Lição 5- O Deus filho
ESBOÇO DA LIÇÃO:
I – A DIVINDADE DO FILHO
II – A CENTRALIDADE DO DEUS FILHO
III – A MISSÃO REDENTORA DO DEUS FILHO
A Glória Sobrenatural de Jesus:
A narrativa da transfiguração de Jesus (Mt 17.1-2; Mc 9.2-3; Lc 9.28-29) é um dos eventos mais significativos na revelação da identidade e da glória do Filho de Deus. Pedro, Tiago e João, testemunhas oculares desse acontecimento, são conduzidos por Jesus até um “alto monte”. O Comentário Bíblico Pentecostal aponta que esse local é tradicionalmente identificado como sendo o monte Tabor, porém o mais provável é um local ao sul de Cesareia de Filipe, talvez um dos picos do Hermom.⁶ Não obstante, o “alto monte” simboliza um espaço de revelação divina e rememora Moisés recebendo a Lei (cf. Êx 19–20); nos Evangelhos, lembra as revelações e teofanias que ocorrem em montanhas (cf. Mt 5.1; 15.29).⁷
Nesse local, Jesus “transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz” (Mt 17.2). O verbo “transfigurar” é tradução do grego metemorphōthē,⁸ do qual se originou o vocábulo metamorfose (transformação). Indica uma mudança profunda, essencial e visível. Diferente de uma mera mudança externa, trata-se da revelação momentânea da glória inerente à natureza divina de Cristo. Não houve aquisição de uma glória alheia, mas a manifestação da glória que Ele sempre possuiu como o Verbo eterno (Jo 1.1,14). Trata-se de uma teofania cristológica, uma epifania da glória divina no Deus Filho encarnado.
Significa que, na ocasião, Jesus revelou temporariamente a glória da sua natureza divina, com aparência resplandecente. Um prólogo escatológico, um vislumbre do Cristo pós-ressurreto e glorificado (Ap 1.6). A transfiguração, portanto, é uma revelação antecipada da glória escatológica e um testemunho da identidade messiânica e divina de Jesus. Teologicamente, esse evento é também uma confirmação da união hipostática: homem e divino, duas naturezas em uma só pessoa (Jo 1.14; Cl 2.9). A glória manifestada não anula sua humanidade, mas revela a plenitude da divindade que habita corporalmente nEle. Uma confirmação da união hipostática: aqui, a divindade de Jesus foi revelada. Uma manifestação visível da glória de Deus no Filho encarnado (Fp 2.6-9).
Do ponto de vista doutrinário, a transfiguração reforça a cristologia elevada do Novo Testamento. Ela é um testemunho trinitário, pois o Pai fala do céu (Mt 17.5), o Filho é glorificado e o Espírito está implícito na nuvem de glória (Êx 40.34; Lc 9.34). A glória de Jesus é a própria glória de Deus revelada ao mundo (Jo 17.5; Hb 1.3). Assim, a transfiguração não é apenas uma experiência para os três discípulos; é um ponto de inflexão teológico na revelação do Messias. Ela chama a Igreja a contemplar a glória do Deus Filho, a centralidade de Cristo na redenção e a esperança escatológica de sermos transformados à sua imagem (2 Co 3.18; 1 Jo 3.2).
NOTAS:
⁶ STRONSTAD, Roger; ARRINGTON, L. French (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 103, 104. ⁷ Ibid., p. 103.
⁸ LUKASZEWSKI, Albert L.; DUBIS, Mark; BLAKLEY, J. Ted. The Lexham Syntactic Greek New Testament, SBL Edition: expansions and annotations. Bellingham, WA: Lexham Press, 2011. Mt 17.2.
Texto extraído da obra “A Santíssima Trindade”, editada pela CPAD.
