Lição 3 – O Pai enviou o filho
ESBOÇO DA LIÇÃO:
I – O ENVIO DO FILHO E O AMOR DO PAI
II – O FILHO E A PLENITUDE DOS TEMPOS
III – A TRINDADE NO PLANO DA SALVAÇÃO
A Preparação Histórica e Religiosa:
Reitera-se que, o envio de Jesus Cristo, não foi um evento aleatório, mas o cumprimento preciso de um desígnio estabelecido pela Trindade, e realizado “na plenitude dos tempos” (Gl 4.4). A expressão “plenitude dos tempos” comunica que Deus Pai, em perfeita harmonia com o Filho e o Espírito, determinou soberanamente o momento exato para a encarnação do Verbo (Rm 5.6).
Nesse aspecto, o Comentário Bíblico do Novo Testamento — Aplicação Pessoal enfatiza que “guiados por um Deus soberano, os eventos históricos trabalharam em harmonia em preparação para o momento pré-definido da chegada de Jesus à terra”⁶. Assim, a cultura e a religião foram providencialmente coordenadas pelo Deus Triúno. O Império Romano, com suas estradas rápidas e seguras, facilitou a propagação do Evangelho. A língua grega, difundida pelo helenismo, permitiu uma comunicação clara da mensagem salvífica. O grego koiné, com o qual o Novo Testamento foi escrito, era compreendido em todo o Império.
O ambiente judaico da Palestina do primeiro século, embora espiritualmente deteriorado por práticas legalistas e por uma tradição farisaica excessivamente ritualista, ainda preservava um núcleo de esperança escatológica centrada na vinda do Messias prometido. Mesmo em meio à formalidade religiosa e à rigidez das interpretações da Torá, havia corações sinceros que aguardavam com expectativa o cumprimento das promessas messiânicas (Lc 2.25; 37-38).
Nesse processo cuidadosamente conduzido pela providência divina, destaca-se o princípio bíblico de que Deus é Senhor da história e soberanamente dirige os acontecimentos humanos (At 17.26). Conforme descreve Ferguson: “Deus tem um plano para a história do universo e, em sua execução, governa e controla todas as realidades criadas por ele. Sem violar a natureza das coisas e a livre ação humana”.⁷ Portanto, a preparação do ambiente para a encarnação de Cristo é uma clara demonstração do governo soberano de Deus sobre os movimentos da humanidade.
2. O Filho Nascido sob a Lei:
A encarnação do Verbo é fundamental para a redenção. Paulo afirma que o Filho de Deus é “nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4b). A frase “nascido de mulher” destaca a plena humanidade de Cristo (Hb 2.14). O mistério da encarnação é revelado no cumprimento profético: “eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14; Mt 1.23). A Escritura diz que Ele “aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2.7).
Ao nascer “sob a lei”, Jesus sujeitou-se voluntariamente ao regime legal do Antigo Testamento (Mt 5.17). Cristo viveu em perfeita obediência, sem jamais transgredir qualquer mandamento: “o qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1 Pe 2.22). Essa vida sem pecado qualifica Jesus para ser o Cordeiro perfeito: “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus” (Hb 7.26). Sua obediência ativa e passiva é essencial para a expiação dos pecados.
NOTAS
⁶ RIBAS, Degmar (Trad.). Comentário Bíblico do Novo Testamento: aplicação pessoal. Vol. 2. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 284. ⁷ FERGUSON, Sinclair B. Novo Dicionário de Teologia. São Paulo: Hagnos, 2009, p. 293.
Texto extraído da obra “A Santíssima Trindade”, editada pela CPAD.
