Lição 6 – O Espírito que nos guia para além das fronteiras
Objetivos da Lição:
I) Conduzir o aluno a compreender Corinto e os desafios do Evangelho;
II) Verificar com o aluno a missão de Paulo e a sufi ciência da graça;
III) Conscientizar sobre a graça de Deus diante dos desafios da vida cristã.
ESBOÇO DA LIÇÃO:
I – PAULO CHEGA A CORINTO (At 18.1-6)
II – A CONTINUIDADE DA MISSÃO E O ENCORAJAMENTO DIVINO (At 18.7-11)
III – PAULO DIANTE DE GÁLIO: A GRAÇA QUE SUSTENTA EM MEIO À OPOSIÇÃO (At 18.12-17)
Corinto: riqueza material e miséria espiritual
Depois de retirar-se de Atenas, Paulo chega à cidade de Corinto, capital da província romana da Acaia desde 27 a.C. Ele chega a Corinto após momento de aflição, cansado e abalado: perseguido em Filipos (At 16.19-24); expulso de Tessalônica (At 17.5-10); hostilizado em Bereia (At 17.5-10); ridicularizado em Atenas (At 17.32; cf. 1 Co 2.3). Paulo não chegou a Corinto como um herói invencível, mas como um servo frágil sustentado pela graça. Foi ali, porém, que ele decidiu revelar de maneira marcante a sua sustentação. A cidade era o centro político da Grécia, que, nessa época, superou Atenas em importância política e comercial. Corinto era capital famosa pela sua opulência, porém cheia de sensualidade e devassidão, sendo o maior centro de imoralidade de todo o Império Romano (1 Co 6.9-11) por abrigar templos dedicados a várias divindades (At 18.4), como Afrodite, a deusa do amor, cujo culto envolvia práticas sexuais. Estrabão, historiador, geógrafo e filósofo grego, revela que havia em Corinto cerca de mil prostitutas religiosas dedicadas a esse culto.
Corinto era uma metrópole cosmopolita (1 Co 1.2), isto é, uma grande cidade que se destaca pela diversidade cultural e pela presença de pessoas de diferentes nacionalidades e origens, comercialmente estratégica e espiritualmente caótica, com uma ambiência hostil à mensagem de santidade (2 Co 12.21). Mesmo assim, Deus escolheu esse lugar para plantar uma igreja forte (At 18.8), mas era ali que Ele tinha “muito povo”. Entretanto, Deus opera nos ambientes mais difíceis, e a sua graça é suficiente (2 Co 12.9). A graça não escolhe ambientes tranquilos; ela manifesta-se nos piores cenários. Nesse ambiente desafiador, Paulo chegou com temor e tremor, carregando não apenas o peso físico de perseguições anteriores, mas também a preocupação pastoral por todas as igrejas.
Em 1 Coríntios 2.1-5 na Nova Almeida Atualizada, Paulo explica que, ao pregar aos coríntios, não usou “sublimidade de palavras ou de sabedoria”, mas decidiu focar em “Jesus Cristo e este crucifica do”, apresentando-se com “fraqueza, temor e grande tremor”, e não com linguagem persuasiva humana, mas com demonstração do Espírito e poder para que a fé deles dependesse do poder de Deus, e não da sabedoria humana.
Paulo encontrou o casal Priscila e Áquila, judeus que se estabele ceram em Corinto como fabricantes de tendas, os quais tinham sido expulsos de Roma pelo decreto do imperador Cláudio, que ordenara que todos os judeus saíssem de Roma, por volta de 49 d.C. A razão, segundo o historiador Suetônio, foi a instabilidade causada pelas “perturbações constantes” dos judeus, possivelmente relacionadas à crescente influência dos primeiros cristãos.
Eles trabalhavam juntos como fabricantes de tendas e compar tilhavam do evangelho, tornando-se colaboradores e amigos de Paulo (Rm 16.3,4; 2 Tm 4.19). Paulo viveu com eles por uns dezoito meses, e juntos eles também foram fundamentais na formação da igreja em Corinto.
Deus provê conforto e suprimento a Paulo com provisão humana e ministerial. A primeira, com Ele unindo-o a Áquila e Priscila (At 18.2,3); companheiros, amigos e cooperadores (Rm 16.3,4); um lar e trabalho para o seu sustento. A segunda, com a chegada de Silas e Timóteo fortalecendo o trabalho (At 18.5; 1 Ts 3.6), trazendo notícias de consolo (1 Ts 3.7) e provisão financeira que tinham trazido do apoio financeiro dos crentes de Tessalônica e de Filipos (2 Co 11.8,9; Fp 4.15), o que permitiu que Paulo entregasse-se totalmente à pregação do evangelho. Isso nos lembra que o Senhor usa pessoas para sustentar os seus servos nas batalhas. A graça de Deus opera por meio de relacionamentos. Ninguém permanece firme sozinho. Até Paulo precisou de amigos que o levantassem.
Após a chegada de Silas e Timóteo, Paulo intensifica a sua pregação, direcionando-a principalmente aos judeus em Corinto. Ele buscava convencê-los de que Jesus era o Cristo (At 18.5), o Messias prometido aos pais e esperado por eles. Paulo pregava na sinagoga (At 18.4), mas os judeus resistiam e blasfemavam (At 18.6). A constante oposição dos judeus impediu Paulo de conti nuar anunciando o Salvador na sinagoga. Mesmo assim, Crispo, o principal da sinagoga, converteu-se, e muitos coríntios creram e foram batizados (At 18.8). Quanto maior a oposição, mais Deus mostra a sua graça; onde a resistência é maior, mais gloriosa é a intervenção divina.
Saindo da sinagoga, certo homem gentio chamado Tito Justo, temente a Deus e frequentador da sinagoga, que deve ter-se con vertido sob o ministério de Paulo, ofereceu um espaço na própria residência para o trabalho do apóstolo. A sua casa ficava ao lado da sinagoga (v. 7), o que colaborou com a missão de Paulo, dado a ele e à nova congregação um bom conceito na cidade, o que era muito importante. Houve uma grande repercussão entre os coríntios quando souberam que ele pregava na casa de um cidadão romano, e assim muitos se converteram. Como resultado do trabalho de Paulo, muitos habitantes de Corinto abraçaram o cristianismo, inclusive Crispo, principal da sinagoga (v. 8).
Crispo de Calcedônia é um dos primeiros seguidores de Jesus no Novo Testamento. Ele é mencionado em 1 Coríntios 1.14 como um dos líderes da sinagoga de Corinto. Ele e a sua família foram convertidos ao cristianismo por Paulo de Tarso (At 18.8) e batizado pelo apóstolo em Corinto, na Grécia (ver 1 Co 1.14).
Texto extraído da obra “A Igreja dos Gentios”, editada pela CPAD
