejam conhecer a respeito desse assunto central à fé cristã, mas também almejam participar do trabalhar de Deus entre os povos por intermédio do seu povo.
No Antigo Testamento, existe o conceito de um povo chamado por Deus a reunir-se em torno de um fim comum. Inevitavelmente, o chamado de Abraão surge novamente na reflexão, pois ele foi chamado a sair do meio da sua terra, da sua parentela e da casa do seu pai, tendo sido o início do povo que Deus escolheu (Gn 12.1). Do mesmo modo, Israel foi tirado do Egito, oficializando-o como nação de Deus que, conforme Êxodo 19.6, trata-se de uma “nação santa” e um “reino de sacerdotes”, o que implica no princípio de pertencer única e exclusivamente a Deus.
Embora o termo Igreja não apareça de forma direta no texto veterotestamentário, o conceito de um povo chamado e reunido em torno de propósitos bem específicos e estabelecidos por aquele que o chamou está presente e assemelha-se ao mesmo sentido de Igreja do Novo Testamento. Diante disso, esse ponto que encerra não só o capítulo, mas também a reflexão proposta neste livro, enfatiza o povo levantado por Deus com a missão de representá-lo diante das nações, a começar por Israel, destacando a Igreja de Cristo, finalizando, então, com a ênfase na Grande Comissão que visa alcançar as nações do mundo.
1. Israel, o povo que falhou com as nações
Leia com atenção Hebreus 11.40 e 12.1. Com base nas passagens elencadas, apreende-se que todos os que serviram a Deus, os que o servem e ainda o servirão são partes de uma história que não lhes pertencem, mas que – pela graça – foram inseridos e contribuem com a sua construção. Isso mesmo, as histórias contadas na Bíblia são “pequenas histórias” (personagens bíblicos) que conjuntamente assumem o papel de construir a “grande história” (a história de Deus).
O texto de Hebreus 11.36 apresenta a rejeição, os maus-tratos e as prisões a que foi submetido Jeremias. Um dos referenciais utilizados pelo escritor da Carta aos Hebreus, implica na verdade de que, por mais importante que tenha sido e ainda seja, esse profeta é parte de uma história maior.
Sendo assim, a compreensão do ministério de Jeremias, os seus desdobramentos, mui especialmente em relação às outras nações, passa inevitavelmente pela compreensão dessa história maior, da qual Israel é uma parte fundamental. Nessa que é a história de Deus, Israel foi chamado a representar e a apresentar o Senhor às nações tornando-o conhecido delas, para que o temam (Dt 28.9,10).
Deus chamou a Israel para ser o seu povo com o propósito de servir-lhe como representante diante das nações (Is 43.10,12). Israel foi formado por Deus, que o designou a testemunhar ao seu respeito e a proclamar os seus louvores (Is 43.21), não só entre os judeus, mas também, e principalmente, entre as nações (v. 9).
Deus prometeu levantar as suas próprias mãos em direção às nações a fim de abençoá-las, reafirmando o seu compromisso com os povos da terra (Is 49.22). Mas, afinal de contas, qual foi o papel de Israel dentro desse interesse divino em relação às nações, ou seja, como esse povo deveria cumprir a sua missão em relação a outros povos?
Em certa medida, a dinâmica da missão de Israel passa pela compreensão do que é chamado de “missão centrípeta”. No contexto em que trata a respeito da “metodologia da universalidade”, George W. Peters apresenta a forma pela qual Deus escolheu ser apresentado às nações, começando por Israel e, depois, a Igreja. No caso de Israel, o referido autor afirma que o método usado pelo Senhor é o centrípeto, cujo sentido é exposto abaixo:
[…] O Antigo Testamento sustenta o método centrípeto, que pode ser imaginado como um magnetismo sagrado que atrai para si mesmo. Israel, ao viver uma vida na presença de Deus, temendo-o, deveria experimentar a totalidade das bênçãos de Deus. Dessa maneira eles deveriam chamar a atenção das nações, incitar a sua indagação e atraí-las como imã para Jerusalém e para o Senhor. A universalidade deveria ser efetivada atraindo as pessoas para o Senhor, ao invés de ficar enviando mensageiros com uma mensagem[…] (PETERS, 2000, p. 26).
Sendo assim, Deus estabeleceu Israel como o seu povo com a finalidade de adorá-lo, seguir a sua Lei, manter a aliança vigente e, em especial, servir-lhe como ponto de contato com as demais nações, atraindo-as de tal forma que viessem para conhecer de perto o Deus a quem servia (Is 60.3). Israel, no entanto, falhou na sua missão, conforme parte da pregação de Paulo e Barnabé aos judeus, afirmando que, embora eles tivessem sido constituídos “luz para as nações”, eles falharam na sua missão (At 13.46-48).
2. Igreja, o povo de Deus para as nações
Paulo afirma que a Igreja é uma ideia de Deus e que ela foi projetada na eternidade antes que todas as coisas criadas existissem (Ef 1.3-10). Isso posto, a agenda com as suas prioridades deve ser estabelecida por Deus, e não pela Igreja em si, ou seja, uma vez que foi idealizada e gerada por Deus, a Igreja não existe para cumprir os seus próprios ideais ou projetos, mas, sim, daquEle que a criou.
A respeito do termo Igreja, o teólogo Norman Geisler oferece a seguinte explicação:
O significado básico da palavra igreja (gr. ekklesia) é “chamados para fora”. Em grego clássico, ekklesia se referia a uma assembléia de qualquer tipo, religiosa, ou secular, legal ou ilegal […] no Antigo Testamento grego sig-nificavam uma reunião ou assembleia, como as que o judaísmo tinha na sinagoga. No Novo Testamento, ekkleia veio a significar uma assembleia de crentes, especificamente seguidores de Jesus (GEISLER, 2019, p. 505).
Nota-se com facilidade a íntima relação entre o conceito de Igreja do Novo Testamento com o que é encontrado no Antigo Testamento, em especial na ideia de que Deus separou para si um povo que se reúna em torno do seu nome, adore-o, honre-o em obediência e represente-o entre as nações. Observe que as qualidades atribuídas à Igreja em 1 Pedro 2.9 objetiva um alvo maior do que simplesmente as possuir; pelo contrário, elas devem servir como meios pelos quais as qualidades de Deus, descritas no texto como virtudes, sejam conhecidas entre as pessoas ou, ainda, as nações.
É nesse sentido que a missão da Igreja identifica-se com a de Israel, embora não obedeça a mesma dinâmica, pois, enquanto a de Israel foi centrípeta, tendo de atrair as nações para anunciar a grandeza de Deus, a da Igreja é centrífuga, isto é, ela deve ir às nações a fim de proclamar e ensinar a mensagem que testifica de Deus (Mt 28.18-20; Mc 16.15).
O capítulo 10 do livro de Atos dos apóstolos é todo dedicado a contar a ação divina no envio de visões a Cornélio e ao apóstolo Pedro com vistas a convencer a este de ir até o centurião gentio e anunciar-lhe o evangelho, o que certamente aponta para a resistência do apóstolo, que pode ser explicada pela resistência que havia dos judeus para com os não judeus e pela consciência de que Cornélio é que deveria ir a Pedro. Os versículos 19 e 20 mostram que o Espírito Santo comunicou a Pedro que três representantes de Cornélio buscavam-no e ordenou que este fosse com eles para comunicar-lhe a mensagem do evangelho, numa clara demonstração de transição entre o método centrípeto para o centrífugo.
O conteúdo a ser compartilhado é, portanto, o evangelho (1 Co 1.21), o alvo a ser alcançado são as nações (At 1.8), e o povo enviado aos povos da terra é a Igreja (Mc 16.15).
A Grande Comissão, portanto, representa bem a responsabilidade que a Igreja recebeu do Senhor de representá-lo entre as nações. Em uma relação com o Antigo Testamento, o profeta Jeremias pode ser um exemplo a ser usado, pois reafirma o caráter divino da Grande Comissão, primeiro na sua natureza divina, pois, em ambos os casos, a missão diante das nações — de Jeremias e da Igreja — vêm de Deus, depois das suas bases — principalmente a mensagem centrada em Deus —, e o seu objetivo é o alcance das nações. Assim como Jeremias foi enviado às nações (Jr 1.10), a Igreja também o foi (Mc 16.15).
Que Deus abençoe a sua aula e os seus alunos!
Verônica Araujo
Editora da Revista Lições Bíblicas Jovens
Para conhecer mais a respeito dos temas das lições, adquira o livro do trimestre: TORRALBO, Elias. Exortação, arrependimento e esperança: o ministério profético de Jeremias. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.
